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Crítica | A Morte Te Dá Parabéns 2

por Gabriel Carvalho
308 views (a partir de agosto de 2020)

“Eu achei que tinha acabado com o loop, mas eu voltei.”

Em meio a muitos absurdismos narrativos, a morte está no ar mais uma vez, retornando e retornando para Tree (Jessica Rothe), protagonista do surpreendente longa-metragem A Morte Te Dá Parabéns. O seu aniversário, na premissa original, sempre concluía-se em sua morte, assassinada por um ser com máscara de bebê. E agora, aparentemente, o enredo retoma esse mesmo princípio, nem que seja para um personagem muito coadjuvante do antecessor passar a ser quem revive incessantemente. Como isso acontece, no entanto, se as coisas pareciam estar nos conformes ao término do primeiro? Tornando a jocosidade inerente mais tangível, Christopher Landon opta por camadas de ficção científica para apimentar o conjunto, mesmo que, na verdade, não se interesse tanto por brincar consigo mesmo quanto o original, então superior, se interessava.

Com traços cômicos notáveis, Landon imprimia um cerne ao primeiro exemplar dessa franquia que espirituosamente explorava certos clichês referentes ao gênero do horror e à premissa de repetição do mesmo dia, tornada tão popular em Feitiço do Tempo. Curiosamente, comparar uma obra a outra vai além das similaridades de ambas as gêneses, por mostrar coesão entre gêneros em um caso, mas não em outro. O clássico, uma comédia romântica, conseguia mesclar a sua carga menos cômica, o relacionamento que dura semanas para uma pessoa e apenas horas para uma outra, com a sua vertente despirocada. Já essa continuação possui muitos tons que não consegue movimentar em uníssono. Confusas são as prioridades, pois alguns dos melhores momentos da obra, os mais criativos, são interrompidos para que pensemos emoções ordinárias.

Em vista de uma execução que não justifica o descomprometimento com o descomprometimento, o cineasta perde a oportunidade que seria continuar explorando esse seu cinema, parte intrínseca da geração contemporânea, pautada nas experiências momentâneas da morte e da vida. O potencial metalinguístico do longa-metragem, como uma espécie de Pânico para novos tempos, até mesmo com referências ao icônico horror de Wes Craven, é esvaziado. A Morte Te Dá Parabéns 2, no caso, prefere pensar arcos para os seus personagens de uma maneira desconexa com o centro da narrativa. O drama não esta à serviço de impulsionar a contextualização sci-fi proposta, pois, ao contrário, procura minimizá-la. Ao mesmo tempo, sugere-se um roteiro, também assinado por Landon, completamente bagunçado, ignorando até as suas próprias regras criadas.

Ora, nada mais irreverente, em outra instância, que a ficção-científica, e seus exageros linguísticos que ninguém nunca entende, apenas sorri e acena, para entrar como um gênero adjacente a essa sequência, expondo ainda mais a brincadeira com o enfoque. Contudo, o retorno a esses personagens e a essa ideia, agora não mais “original”, é acompanhado de uma seriedade exótica, menosprezando os gêneros como sendo mais pertinentes ao interesse do espectador. “Eu achava que isso tinha uma razão cósmica”, comenta Tree no início do longa. Mas essa crise existencialista, que poderia vir a ser significativa ao todo, só é jogada gratuitamente no core da premissa. Ironicamente, realmente parece existir uma razão cósmica para os acontecimentos: chama-se roteiro, pontuando suas intenções aos personagens de uma forma tão pouco orgânica.

Sendo assim, A Morte Te Dá Parabéns 2 mostra estar muito mais preocupado com questões banais, como piegas envolvimentos emocionais sem fundo de verdade – porque o texto é péssimo e a direção expõe a artificialidade de certas interações -, do que com o prosseguimento de seu enredo, complexo naturalmente por conta da estrutura sci-fi. Por exemplo, o relacionamento amoroso entre Tree e Carter (Israel Broussard) é um dos casos que mais sofrem com essa hierarquização problemática de tom. O caráter dramático, para Landon, é o que deve mover o seu filme, e não as ideais mais originais que possui. O charme do casal, portanto, some por tornar-se um impedimento para as brincadeiras da obra consigo mesma continuarem a se revolucionar. Já o oposto acontece nos primeiros trinta minutos do projeto, muito subversivos em como se concluem.

