Crítica | A Revanche do Monstro

O clássico O Monstro da Lagoa Negra marcou sua época e trouxe para as telonas um dos mais icônicos monstros da Sétima Arte. Claro que, como qualquer coisa de sucesso em Hollywood, ele gerou duas continuações, a primeira delas, A Revanche do Monstro, já no ano seguinte, com Jack Arnold de volta à cadeira de diretor, com À Caça ao Monstro encerrando a trilogia em 1956, mas sem o diretor original.

Como de praxe, infelizmente toda a qualidade da obra original desaparece na sequência, com o filme sendo muito mais lembrado por ter sido a única continuação 3D de um filme 3D (uma característica qualitativamente dúbia, obviamente) e, principalmente, por ter sido a porta de entrada de ninguém menos do que Clint Eastwood na indústria cinematográfica em uma ponta cômica não-creditada com diálogo como um atrapalhado assistente de laboratório (vide o primeiro comentário na seção de comentários abaixo). Todo mundo tem que começar por baixo e Eastwood realmente escolheu a dedo o quão baixo iniciaria sua prolífica carreira em Hollywood…

Mas, voltando ao filme, a estrutura narrativa do roteiro de Martin Berkeley é exatamente igual à de King Kong: o Homem-Guelra (Gill Man), nome oficial do monstro do título, é capturado em sua pacata lagoa negra na amazônia e levado para ser uma atração turística de um parque aquático estilo Sea World na Flórida, além de objeto de estudo dos ictiologistas Clete Ferguson (John Agar) e Helen Dobson (Lori Nelson). Mas, diferente de King Kong, o texto de Berkeley não tem sutileza ou subtexto algum, sequer alguma preocupação ecológica mínima que seja com a condição da criatura capturada que não seja uma brevíssima manifestação de pena por Dobson, a “loira em perigo” por quem o monstro se apaixona.

Além disso, todo o mistério e atmosfera de terror que o primeiro filme invocava até eficientemente desaparece por completo aqui, com a obra tornando-se meramente um filme aventuresco, mas extremamente econômico nas sequências de ação que são substituídas por romance, passeios idílicos, observação passiva da criatura e outras bobagens que fazem a narrativa andar de lado e que tornam os teoricamente breves 82 minutos da projeção muito mais longos do que parecem. Mesmo com a repetição do bom trabalho da equipe técnica com a roupa de monstro e com a sequências subaquáticas, a produção carece de qualquer traço de tensão ou desenvolvimento, com os cientistas, de um lado, agindo como meros pombinhos apaixonados e completamente alheios ao ambiente à volta e a criatura sendo a mais furtiva do mundo, aproximando-se a centímetros de tudo e de todos sem que ninguém perceba a ponto de ser inadvertidamente engraçado.

E a dupla principal formada por John Agar e Lori Nelson é extremamente canastrona, quase amadora mesmo a ponto de a criatura – vivida na água por Ricou Browning e na terra por Tom Hennesy – ser muito mais expressiva e relevante. Somando-se a isso, nem o roteiro de Berkeley e nem a direção de Arnold consegue fazer o espectador sentir qualquer coisa pelos dois que não seja a mais completa indiferença ou, talvez no máximo, a vontade de clicar no fast forward.

A Revanche do Monstro é um desperdício de celuloide e de uma criatura inesquecível. Não fosse a chance que Clint Eastwood teve de revelar-se para Hollywood, teria sido muito melhor ter deixado o monstro quieto lá em sua lagoa amazônica localizada nos Everglades, da Flórida.

A Revanche do Monstro (Revenge of the Creature, EUA – 1955)
Direção: Jack Arnold
Roteiro: Martin Berkeley (baseado em história de William Alland)
Elenco: John Agar, Lori Nelson, John Bromfield, Nestor Paiva, Grandon Rhodes, Dave Willock, Robert Williams, Charles Cane, Robert F. Hoy, Brett Halsey, Ricou Browning, Tom Hennesy, Jere A. Beery, Sr., Patsy Lee Beery, Clint Eastwood
Duração: 82 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.