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Crítica | A Praga Assassina (1989)

por Leonardo Campos
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Os ratos são criaturas naturalmente bizarra, tal como as baratas, característica que contribui bastante para a sua faceta apavorante no cinema, quando as narrativas investem no segmento horror ecológico e deixam de lado qualquer menção bonitinha das animações e demais filmes “família” que apresentam tais bichos como “amiguinhos dos humanos”. Aqui, os monstros em questão assume uma posição assustadoramente maléfica, seres inimigos dos humanos e inicialmente parte de uma infestação em um campus universitário, espaço que se torna o vetor para a disseminação desta criatura em estacionamentos, carros e até mesmo numa piscina olímpica, durante uma apresentação de natação que deixa de lado todo o seu potencial lúdico para se transformar num épico festival grotesco de horror. É apavorante e nojento assim que A Praga Assassina se oferta ao público consumidor deste segmento, produção que fez bastante sucesso na era do VHS e das locações de vídeo, diversão garantida para jovens e demais pessoas interessadas em filmes neste nicho cheio de excessos, mas que possui espectadores cativos.

Damian Lee foi quem assumiu a direção de A Praga Assassina, produção que na verdade deveria se chamar A Fúria das Feras Atômicas 2, título original e continuação indireta do filme de 1976 sobre animais gigantescos alimentados por uma substância que os transformam em criaturas anabolizadas. Lançado em 1989, o filme toma como inspiração a base do argumento desenvolvido por H. G. Wells em Alimento dos Deuses, mas segue um caminho totalmente livre e desimpedido, com mais poetizações que o ponto de partida literário. O roteiro, assinado por Richard Bennett e E. Kim Brewster aborda o estabelecimento de uma crise sem precedentes depois que um pesquisador genético tenta desenvolver um hormônio e antídoto que promove o crescimento desordenado de ratos que servem como cobaias num laboratório, criaturas que além de grandiosas, desenvolvem o apetite voraz por carne humana. Libertadas por um grupo de jovens radicais que vão de encontro ao trabalho de pesquisa com animais, considerado antiético, as feras roedoras deixam um rastro de sangue e horror da partida no campus universitário até outros pontos próximos da região, num festival de morte e desespero digno de um horror ecológico repleto de excessos.

O protesto realizado no laboratório e acaba por disseminar a situação calamitosa é uma ação contra Edmund (Colin Fox), um professor que utiliza animais em sua investigação científica na busca pela cura do câncer. Ao encontrar, por acaso, a cura para calvície, ele quer enriquecer e amplia os horizontes de sua pesquisa, algo que acaba perdendo o controle e culminando no caos absoluto. A sua contrapartida é o arquétipo de bondade representado por Hamilton (Paul Caulos), jovem que se torna sensível aos manifestantes e se interessa por Alex Reed (Lisa Schrage), personagem que entra na história para ser possível par romântico do herói e ampliar as explicações dos diálogos expositivos da narrativa que em seus 90 minutos, é tosca, mas divertida e dinâmica, bastante diferente dos ratos geneticamente modificados da Era Sy Fy, filmes que além de bizarros, são demasiadamente chatos. Claro que a dupla mencionada acima vai protagonizar uma desnecessária cena de sexo, clássica em filmes do segmento, aparente alívio das tensões geradas pela disseminação dos ratos, seres nojentos e aqui, potencialmente perigosos pelo apetito voraz.

O reitor da universidade onde a história se desdobra faz a sua parte, chama o serviço de contenção de pragas, mas o estrago é muito maior que o inicialmente imaginado e resolver a crise vai ser uma tarefa hercúlea para os protagonistas deste enredo de gritos, mortes sangrentas e exageros propositais, criados para prender a atenção do público alvo, geralmente formado de pessoas sem interesse em enredos arrastados demais e com muito “blá blá blá” pseudocientífico. A moralidade comum ao filme slasher, subgênero que tal como já sabemos, elimina quem faz sexo e se comporta fora dos padrões tradicionais parece o guia que rege a tônica dramática em A Praga Assassina, horror que é tosco, mas diverte dentro de suas propostas cheias de limitações. Com sintetizadores excessivos, a trilha sonora de Dennis Haines e Stephen W. Parsons incorpora bem o estilo dos anos 1980 de compor música de horror. O design de produção de Reuben Freed também apresenta eficiência, mesmo dentro de suas limitadas possibilidades, tal como a direção de fotografia esquemática de Curtis Petersen, nada peculiar ao adotar os famosos pontos de vista para a representação das criaturas. Os efeitos visuais ficaram por conta de equipe de Ted Rae, sendo David B. Miller o responsável pelos truques nos efeitos especiais e no e design das criaturas, tudo muito involuntariamente engraçado, mesmo que a proposta seja apostar no horrível para causar medo, pânico e repulsa nos personagens e em nós, espectadores.

A Praga Assassina (Food Of The Gods II, Canadá – 1989)
Direção: Damian Lee
Roteiro: Richard Bennett (III)
Elenco: Colin Fox (I), David B. Nichols, Frank Moore (I), Frank Pellegrino (I), Howard Jerome, Jackie Burroughs, Karen Hines, Lisa Schrage
Duração: 91 minutos

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