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Crítica | A Noite Em Que Ela Voltou Para Casa

A trajetória de Jamie Lee Curtis na franquia Halloween.

por Leonardo Campos
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Jamie Lee Curtis foi bastante assertiva ao escolher o lado que iria se manter quando o sucesso de Halloween: A Noite do Terror a colocou dentro de uma redoma, quase transformando-a numa artista conveniada exclusivamente ao arquétipo da final girl dos filmes de terror. Ciente de que precisava experimentar outras modalidades narrativas em sua carreira, a atriz tomou um rumo diferenciado do previsto e esteve em comédias, policiais, dramas e aventuras, voltando entre um momento e outro para o gênero que a consagrou, atualmente, parte de sua agenda que envolve a nova trilogia com o antagonista Michael Myers, a ser finalizada com Halloween Ends. Focada em sua vida pessoal, mas sempre atenta aos papeis para a manutenção nos esquemas da indústria, a intérprete de Laurie Strodie protagonizou, em 2013, o documentário A Noite Em Que Ela Voltou Para Casa, narrativa bastante intimista, realizada durante uma convenção de terror.

É um pouco irritante ver alguém que fez sucesso num determinado esquema ficar esnobando, ou talvez, desqualificando o campo de atuação, após ter conseguido ser parte de outros tipos de empreitada. Somos apresentados ao desinteresse pelos filmes de terror da atriz quando nos primeiros momentos da produção, ela conta com não curte este tipo de narrativa e só está ali para a arrecadação de fundos para o Hospital Infantil de Los Angeles. Levei isso tudo como um pouco de desrespeito da atriz em relação aos canais que a tornaram uma atriz ainda atuante e com visibilidade midiática. Jamie Lee Curtis é uma ótima intérprete, mas convenhamos que seu ponto alto é Laurie Strodie em no filme de 1978, em Halloween H20: Vinte Anos Depois e na recente e já mencionada nova trilogia. É onde está a sua maior base de admiradores, por isso, mesmo que adotando o seu tom de sinceridade, a atriz acaba um pouco conivente com o discurso de desvalorização dramática e estética dos filmes de terror, em especial, o slasher.

Sigamos. Apesar desse ponto um tanto incômodo, A Noite Em Que Ela Voltou Para Casa cativa ao nos mostrar um lado humilde, bacana e gentil da atriz que passou horas atendendo aos fãs não apenas do filme de John Carpenter e Debra Hill, mas de outras incursões. São cartazes, máscara de Michael Myers, camisetas, facas e até mesmo a réplica de uma lápide de Judith Myers, objeto de cena em um determinado ponto de Halloween. Sob a direção de John Marsh e sua irmã/produtora Kelly Curtis, a protagonista é apresentada em momentos distraídos enquanto viaja para a convenção, num tom ameno e com algumas doses de humor, narrados pelos depoimentos de Jamie e noutros trechos, captação de imagens com as suas interações diante dos produtores dos eventos, fãs ao longo do caminho, dentre outros.

Para quem não conhece muito do universo na qual a atriz adentrou para o momento retrospectivo, o documentário pode soar desinteressante, afinal, não há cenas dos seus filmes, tampouco análise retrospectiva do cinema enquanto linguagem artística. É uma produção exclusiva sobre Curtis e o legado de Halloween. Produzido numa parceria com a revista Horror Hound, A Noite Em Que Ela Voltou Para Casa nos mostra Jamie Lee Curtis em seu primeiro contato com a base de fãs do clássico slasher, empreitada que de acordo com as suas afirmações bastante categóricas, foi a primeira e última, realizada não exclusivamente para sua postura honrada diante do gênero que a catapultou ao sucesso, mas para a arrecadação realizada na ocasião, momento que ainda contou com venda de ingressos destinados ao tal projeto de caridade. A causa, bastante nobre. Faltou só mais consideração de “classe”.

A Noite Em Que Ela Voltou Para Casa — (The Night She Come Home/Estados Unidos, 2013)
Direção: John Marsh
Roteiro: John Marsh, Kelly Curtis, Jamie Lee Curtis
Elenco: Jamie Lee Curtis, Moustapha Akkad, Rick Rosenthal, Brian Andrews,  Tom Atkins, Nick Castle, Debra Hill, John Ottman
Duração: 50 min

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