Crítica | A Música Nunca Parou

estrelas 4

Jim Kohlberg é o mais novo integrante do time “agora sou diretor”. Tendo trabalhado na produção executiva de quatro longas fora do grande circuito comercial, Kohlberg se enamorou de uma história real sobre um rapaz que tem um tumor no cérebro e que é incapaz de reter memórias recentes. Após duas décadas longe da família, o jovem aparece em um hospital da cidade e começa a longa caminhada dos pais para se conectarem com o filho, tendo, a partir de dado momento, a ajuda de uma musicoterapeuta. A Música Nunca Parou (2011), que chega tardiamente ao Brasil, é uma estreia louvável na direção.

Baseado na obra de Oliver Sacks, o roteiro é um misto de emoção e pouca inspiração da dupla Gwyn Lurie e Gary Marks. Em verdade, o que torna o filme uma pequena pérola emotiva é a gloriosa trilha sonora, que mesmo na música original é perfeita. Em torno de canções e do espírito emblemático das décadas de 1960 / 1970, vemos em flashback a história de Gabriel Sawyer, que só consegue uma conexão plena com o mundo a partir do momento em que ouve músicas importantes para ele em algum momento de sua vida situado nesses vinte anos, embora muitas canções da sua infância, nos anos 1950, também o façam reagir de alguma forma. É justamente nesse ponto que se encontra a grandeza do filme, da delicadeza com que o diretor trabalhou esses momentos de puro lirismo e amor e do modo como os atores e a concepção geral da obra se organizam em torno desse caráter sonoro.

O forte apelo emotivo começa efetivamente a partir de All you need is love, dos Beatles. A partir de então, as reações do paciente para músicas de Bob Dylan, Greateful Dead, Rolling Stones, Buffalo Springfield e Crosby, Stiles & Nash… passam a ter uma equivalente no espectador, e tanto a relação filme-e-público quanto a simpatia para com o filme só aumentam. O final desacelerado e pouco inspirador – se comparado a outros momentos da projeção – é um dos poucos grandes erros da obra, que se fixa como um produto muito bom, apesar de tudo.

A Música Nunca Parou é um drama familiar repleto de referências culturais e históricas no seio de uma família estadunidense. As atuações de J.K Simmons, Cara Seymor e Lou Taylor Pucci, especialmente este último, no papel de Gabriel, são muito boas, e o trio consegue estabelecer muito bem a famosa química em cena. No conflito de gerações e na doença, a tríade protagonista é guiado pelo poder inquestionável da música e, se o resultado final não alcança o patamar de um sinfonia, é pela falta de uns poucos compassos e alguns instrumentos a mais.

A Música Nunca Parou (The Music Never Stopped) – EUA, 2011
Direção: Jim Kohlberg
Roteiro: Gwyn Lurie e Gary Marks (baseado na obra de Oliver Sacks)
Elenco: J.K Simmons, Cara Seymor, Lou Taylor Pucci, Scott Adsit, James Urbaniak, Max Antisell, Ryan Karels, Peggy Gormley, Tammy Blanchard, Josh Segarra, Xander Johnson
Duração: 105min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.