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Crítica | A Hora do Rush 3

por Fernando JG
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O terceiro filme da franquia A Hora do Rush vem com algumas mudanças notáveis em relação ao tipo de humor que vinha sendo desenvolvido até então. Visivelmente influenciado por filmes como American Pie e até mesmo Todo Mundo em Pânico, o longa de Brett Ratner aprofunda um pouco mais a depravação do personagem de Chris Tucker, que já era mulherengo nas produções anteriores, mas pareceu-me destoar um pouco da proposta fílmica que estamos acostumados em A Hora do Rush, que nunca teve intenções sexuais assim, mais explícitas, em sua trama. Com alguns outros rearranjos de ordem dramática, a película busca saídas para não fazer mais do mesmo, e cai num problemão que é a quebra da unidade da franquia, produzindo um filme que fica bem diferente dos outros. 

Agora em Paris, a dupla continua a sua odisseia aventuresca mundo afora. Lee (Jackie Chan) encontra-se trabalhando como segurança particular de um embaixador chinês, que sofre um atentado no meio de uma conferência mundial, em que o assunto era a necessidade de combater a Tríade, um poderoso grupo que articula crimes ao redor do mundo, e que já tinha aparecido no filme anterior. O embaixador acaba se salvando do atentado, mas o grupo de criminosos tenta invadir o hospital para liquidá-lo de vez. Lee e Carter (Chris Tucker), desta vez, buscam eliminar a gangue a todo custo e partem em mais uma aventura cheia de peripécias. 

Para esse enredo, a produção resolveu fazer uma mudança estrutural em alguns aspectos do filme. O primeiro mais notável, e que já sinalizei acima, é a dose de humor com resquícios de uma maior depravação. A cena inicial em que as meninas são enquadradas pela polícia numa blitz, com um enfoque gigantesco em suas nádegas, evidencia isso. Esse humor não era característico da franquia, que sempre optou por trabalhar com algo mais orgânico, sem precisar apelar dessa maneira. Mas não para por aí. Quando Carter abraça a jovem Soo-Young tem uma pitada generosa de maldade naquele abraço – o que é uma novidade pelo modo como a direção escolheu tratar do humor nos dois primeiros longas, e aqui lança mão de algo novo, que não é bem a cara do filme. 

A escolha de mexer nas estruturas de gênero da película também é perceptível em outros aspectos, como na introdução do caráter dramático, de um drama bem pegado em algumas cenas, se diferenciando das produções anteriores. Quando digo dramático, digo de cenas carregadas de um clima de choro, de ruptura da amizade entre Lee e Carter, de uma ambientação característica que busca comover o espectador. Não digo nem que funciona e nem que não funciona, só que é diferente, pois é um longa originalmente de comédia de ação. Acho até que esse drama foi escolhido para ser trabalhado deste modo tendo em vista que a franquia dava adeus, e aí quis trazer esse toque “emocional”, mas que não contribui em nada no desenvolvimento. Como é um filme de finalização de um projeto – mesmo com rumores de um quarto filme, o que acho difícil pois está sendo pleiteado há mais de 5 anos e o que temos é apenas falação – existe ali uma tentativa de mudar e introduzir novos aspectos, novas tramas, a fim de não fazer uma repetição pura e simplesmente do enredo. Bom, no final, é, ainda assim, uma repetição. Como disse, é diferente.

Ainda que algumas cenas tragam um humor razoável, como o trabalho de tradução da freira francófona, que vai falando vários palavrões, e das cenas em que o personagem de Jackie Chan e o grupo de chineses travam lutas entre si, com os golpes mais clássicos da performática arte marcial, o longa se encerra, sobretudo, de modo bem previsível. Com uma participação rápida de Roman Polanski, que é um grande fã de Jackie Chan e de A Hora do Rush, junto da estrela do cinema europeu Max von Sydow, Rush Hour 3 parece não brilhar tanto, e mais que merecidamente ocupa o terceiro lugar em um pódio de três lugares. 

A Hora do Rush 3 (Rush Hour 3, China, Estados Unidos, França, 2007)
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Jeff Nathanson (baseado nos personagens criados por Ross LaManna)
Elenco: Jackie Chan, Chris Tucker, Noémie Lenoir, Hiroyuki Sanada, Max von Sydow, Yvan Attal, Zhang Jingchu, Roman Polanski
Duração: 91 min.

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