Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | A Hora do Rush 2

Crítica | A Hora do Rush 2

por Fernando JG
880 views (a partir de agosto de 2020)

Como deve ser, e como se espera que seja, o segundo filme da franquia segue exatamente a mesma cartilha e joga com as mesmas peças do longa anterior. Até um pouco melhor do que A Hora do Rush, a segunda parte da odisseia de Carter e Lee aposta numa maior liberdade dos personagens e até arrisca um Jackie Chan engraçadinho em algumas cenas, um encontro amoroso inusitado e um enredo que permite que as categorias da ação e da comédia sejam exploradas mais incisivamente.

A rede de intrigas dessa segunda parte é levemente mais complexa que a anterior, e faz o inverso. Se anteriormente o detetive Lee era quem fazia a sua entrada na América, desta vez é Carter que parte para Hong Kong com Lee. Se já era ótimo acompanhar esse estrangeiro em Los Angeles, assistir o personagem de Chris Tucker – aprendendo a falar o mandarim! – na China, num país de idioma desconhecidíssimo para ele, é, senão, um dos pontos mais altos da trama. Os inúmeros gafes cometidos por Carter em Hong Kong, falando coisas que não é para falar, confundindo vocábulos, colocando um ao outro em enrascadas por conta de não saber o idioma, torna tudo mais divertido. Neste filme, Chris Tucker está especialmente engraçado. 

O desenvolvimento do personagem de Jackie Chan ganha algum relevo também. É visível que a produção tenta introduzir uma dose maior de comédia nas cenas do inspetor Lee. Ainda que ele não assuma, de fato, esse papel comediante, as contribuições dele são todas muito bem-vindas, mas diferente de seu parceiro, que só fala o tempo inteiro, a caracterização espirituosa do honconguês ocorre majoritariamente em cenas silenciosas, que são conduzidas pela atmosfera, pela música e pela quebra climática, oferecendo algo de cômico ao personagem asiático.

No enredo, Carter e Lee já se conhecem, visto que vinham de longa missão. Juntos numa curtição pela Ásia, o inspetor recebe um telefonema dizendo que a embaixada norte-americana em Hong Kong sofreu um atentado, resultando na morte de dois homens americanos, e que provavelmente foi um ataque vindo de um grupo contrabandista de um esquema de lavagem de dinheiro. Carter, que só queria saber de curtição, logo se prepara junto do seu parceiro para mais uma missão, que os leva novamente para a já conhecida Los Angeles – mas não depois de aprontarem todas em Hong Kong e quase serem liquidados pela gangue. No meio de tudo isso, Lee descobre a figura de Ricky Tan (John Lone), que estaria junto dos criminosos, e que também esteve envolvido no assassinato do seu pai, o motivando ainda mais.

Bom, nada é novidade, exceto pela presença de importantes figuras femininas lutadoras de artes marciais, oferecendo uma beleza diferente para o longa. Roselyn Sanchez, que interpreta Isabella, uma agente federal, faz um papel de femme fatale, sedutora e inteligente. As meninas, Zhang Ziyi, que faz a algoz Hu Li, e Roselyn Sanchez, fazem a composição de papéis femininos interessantes mas absurdamente clichês.

A comédia é ainda mais avantajada pelo fator estrangeiro, em que Carter está perdido em um outro país, inspirando um papel ainda mais sem noção do que o visto no longa anterior. Jackie Chan brilha no papel e é como se as cenas de luta fossem feitas exclusivamente para ele e nada mais, e são cenas realmente fáceis e divertidas para Chan, é perceptível. Mais ou menos como um: “Jackie, sua vez!”. E ele entrega, já que ele está lá para fazer exatamente isso: performar. Apesar de um papel em que todo mundo já sabe que ele fará, o ator é extremamente carismático e contagia a atmosfera fílmica. O longa, dirigido por Brett Ratner, conta ainda com inúmeras autorreferências, fazendo referências aos seus próprios filmes, como Red Dragon, que seria lançado no ano seguinte. 

Mesmo não se valendo de grandes surpresas, e reciclando bastante do que já fora feito, A Hora do Rush 2 é ainda mais divertido do que o primeiro filme da franquia, ainda que levemente, mas apenas porque Carter está em outro país, e porque o personagem de Jackie Chan foi pensado de um modo um pouco mais cômico, quase um tragicômico. Sem nada para oferecer além de cenas engraçadas e uma ação que é performática na sua raiz, Rush Hour 2 continua divertindo graças a esta mina de ouro que foi achar uma dupla tão dinâmica, dupla esta que, sem ela, certamente o sucesso seria fracasso. 

A Hora do Rush 2 (Rush Hour 2, China, Estados Unidos, 2001)
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Jeff Nathanson (baseado nos personagens criados por Ross LaManna)
Elenco: Jackie Chan, Chris Tucker, John Lone, Alan King, Roselyn Sánchez, Harris Yulin, Zhang Ziyi
Duração: 92 min.

Você Também pode curtir

5 comentários

Ítalo Gabriel 22 de abril de 2021 - 04:18

Quero só ver tua crítica do 3° filme kkkk aquilo é uma bagunça. Eu gosto mas se o primeiro é um guilty pleasure, o 3° é um Super Ultra Guilty Pleasure

Responder
Fernando JG 23 de abril de 2021 - 00:59

Ahh, se você gosta, então eu vou te decepcionar! 😀

Responder
Wagner 21 de abril de 2021 - 13:28

É o meu favorito da trilogia.
Por mais que eu deteste personagens “escandalosos”, Carter é uma exceção pra mim.

Responder
Fernando JG 21 de abril de 2021 - 18:04

O meu também. O Carter é ótimo!
Abc.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 21 de abril de 2021 - 23:31

Tbm é o meu preferido. Do 3o. Eu praticamente não me lembro

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais