Crítica | A Odisseia dos Tontos

a odisseia dos tontos plano critico

Baseado em La Noche de la Usina, de Eduardo Sacheri, o diretor e roteirista Sebastián Borensztein (Um Conto Chinês, Kóblic) mostra neste A Odisseia dos Tontos a jornada de um grupo de amigos que se une para juntar dinheiro e reabrir uma cooperativa agrícola. A intenção é empregar um número maior de pessoas da pequena cidade onde vivem e manter aquecida a economia local. O projeto começa bem, mas acaba se defrontando com certos “problemas de mercado”, engrandecidos pelo pico da crise econômica que a Argentina atravessou em 2001.

O roteiro traz uma abordagem política e crítica para a forma como o Estado e os bancos lidam com toda a parte da população que não tem… ou tem pouco dinheiro, constantemente usando da ignorância desses indivíduos para maximizar lucros ou mesmo se beneficiar de maneira isolada enquanto uma crise afeta a todos. É por esse caminho que o filme avança, mas sem grandes pretensões teóricas. A comédia ajuda o espectador a perceber isso de maneira ainda mais clara, e mesmo com citações ao peronismo, a Mikhail Bakunin ou piadas com “meu camarada”, a trama está mais preocupada em mostrar a vida e as ideias simples de um grupo do interior da Argentina do que partir para uma farta defesa política e crítica ao capitalismo.

O texto destaca o personagem vivido por Ricardo Darín (Fermín Perlassi) — aqui, atuando ao lado do filho, Chino –, em torno do qual a ideia da cooperativa se desenvolve. É a partir de suas relações pessoais, de sua fama passada como jogador de futebol e do projeto e sonho de sua esposa (Verónica Llinás) que tudo se encaminha, tendo este mesmo grupo como o ponto de partida para a luta contra a injustiça, momento do filme em que qualquer maior seriedade no tratamento do tema se dilui facilmente na comédia ou na linha mais “senso comum” de abordagem para a problemática econômica (o que não necessariamente é ruim, afinal, estamos falando de uma ficção) e infelizmente passa a dar espaço a um bom número de conveniências, tornando muitos diálogos e sequências simplesmente pueris para uma obra com uma pretensão um pouquinho mais apurada.

Borensztein dirige uma espécie de feel good movie (com direito a uma boa trilha sonora marcando a passagem entre blocos dramáticos), acompanhando a jornada de pessoas tentando recuperar o dinheiro que lhes foi roubado e mostrando o valor dos laços familiares ou fraternos. Nessa caminhada, alguns aprendem boas lições, enquanto outros… não conseguem se tornar uma pessoa melhor. O tratamento dado para o vilão da obra é declaradamente maniqueísta, mas para o propósito da fita, isso não incomoda narrativamente, já que o espectador entende o exagero e está focado em algo para além do personagem-inimigo. A Odisseia dos Tontos mostra a importância das sólidas relações, do engajamento necessário em causas que a todos beneficiam e de como os bons laços podem ser algo mais que uma forma de vencer os maus momentos da vida. Tem seus problemas e clichês, é verdade, mas é bastante acalentador.

A Odisseia dos Tontos (La odisea de los giles) — Argentina, Espanha, 2019
Direção: Sebastián Borensztein
Roteiro: Sebastián Borensztein (baseado na obra de Eduardo Sacheri)
Elenco: Ricardo Darín, Luis Brandoni, Chino Darín, Verónica Llinás, Daniel Aráoz, Carlos Belloso, Marco Antonio Caponi, Rita Cortese, Andrés Parra
Duração: 116 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.