Essa é uma revisita a uma fórmula gostosa, mudando-se apenas algumas variáveis. Pena que, ao invés de Landon possuir mais consciência disso, o conjunto acabe esgotando seus contornos espirituosos rapidamente. Enquanto o começo do longa-metragem, supostamente repetitivo ao original, transforma-se em uma outra premissa completamente nova, o meio permanece o mesmo por tempo demais, escanteando a visão de renovação que parecia ser parte inerente de uma ficção-científica com um viés cômico como essa. Já o humor em si, em termos de aumento de escopo, também é expandido consideravelmente, tornando-se uma parte ainda mais essencial ao tom suposto por Christopher a sua franquia. Mas o retorno narrativo, a real missão do cineasta, é sempre a um sentimentalismo mequetrefe que castra as possibilidades mais imaginativas do longa.

A Morte Te Dá Parabéns 2 (Happy Death Day 2U) – EUA, 2019
Direção: Christopher London
Roteiro: Christopher London
Elenco: Jessica Rothe, Israel Broussard, Phi Vu, Suraj Sharma, Sarah Yarkin, Rachel Matthews, Ruby Modine, Steve Zissis, Charles Aitken, Laura Clifton, Missy Yager, Jason Bayle
Duração: 100 min.

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25 comentários

JC 27 de dezembro de 2019 - 11:01

É, esse é meu Guilty Pleasure de 2019 ahahahahahahahaa
Adorei essa porcaria, tão legal quanto o primeiro, deu pra rir dos absurdos, e seria tão mais legal se achassem alguma forma de não meter um assassino, e sim continuar com ela se matando. hahahaha Tava bem legal essa ideia.

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Alexandre Tessilla 25 de fevereiro de 2019 - 09:47

Fiquei sabendo há pouco tempo que ia ter continuação, e pela pressa de repetir o lucro do primeiro, imaginei que seria algo inferior. O terror já era bem fraco se comparado a outros filmes do gênero Slasher, mas aqui eles trocarão por uma dramalhão com ficção-científica meia boca e comédia pastelão. Confesso que me diverti um pouco, na vibe tipo sessão da tarde. Poderia ter virado uma franquia interessante, mas banalizaram a máscara de bebê já no segundo filme. Talvez a máscara faça sucesso no carnaval.

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Bruno [FM] 22 de fevereiro de 2019 - 09:54

Sabe aqueles quebra-cabeças de 1.000 peças? Então, minha sensação foi de alguém chegar na minha frente, despejar no meu colo todas as peças, falar pra eu montar tudo sozinho e ainda não me avisar que na verdade estavam faltando algumas peças essenciais.

Filmes envolvendo ciência + viagens no tempo, precisam de muita coerência e um roteiro extremamente excelente pra que dê certo. E infelizmente, não é o que acontece com essa sequência. No primeiro engolimos o roteiro pela questão do feitiço. Agora, querer envolver CIÊNCIA foi a pior cagada que fizeram com um enredo desse. Sabemos que no filme “De Volta para o Futuro” por exemplo, o contexto era totalmente outro.

Nem é necessário falar sobre ciência quando na verdade, o fato é que a qualidade do primeiro NÃO se encontra mais na sequência. Tudo o que funcionou no primeiro, nesse fica mal executado. Problemas de continuidade. O “humor” já não é mais tão engraçado. O assassino “BabyFace” quase não aparece e quando aparece é totalmente sem presença alguma. A questão do “loop” fica massante. As mortes passam a ter ar de futilidade. E ATÉ MESMO a atuação de Jessica Rothe (grande destaque do primeiro por sua performance extremamente cômica) fica em cheque nessa sequência. Acredito que não por culpa dela, mas por uma direção ruim mesmo. Que não sabe conduzir uma cena sem deixá-la exagerada ou chata de se ver.

Infelizmente, A Morte te dá Parabéns 2 não tem meus parabéns! E até mesmo a originalidade do título (original) “Happy Death Day 2U” não me faz querer comer um pedaço desse bolo. Não gostei nada do recheio dessa vez.

