Home TVTelefilmes Crítica | A Morte do Incrível Hulk

Crítica | A Morte do Incrível Hulk

por Ritter Fan
618 views (a partir de agosto de 2020)

A famosa e surpreendentemente longeva série O Incrível Hulk, que foi ao ar entre 1978 e 1982, com 80 episódios, começou com dois telefilmes lançados em 1977 – O Incrível Hulk e O Regresso do Incrível Hulk – e, depois de seis anos fora do ar, teve seus direitos comprados pela NBC que, então, partiu para produzir mais três telefilmes que tiveram como objetivo não só reacender o interesse do público sobre o Gigante Esmeralda, como também preparar duas outras séries. Com isso, vieram os improváveis crossovers com o Thor em A Volta do Incrível Hulk, de 1988, e com o Demolidor em O Julgamento do Incrível Hulk, em 1989.

Em 1990, foi a vez de um filme de encerramento que, porém, nunca foi planejado verdadeiramente como tal, já que, além de A Morte do Incrível Hulk ter sido inicialmente concebido como a introdução da Mulher-Hulk, o projeto era reviver o Hulk – desta vez retendo a inteligência de David Banner – em um filme que seria intitulado A Vingança do Incrível Hulk. Infelizmente, porém, Bill Bixby, icônico ator que viveu o sofrido protagonista em sua forma humana, seria diagnosticado com câncer na próstata já em 1991, vindo a falecer dois anos depois, enterrando com ele todos os projetos de retorno do personagem.

Repetindo a parceria do filme anterior, Bill Bixby voltou à direção, com Gerald Di Pego no roteiro, mas a introdução da Mulher-Hulk foi limada da história, com a personagem feminina de destaque passando a ser a espiã russa Jasmin (Elizabeth Gracen), em um papel obviamente inspirado na Viúva Negra dos quadrinhos. Trabalhando para uma genérica “causa”, mas chantageada por seu chefe, que mantém sua irmã prisioneira, ela acaba esbarrando na mais recente tentativa de Banner de livrar-se de sua maldição, desta vez com a ajuda do Dr. Ronald Pratt (Philip Sterling), o que leva à fugas e perseguições e, claro, um relacionamento amoroso entre David e Jasmin.

O filme é mais complexo do que talvez precisasse ser e o roteiro investe tempo desproporcional na construção da conexão de Banner com Pratt, somente para correr muito na segunda metade. O desequilíbrio narrativo faz com que a interessante primeira metade seja substituída por ação genérica e desapontadora que não só reúne Banner e Jasmin de maneira apressada e artificial, como leva a um clímax muito inferior à que a morte do Incrível Hulk – mesmo esse que apenas é Lou Ferrigno pintado de verdade – deveria ter.

É como se, durante as filmagens, Bixby tivesse começado a imaginar um filme de uma maneira, mais low profile e mais parecido com a pegada melancólica que sempre marcou os episódios de TV, para mudar de ideia a partir de certo ponto, talvez lembrando que ele tinha o tempo de um longa metragem em mãos, mas sem querer largar as características do que já tinha filmado. Com isso, a produção perde em coesão e oscila entre o que tipicamente poderíamos esperar da série encerrada mais de meia década antes e romance corrido com ação sem rumo, não conseguindo triunfar em nenhuma dessas facetas e, ainda por cima, apresentando o tão esperado momento da morte do monstro verde de uma forma amadora e esteticamente feia. A série nunca teve um orçamento tão grande e os telefilmes com o Thor e com o Demolidor já não haviam sido tão bons muito em razão dessa economia, mas, aqui, fica um gosto acridoce que um pouquinho mais de capricho poderia ter resolvido.

No entanto, se considerarmos que a série acabou completamente em aberto depois de um cancelamento a destempo, A Morte do Incrível Hulk veio, mesmo tanto tempo depois, para trazer um encerramento ao sofrimento de David Banner em sua eterna busca de uma cura e uma satisfação aos fãs. Só é uma pena que a NBC não tenha aberto sua carteira para permitir algo mais bem acabado, que realmente dignificasse o Gigante Esmeralda das telinhas.

A Morte do Incrível Hulk (The Death of the Incredible Hulk, EUA – 1990)
Direção: Bill Bixby
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: Bill Bixby, Lou Ferrigno, Elizabeth Gracen, Philip Sterling, Barbara Tarbuck, Anna Katarina, John Novak, Andreas Katsulas, Chilton Crane, Carla Ferrigno, Duncan Fraser, Dwight McFee
Duração: 95 min.

Você Também pode curtir

10 comentários

Rafael Lima 1 de junho de 2020 - 15:37

Nunca tinha feito a relação da Viuva Negra com a personagem mesmo, mas faz sentido. Hehehe. Teria sido legal se tivessem mantido pra fazer uma trilogia de crossovers pobres da Marvel.

Gostava do filme quando era criança, quando era figurinha marcada no “Cinema em Casa” da vida, por isso ele tá marcado na minha filmoteca mental como “Nunca mais ver de novo”. Hehehe

Responder
planocritico 1 de junho de 2020 - 18:16

Exato: deixe arquivado aí na prateleira mental do “nunca ver de novo”. É o melhor que você faz!

Abs,
Ritter.

Responder
Lavínia F. Santana 31 de maio de 2020 - 16:12

Q coisa mais horrível e mais desconcertante. Da até p ver a tinta saindo do corpo.

Responder
planocritico 31 de maio de 2020 - 17:03

HAHAHAHAHAHHHAHAHAAHAH

Que maldade falar isso desse Hulk clássico!!!

Abs,
Ritter.

Responder
Lavínia F. Santana 1 de junho de 2020 - 19:08

O pior é q o povo da época devia gostar.

Responder
planocritico 1 de junho de 2020 - 21:37

Povo da época = Ritter Fan.

E sim, eu gostava MUITO, tem problema?

HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter, o Povo da Época.

Responder
Lavínia F. Santana 3 de junho de 2020 - 17:48

😲 eu jurava q as piadinhas do Luiz c sua idade eram exageradas. 🤣 me perdoe “povo da época”.

planocritico 3 de junho de 2020 - 19:20

E olha que esse filme é de 1990! Eu sou “povo da época” da série mesmo do Hulk, que é bem anterior…

Sinto-me um ancião escrevendo isso…

Abs,
Ritter.

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 1 de junho de 2020 - 06:56

HUUAHAUHAUAHUAHAUHAUHUAHAUAHUAHUAHUHAUAHUAH

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais