Crítica | A Rainha do Castelo de Ar (2009)

A Rainha do Castelo de Ar plano critico millennium

Sob direção de Daniel Alfredson, o mesmo que assinou A Menina que Brincava com Fogo, chegamos ao fim da versão sueca para a Trilogia Millennium, baseada nos livros do escritor Stieg Larsson. Seguindo de perto o modelo narrativo da obra, damos sequência imediata aos eventos que levaram Lisbeth Salander para o hospital, gravemente ferida. Esse longo período de convalescença é tratado na literatura como um longo momento de preparação para o ataque, onde as coisas acontecem de maneira mais tangente e com movimentos melhor escondidos do que nessa adaptação cinematográfica, o que não significa que a visão do roteiro de Ulf Ryberg para o volume seja ruim. Apenas toma diferentes caminhos, como esperado, para mostrar o período que vai da hospitalização de Lisbeth até o seu julgamento.

Diferente do longa que o antecedeu, A Rainha do Castelo de Ar não tem uma montagem exageradamente segmentada, colecionando blocos que se unem com dificuldade. O problema central aqui está no roteiro e apenas na primeira parte do filme, pois é aí que o texto concentra o maior número de personagens que irão ter impacto na vida de Lisbeth e só então partimos para uma real e interessante jornada de ações. O que acontece depois dessa apresentação inicial dialoga bastante com a essência da obra, tanto do segundo, quanto do terceiro livro da série. A mídia, as instituições e os laços pessoais são mostrados em duas variantes básicas: as de bons impactos e as de maus impactos, ambas em disputa pela vida de Lisbeth. Sua liberdade significará a reparação das injustiças. Sua prisão ou internação significará a perpetuação do criminoso aparelhamento estatal que acusa e aprisiona inocentes. E é com isso em mente que o público avança, engajado demais para pensar em outra coisa além de um “ajuste de contas“.

O cuidado maior com a fotografia aqui é outro fator que torna o filme instigante. Não só as composições de planos e a limitada (mas certeira) paleta básica de cores mas também a força de algumas imagens, na apresentação de personagens, acabam dizendo bem mais do que o roteiro, que demora um pouco para engatar, como já comentei. A apresentação dos principais aliados de Lisbeth e da própria protagonista, em seus diferentes momentos de recuperação, são uma clara prova disso, tendo o ápice na cena em que a vemos “vestida para chocar”, antes da entrada no tribunal. Sua postura, aliás, vai mudando consideravelmente ao longo do julgamento, e temos aqui uma interpretação maravilhosa de Noomi Rapace, que não está sozinha nessa categoria. Tanto o elenco principal quanto o de coadjuvantes, nos três filmes, estão muito bem, mas acredito que o ar de urgência e “tudo ou nada” do presente enredo tornou as interpretações ainda melhores neste terceiro.

As alterações feitas para combinar com a proposta do filme acabaram tendo um bom resultado final. A partir das cenas onde as injustiças começam a ser paulatinamente suplantadas, o filme ganha uma força tremenda e então se configura o melhor ponto do trabalho de Daniel Alfredson, assim como da trilha sonora, com o peso necessário e não descritivo demais nesse final. As cenas no tribunal fogem consideravelmente ao modelo de “total espetáculo” e ainda assim conseguem ser muito tensas, especialmente porque estão intercaladas, pela montagem, com o cerco aos criminosos envolvidos nos crimes cometidos contra Lisbeth Salander durante tantos anos. O roteiro até faz uma boa ponte desses eventos com a personalidade da hacker, com consequências definidoras para os caminhos que ela escolheu seguir. E o encerramento de todo esse processo não poderia ser mais propício, com uma nota de desalento, mas também re conhecimento e um pouco esperança. Nem nós, nem Lisbeth poderíamos pedir mais.

A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet som sprängdes) — Suécia, Dinamarca, Alemanha, 2009
Direção: Daniel Alfredson
Roteiro: Ulf Ryberg (baseado na obra de Stieg Larsson)
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Annika Hallin, Jacob Ericksson, Sofia Ledarp, Anders Ahlbom Rosendahl, Micke Spreitz, Georgi Staykov, Mirja Turestedt, Niklas Falk, Hans Alfredson, Lennart Hjulström, Jan Holmquist, Niklas Hjulström
Duração: 147 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.