Crítica | A Morte do Incrível Hulk

A famosa e surpreendentemente longeva série O Incrível Hulk, que foi ao ar entre 1978 e 1982, com 80 episódios, começou com dois telefilmes lançados em 1977 – O Incrível Hulk e O Regresso do Incrível Hulk – e, depois de seis anos fora do ar, teve seus direitos comprados pela NBC que, então, partiu para produzir mais três telefilmes que tiveram como objetivo não só reacender o interesse do público sobre o Gigante Esmeralda, como também preparar duas outras séries. Com isso, vieram os improváveis crossovers com o Thor em A Volta do Incrível Hulk, de 1988, e com o Demolidor em O Julgamento do Incrível Hulk, em 1989.

Em 1990, foi a vez de um filme de encerramento que, porém, nunca foi planejado verdadeiramente como tal, já que, além de A Morte do Incrível Hulk ter sido inicialmente concebido como a introdução da Mulher-Hulk, o projeto era reviver o Hulk – desta vez retendo a inteligência de David Banner – em um filme que seria intitulado A Vingança do Incrível Hulk. Infelizmente, porém, Bill Bixby, icônico ator que viveu o sofrido protagonista em sua forma humana, seria diagnosticado com câncer na próstata já em 1991, vindo a falecer dois anos depois, enterrando com ele todos os projetos de retorno do personagem.

Repetindo a parceria do filme anterior, Bill Bixby voltou à direção, com Gerald Di Pego no roteiro, mas a introdução da Mulher-Hulk foi limada da história, com a personagem feminina de destaque passando a ser a espiã russa Jasmin (Elizabeth Gracen), em um papel obviamente inspirado na Viúva Negra dos quadrinhos. Trabalhando para uma genérica “causa”, mas chantageada por seu chefe, que mantém sua irmã prisioneira, ela acaba esbarrando na mais recente tentativa de Banner de livrar-se de sua maldição, desta vez com a ajuda do Dr. Ronald Pratt (Philip Sterling), o que leva à fugas e perseguições e, claro, um relacionamento amoroso entre David e Jasmin.

O filme é mais complexo do que talvez precisasse ser e o roteiro investe tempo desproporcional na construção da conexão de Banner com Pratt, somente para correr muito na segunda metade. O desequilíbrio narrativo faz com que a interessante primeira metade seja substituída por ação genérica e desapontadora que não só reúne Banner e Jasmin de maneira apressada e artificial, como leva a um clímax muito inferior à que a morte do Incrível Hulk – mesmo esse que apenas é Lou Ferrigno pintado de verdade – deveria ter.

É como se, durante as filmagens, Bixby tivesse começado a imaginar um filme de uma maneira, mais low profile e mais parecido com a pegada melancólica que sempre marcou os episódios de TV, para mudar de ideia a partir de certo ponto, talvez lembrando que ele tinha o tempo de um longa metragem em mãos, mas sem querer largar as características do que já tinha filmado. Com isso, a produção perde em coesão e oscila entre o que tipicamente poderíamos esperar da série encerrada mais de meia década antes e romance corrido com ação sem rumo, não conseguindo triunfar em nenhuma dessas facetas e, ainda por cima, apresentando o tão esperado momento da morte do monstro verde de uma forma amadora e esteticamente feia. A série nunca teve um orçamento tão grande e os telefilmes com o Thor e com o Demolidor já não haviam sido tão bons muito em razão dessa economia, mas, aqui, fica um gosto acridoce que um pouquinho mais de capricho poderia ter resolvido.

No entanto, se considerarmos que a série acabou completamente em aberto depois de um cancelamento a destempo, A Morte do Incrível Hulk veio, mesmo tanto tempo depois, para trazer um encerramento ao sofrimento de David Banner em sua eterna busca de uma cura e uma satisfação aos fãs. Só é uma pena que a NBC não tenha aberto sua carteira para permitir algo mais bem acabado, que realmente dignificasse o Gigante Esmeralda das telinhas.

A Morte do Incrível Hulk (The Death of the Incredible Hulk, EUA – 1990)
Direção: Bill Bixby
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: Bill Bixby, Lou Ferrigno, Elizabeth Gracen, Philip Sterling, Barbara Tarbuck, Anna Katarina, John Novak, Andreas Katsulas, Chilton Crane, Carla Ferrigno, Duncan Fraser, Dwight McFee
Duração: 95 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.