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Sérgio Henrique Sper 22 de fevereiro de 2019 - 07:09

Caramba, já eu gostei demais.
Acho que curti mais até do que o primeiro.
Talvez por sair de cima do muro entre ser um slasher movie sério ou um terrir e abraçar de vez a comédia.
Aliás, fazia tempo que eu não ria tanto!!
Gostei muito do filme mesmo, principalmente por ir por um lado mais ficção científica nesta continuação.
Pela menção em De Volta para o Futuro 2 que achei sensacional.
E o que são aquelas cenas de suicídio ao som da minha “Hard Times” do Paramore??? 🤩
Achei simplesmente genial…kkkkkkkk
Enfim, dou 4 estrelas fácil.
Até me surpreendi com o filme pq achei que seria bem abaixo do primeiro, mas olha, vale a pena uma conferida no cinema.
Ah, e não mencionaram no texto mas têm cena pós créditos, viu? 😉

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Bruno [FM] 22 de fevereiro de 2019 - 13:52

“e abraçar de vez a comédia…” – Nossa cara, mas eu abracei foi o desgosto. Achei o humor do primeiro filme muito melhor e bem implantado. O humor desse (se é que existe) é muito sem graça e exacerbado.

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Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 15:26

Nossa cara, mas eu abracei foi o desgosto
AHHAAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAAHA

EU TÔ URRANDO!!!!!

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Sérgio Henrique Sper 22 de fevereiro de 2019 - 16:07

Cada um, cada um ué?! 🤷🏻‍♂️😏

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JC 27 de dezembro de 2019 - 11:01

Também gostei dessa porcaria engraçada ahhaahahah 😀

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Gabriel Ferreira 21 de fevereiro de 2019 - 21:46

Eu achei do cacete

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Sérgio Henrique Sper 22 de fevereiro de 2019 - 07:28

Tbm achei muito bom!
Por isso eu digo que quando estamos muito a fim de ver algo, vá e leia a crítica depois.
Pq, no final das contas, nossa opinião pode ser totalmente contrária (como neste caso).
E com isso a expectativa pode ficar baixa e, no fim, a pessoa (insegura) pode deixar de querer ir justamente pela crítica e deixar de aproveitar algo que talvez ela viesse a gostar muito.
Eu definitivamente não sou assim, pode ter meia dúzia de críticas falando mal que se eu estiver mesmo realmente a fim de ir, não há Cristo que irá me impedir…rsss.
Mas como há tanta gente influenciável por aí e não confia na sua opinião pessoal e depende do que a outra fala né, aí já viu! 🤷🏻‍♂️

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3921_Y 22 de fevereiro de 2019 - 14:45

Dá bola n, esse critico é que é chato mesmo (só sabe reclamar).

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Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 15:26

Esse tal de Gabriel aí é um CRÍTICO ARROMBADO BOSTA LIXO PREPOTENTE DO CARALHO!!!

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Sérgio Henrique Sper 22 de fevereiro de 2019 - 16:08

Maoeeee, sobe nas tamancas não tio! 😂

Sérgio Henrique Sper 22 de fevereiro de 2019 - 18:13

É vc?
Em carne, osso e chifres??? 😂

Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 18:27

Sou eu! Tá vendo só que os chifres são REAIS?????

SantiGADEMONÍACO mesmo!!! AHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHA

Sérgio Henrique Sper 27 de fevereiro de 2019 - 08:22

Mentira que cê (sic) têm BRINCOOOS!!!!
Ou será uma ilusão de ótica?!? 🤔🤷🏻‍♂️
Pq se “sim”, eu li aqui por estes dias que: homem que usa brinco é “Baitola”!!
Não…PIOR!!
Que usa brinco and tattoo!!!!
Sério cara, foi verídico!
Veja bem, não tenho certeza de que foi aqui pq “debati até” (mesmo “fuçando em outros sites” no mesmo momento…kkkkkkkkkkkk) meio que rasguei o verbo com certos transeuntes…rsss.
Apesar de que pensando bem, acho que foi em outro site (kkkkkkkkkkkk)!
Mas só sei que defendi vc e o site até…kkkkkkkkk

*P.S.- Fiquei sabendo que além de SantiGADO agora virou tbm SantiGAGA?!?
Muito bom, pelo visto vc anda a passos largos para se tornar o MEU critico favorito, hein?!?
Que orgulho do Luizão!!
✌🏻🤩🐃👏🏻

Luiz Santiago 27 de fevereiro de 2019 - 09:15

NESSA foto eu estou sem, mas eu tenho as duas orelhas furadas sim!!! Eu usei MUITO brinco quando era mais novo, hoje é só em algumas ocasiões, para dar um ar mais charmoso, porque brinco é charme só né.

