Crítica | A Lenda de Aquaman: Maré de Batalha

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Quando falamos em recolocação de personagens do Universo DC, após a Crise nas Infinitas Terras, nós encontramos de tudo, desde os que foram reajustados imediatamente, com suas origens recontadas em excelentes linhas de publicação, até heróis que já tinham um mal histórico e mantiveram a pouca sorte em sua reintrodução nessa Nova Terra. O Aquaman, claro, está nessa segunda categoria.

O volume conhecido como A Lenda de Aquaman: Maré de Batalha é, na verdade, a publicação da DC de duas histórias de 1989 escritas por Keith Giffen e Robert Loren Fleming, a saber, o Especial intitulado The Legend of Aquaman (one-shot com data de capa de maio de 89) e Tide of Battle, minissérie em 5 edições (com datas de capa de junho a outubro de 89) que é uma continuação do Especial de maio. Como estamos falando dos mesmos roteiristas, temos aqui um plano em duas partes da DC para reviver o Peixoso a partir de uma [quase] completa revolução no que se conhecia de sua origem na Era de Prata, contada em Adventure Comics #260. O problema é que só uma parte dessa saga realmente funciona. Ou melhor, se o leitor comprar a ideia ~revolucionária~ de Giffen e Fleming. E só para efeito de classificação, o índice da editora classifica a minissérie no montante de publicações correntes do herói como Aquaman Vol.3, sendo antecedida pela ongoing de 1962 a 1978 (Aquaman Vol.1) e pela minissérie de 4 edições escrita por Neal Pozner em 1986 (Aquaman Vol.2).

Como era de se esperar, tantas mudanças assim não foram bem recebidas, o que é perfeitamente compreensível. Se a revisão mais pé no chão de Mais Espesso Que a Água, lançada três anos antes, não funcionou, era claro que esse grande risco também não iria funcionar. E o problema maior está na one-shot que revisa a origem do personagem. Existem coisas que simplesmente não convencem, porque desfazem a essência de um personagem conhecido e que, mesmo não sendo exatamente adorado pela maioria dos leitores, carrega a sua importância e caraterísticas que entendemos que precisam ser respeitadas. Nesta one-shot, tanto a reformulação para o nascimento quanto a ascensão do personagem como herói são absurdamente exageradas e com escolhas que nos perguntamos, página a página: “por quê?“. O que salva nessa aventura (elemento que também se repete na minissérie) é a ótima arte de Curt Swan, com sua visão grandiosa para Atlantis, especialmente na exibição do interior do palácio, nos diversos ângulos que nos mostra os mais recônditos cantos daquele lugar.

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Na minissérie, as coisas melhoram bastante no roteiro. Aliás, o clima de batalha — novamente muito bem ilustrado por Swan, agora em parceria com Giffen + finalização de Al Vey — nos garante uma leitura ágil, com bom suspense e interessantes ideias para o que poderia ser uma invasão ao reino. Claro que ainda temos a dose de coisas estranhas, mas é possível se divertir bem mais aqui. Depois de ter se afastado por vários meses, em decorrência da morte do Aquababy — citada de passagem no epílogo da one-shot –, Aquaman retorna para Atlantis. Perto da cidade de Poseidonis ele encontra vários soldados mortos em um posto avançado e também descobre restos de uma espécie de água-viva que ele nunca encontrou antes. Ao se aproximar da grande cúpula, ele descobre que alguma força invasora misteriosa tomou o controle da cidade e tem usado os atlantes como mão-de-obra escrava. Claro que a reafirmação do Aquaman como herói se dará na frente de batalha, com ele organizando forças para vencer as tais água-vivas gigantes.

Quando a gente chega na conclusão da batalha, percebemos o quanto o roteiro nos acostumou com absurdos e nos perguntamos “por que isso não foi usado antes?“. A emoção da luta, as estratégias, as mortes, tudo o que veio antes ainda é visto de forma positiva pelo leitor, mas perguntas a respeito da conclusão do caso não deixam de vir. O roteiro consegue entregar um bom trabalho quando se fala do elemento “guerra”, mas toma caminhos absolutamente questionáveis quando se fala em “reintroduzir o Aquaman na cronologia da DC pós-Crise“, vide o tratamento que é dado a Mera e a resolução final para o protagonista. Aos que têm curiosidade, pode ser uma leitura interessante, principalmente a minissérie… mas é importante deixar claro que ela não carrega nenhum valor canônico, pois a pretendida recriação do Universo do Peixoso nestas revistas foi sumariamente ignorada nas séries seguintes.

The Legend of Aquaman (EUA, maio de 1989) — One-shot
Aquaman Vol.3 #1 a 5: Tide of Battle (EUA, junho a outubro de 1989) — Minissérie

Roteiro: Keith Giffen, Robert Loren Fleming
Arte: Curt Swan (one-shot), Keith Giffen, Curt Swan (minissérie)
Arte-final: Eric Shanower (one-shot), Al Vey (minissérie)
Cores: Tom McCraw
Letras: Augustin Mas (one-shot), John Costanza (minissérie)
Capas: Curt Swan, Eric Shanower (one-shot),David DeVries, Curt Swan, Al Vey (minissérie)
Editoria: Mark Waid (one-shot) Barbara Kesel (minissérie)
50 páginas (one-shot) e 120 páginas (minissérie)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.