Crítica | A Origem Secreta do Superman da Era de Ouro

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A história de origem do Superman (pelo menos os traços gerais e comuns das diversas histórias de origem), certamente está entre as mais conhecidas do grande público. Um bebê do planeta Krypton é colocado por seus pais em um foguete para um tripulante e atravessa o Universo, caindo na Terra. A cápsula é encontrada pelo casal Kent, que adota a criança, criando-a com muito amor e dando-lhe a educação necessária para que se tornasse um homem justo. Nesta versão de Roy Thomas para a origem do Superman da Era de Ouro (contada pela primeira vez, sob outro prima, em Action Comics #1), temos novamente a tragédia da “Casa L” em cena, com a destruição de Krypton e a chegada de Kal-L (notem a ausência da letra “E” no começo) à… Smallville da Terra-2.

Acontece que essa tal “Origem Secreta” não apresenta absolutamente nada de interessante ou novo do Superman. Não há “coisas ocultas” que são reveladas por este ponto de vista; não há “primeiros encontros”, “primeiros inimigos”, “primeiras ações” colocadas sob um prisma instigante para o leitor. Nada do que este roteiro de Roy Thomas nos traz é, de fato, novo, nada que valha a nomenclatura de “origem secreta”. Infelizmente, o editor da história foi o próprio Roy Thomas, o que impediu que um olhar mais crítico e afastado da história apontasse a abordagem medíocre do roteiro e mostrasse que sobravam ali apenas clichês pintados de “nova origem”. As poucas nuances de novidade, como os dias que os Kent deixam o pequeno em um orfanato ou a briga boba na qual Clark já adulto praticamente apanha, ficando mal aos olhos de Lois, não recebem nenhum avanço maior do roteiro para ter impacto diferente no leitor.

A simpatia que temos para com o Superman é a única coisa que faz essa história ficar mais ou menos palatável. A minha impressão é que Roy Thomas procurou emular o estilo de escrita da Era de Ouro e acabou sendo soterrado pelo modelo truncado e, em uma palavra, chato, da maioria das histórias daquele período — sim, existem honrosas exceções, mas isto não era a regra nesta Era; pelo menos não para as HQs mainstream de super-heróis. A passagem rápida pelas “maravilhas do pequeno Kent”, o prólogo maior do que deveria ser, a colocação de Clark no mercado de trabalho… tudo isso pode até trazer alguns lampejos de entretenimento, mas terminal mal. O enredo, em nenhum momento dessa história, chega a decolar, algo que a arte de Wayne Boring (olha esse nome!) e a finalização de Jerry Ordway parecem não ter nenhuma intenção de mudar, com exceção de uma ou outra página inteira, ainda assim, sofrendo com a diagramação pouco favorável da revista.

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Depois de terminada a Crise nas Infinitas Terras, a DC Comics precisava mostrar que os heróis conhecidos do público se encaixavam “perfeitamente” nesse “novo Universo”, bastava saber como olhar. Então criaram a série Origens Secretas Vol.2, onde mostravam a versão (ou uma das versões) pós-Crise desses personagens. Algumas histórias saíram muito melhor que a encomenda, mas definitivamente não foi o caso dessa estreia, com dois medalhões no jogo, um escrevendo o roteiro e outro sendo roteirizado. Este é um dos casos que estranhamente agradecemos por não ser a única versão alternativa de uma origem. Mesmo que dê para aproveitar e se divertir com alguns poucos quadros, A Origem Secreta do Superman da Era de Ouro é um teste de paciência que não vale muito o esforço, a não ser que a curiosidade do leitor seja do tipo mortal.

Secret Origins Vol.2 #1: The Secret Origin of the Golden-Age Superman (EUA, abril de 1986)
Roteiro: Roy Thomas
Arte: Wayne Boring
Arte-final: Jerry Ordway
Cores: Gene D’Angelo
Letras: David Cody Weiss
Capa: Jerry Ordway, Wayne Boring
Editoria: Roy Thomas
30 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.