Então quer dizer que tattoo e brinco são coisas de baitola??? Com isso ele quis dizer que é coisa de viado? Porque se for eu vou ter que ir fazer meia tatuagem agora mesmo, pra me adequar a essa estrutura AHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAH

Velho, esse povo é simplesmente uma piada pronta. Imagina só que tipo de gente é essa que realmente acredita que a sexualidade de alguém é definida por acessórios, marcas no corpo, roupas… Isso é tão anos 70 (e olhe lá!) que nem dó eu consigo sentir mais dessa gente. Só nojo mesmo.

E essas brigas aí??? HAHAHAHAHAHAHHAAHH eu às vezes perco a paciência também, então sinta-se abraçado, porque tem coisas que a gente não consegue segurar. E já aqui agradeço pela defesa, minha e do nosso lindo Asilo Arkham aqui! Sei que estamos bem representados nesse UFC!!! ❤

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA mas o senhorito está muitíssimo bem informado!!! Eu estava praticamente com fantasia de SHALLOW durante toda a premiação, preparando pra explodir aquele teatro se não dessem o prêmio pra ela. Lady Gaga é estupenda, né. E aquela apresentação? Que coisa mais linda…

É isso, meu querido! Abração e seguimos juntos!!!
✌🏻🤩🐃 MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

Léon 1 de março de 2019 - 22:12

Mas se a tatuagem e os brincos forem azuis aí pode. Não é coisa de “baitola” (oi?). Sério que ainda usam esse termo?

O mundo é uma contradição só. Tantos avanços tecnocientíficos e a sociedade em geral (não só a brasileira) regredindo em conceitos de ética, moral, empatia, humanidade e sobre como respeitar a diversidade inerente ao ser humano (além visível regressão em outras áreas sociais).

Estou só no aguardo de quando vamos voltar para a “tradição” do homem ir caçar, a mulher ficar na tenda; do homem ir atrás de uma fêmea com um tacape na mão e acertar ela na cabeça para acasalarem. Porque estou vendo a hora disso acontecer mesmo.

P.S: Para as meninas, as tatuagens e os brincos têm de ser rosa.

P.S.2: Na verdade, mulher de respeito e de família não deve sequer pensar em usar tais coisas. Não é tradicional, não é familiar. ¬¬

Luiz Santiago 2 de março de 2019 - 10:57

Do jeito que tá, a volta para as cavernas não demorará muito, meu querido… Tá osso!

Sérgio Henrique Sper 22 de fevereiro de 2019 - 16:07

Kkkkkkkkkkkk
Ritter e Santigado são meus favoritos mas eu gosto do Gabriel tbm.
Mas sinto falta mesmo é do Guilherme Coral, o cara e muito fera.
Além de que as críticas e notas dele batiam quase que 100% com as minhas…hehehe. 🤭

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Luiz Santiago 22 de fevereiro de 2019 - 16:52

A gente tem um time de loucos que fazem isso com os leitores! AHHAHAHAHHAHAHAHAHHAHHAHHAHAHAHAHAHHAH

Carlos Faria 20 de fevereiro de 2019 - 23:56

Nesse caso, melhor assistir Boneca Russa na Netflix. Falando nisso, cadê a crítica?

Responder
O Homem do QI200 20 de fevereiro de 2019 - 23:44

Assim, ainda não vi o filme pra opinar, mas quando soube da continuação, já esperava algo ruim, pois não consigo ver um motivo para uma sequência. Bom, vai ficar guardado na memoria que muitos não esperavam nada do primeiro filme e se surpreenderam com o resultado final.

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Huckleberry Hound 20 de fevereiro de 2019 - 21:20

Alguém aqui no site assistiu a décima primeira temporada de Arquivo X?Eu assisti e particulamente gostei mais dos fillers que a história principal (com exceção do quinto episódio que foi bom) meu episódio favorito da temporada é o oitavo foi uma sinistra volta ao sobrenatural em Arquivo X,alguém vai fazer um resumo da temporada ou dos episódios?A minha nota pra temporada é 3,5 estrelas

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