Crítica | A Origem da Batwoman (Terra-1 e Terra-2)

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Seu nome é Katherine “Kathy” Kane. Batizada em homenagem a um dos criadores do Batman, Bob Kane, a primeira Batwoman apareceu na revista Detective Comics #233, em julho de 1956, com um desenho que foi inspirado na personagem Bat Lady, do filme Artistas e Modelos, que estreou em 1955. Ao longo de sua jornada, Kathy Kane até foi Catwoman por um tempo. Ela também era tia da primeira Batgirl, Betty Kane (futura Labareda). No presente compilado, trago as críticas para a origem dessa icônica personagem nas duas principais Terras da DC Comics antes da Crise nas Infinitas Terras, as Terras 1 e 2.
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A Batwoman

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A primeira página em que a Batwoman aparece e a página onde ela conta sua origem.

Ah, o sexismo chique dos anos 1950, todo cavalheiresco e recheado de “boas & belas” intenções! Com Edmond Hamilton nos roteiros, Sheldon Moldoff nos desenhos e Stan Kaye na finalização, a Batwoman (da Terra-1) apareceu pela primeira vez aqui, na edição #233 da revista Detective Comics, onde o leitor é mergulhado em um roteiro que não sabe se diminuiu ou exalta a persona da nova heroína, o que nos faz rir de nervoso em uma porção de quadros ao longo da edição.

A história, a princípio, é boa. Kathy Kane é um mistério para Batman e Robin e confunde os dois vigilantes quando aparece em locais onde crimes estão sendo cometidos, muitas vezes salvando o Morcegão. Nesse momento, o tratamento preconceituoso que os bandidos fazem diante da Morcegona é compreensível dentro da perspectiva da gangue. Aos poucos, porém, as falas do Batman começam a entrar para o mesmo buraco e, de maneira bem bizarra, são alternadas com frases do tipo “mas ela me salvou” ou “ela é boa“. O contraste fica ainda maior quando o vemos dizer coisas do tipo “precisamos descobrir a identidade dela e tirá-la do jogo nem que isso custe a descoberta da minha própria identidade” ou “ela é apenas uma garota, ela não pode fazer isso“. Se era pra fazer o leitor ficar confuso também, o autor conseguiu.

À parte esse tratamento de gênero, o enredo consegue fazer uma boa criação de ameaças para inserir a Batwoman, mostrando suas habilidades, contanto a sua história de origem e adicionando grandes doses de cinismo em relação à personagem, mesmo com os duplos sentidos e contradições, principalmente quando falamos da recepção do Batman diante da nova “parceira” de vigilantismo. Se não fosse o tratamento confuso (porque as críticas que podemos fazer a ele são contextualizadas diante de seu período histórico), a trama talvez conseguisse ficar acima da média. Mas no todo, não é uma má estreia.

The Batwoman: Detective Comics Vol.1 #233 (EUA, julho de 1956)
Roteiro: Edmond Hamilton
Arte: Sheldon Moldoff
Arte-final: Stan Kaye
Letras: Pat Gordon
Capa: Sheldon Moldoff, Ira Schnapp
Editoria: Paul Levitz
24 páginas

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Interlúdio na Terra-2

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Alan Brennert bem que tentou. Nesta aventura, o Batman da Terra-1 é levado ~misteriosamente~ até à Terra-2, onde encontra uma situação bastante complicada. E as coisas não iam exatamente muito plácidas para ele, diga-se de passagem. Na nossa Terra, Kathy Kane, a Batwoman, tinha morrido recentemente. Na Terra-2, Batman e sua esposa Mulher-Gato também tinham morrido recentemente. Todo o aparato familiar, de contatos estranhos entre Robin, Batman e Batwoman dá um nó convidativo na cabeça do leitor, nada que seja difícil. A visita de uma Terra para outra é só uma desculpa para uma luta cheia de questões morais e um jogo de ego e sentimentos. Mas isso acaba ganhando ainda mais camadas, sendo a maioria delas, infelizmente, ruins.

A presença de Bruce Wayne da Terra-1 na Terra-2 e o encontro com (parte da) Sociedade da Justiça possuem o seu caráter épico, assim como a relação conflituosa com o Robin de lá. Mas a história é inteiramente descabida e a entrada da Batwoman dessa Terra paralela só tem uma real serventia no momento em que ela chega, para salvar a dupla de vigilantes. Depois, o texto mergulha em um chorar de pitangas, sentimentalismos adocicados por parte da Batwoman e uma horrível presença de Hugo Strange na saga, que é o vilão por trás de tudo. Ou não?

Eu entendo o apelo do autor na cena final da revista, mas é um apelo completamente desonesto. Quando a intenção é lançar dúvidas sobre algum destino de personagem, o mínimo que o roteiro precisa fornecer são pistas; nuances nas entrelinhas que nos permitam pensar o contrário, quando o “véu” for retirado e uma sombra — ou algo do tipo — aparecer. Mas não é o caso aqui. Pelo menos há algum divertimento pela SJA e algumas verdades ditas ao longo dos diálogos, mas a primeira aparição da Batwoman da Terra-2 conseguiu ser ainda pior que a da Terra-1, realizada 26 anos antes. A personagem definitivamente não teve sorte na Era de Prata…

Interlude on Earth-Two: Brave and the Bold Vol.1 #182 (EUA, janeiro de 1982)
Roteiro: Alan Brennert
Arte: Jim Aparo
Arte-final: Jim Aparo
Cores: Carl Gafford
Letras: Jim Aparo
Capa: Jim Aparo
Editoria: Dick Giordano, Dave Manak
24 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.