Crítica | A Tumba do Drácula: O Voo do Surfista Prateado

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Mas que historinha mais sem pé nem cabeça é essa, pelo amor de todas as presas, sangue e trevas da Terra! Quando eu vi o título dessa pequena aventura, parte na revista A Tumba do Drácula (edição #50, lançada originalmente em 1976), eu tive uma pequena reação de riso e obviamente comecei a leitura o mais rápido possível, totalmente capturado pela curiosidade maluca centrada na seguinte pergunta: como seria um roteiro do Drácula contra o Surfista Prateado? Bem, uma coisa é certa: não foi uma boa aventura.

Com texto de Marv Wolfman e uma boa arte de Gene ColanTom Palmer (o problema na estrutura visual aqui é a questionável diagramação das páginas, que bagunça todo o ritmo da revista e não faz jus aos desenhos), O Voo do Surfista Prateado se estrutura em três atos distintos, sendo que o único orgânico dentre eles é o primeiro, com um ataque urbano de Drácula em busca de sangue e, em outro lugar, uma reunião de Anton Lupeski com seus amigos satanistas, considerando que Domini (a esposa de Drácula) está grávida e, por este motivo, eles não precisam mais do Grande Lord Vampiro vivo. E assim, sem mais nem menos, passam a tramar algo para matar o astuto Vlad. Mas as coisas ainda ficariam piores que isso.

Toda a ideia para a morte do trevoso carrega a estranha conveniência de “precisamos fazer isso para trazer um herói para a revista” e, como era de se esperar, tanto a invocação do Surfista quando o que vem depois dela acaba sendo plenamente vazio, já que não tem contexto, não é bem apresentado, não é bem desenvolvido e principalmente não é bem finalizado — fora o subtexto cristão que é, para dizer o mínimo, risível. Se existe algo aqui que realmente nos diverte um pouco é o prólogo que traz as costumeiras reflexões do Surfista e o já citado primeiro ato com Drácula caçando vítimas e Anton tramando a morte do Mestre. A arte é boa em todo esse tempo, mas como levantei mais acima, a diagramação estraga muita coisa dessa revista e assim como roteiro, à medida se aproxima do final, fica cada vez pior.

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Este é o tipo de edição onde a curiosidade acaba cobrando o seu preço e tudo relacionado a isso acaba sendo genuinamente engraçado, porque os Universos dos personagens aqui não combinam, nem em teoria eles parecem formar uma boa dupla ou ter um drama realmente bom para lhes dar suporte… Mas o que a gente faz quando vê algo como Drácula vs. Surfista Prateado? Bem, a gente vai correndo ler. Eis aí o resultado. Ao término da edição, eu fiquei com uma longa lista de perguntas sobre a possessão mental de Norrin e especialmente qual foi clique narrativo que poderia explicar direito o fim desse controle mental. Curioso é que quanto a gente pensa que está tudo terminando, ainda existe mais uma cena, com uma condescendência tão absurda que se alguém me dissesse que um dia tal postura partiria do Surfista Prateado — num cenário como este –, eu riria na cara da pessoa. Bem… a piada se voltou contra o piadista. Certamente, esta foi a pior história do Surfista Prateado que eu li até hoje. Que negócio mais sem pé nem cabeça!

Tomb of Dracula Vol.1 #50: Where Soars the Silver Surfer! (EUA, novembro de 1976)
No Brasil:
Editora Abril (1979 e 1985) e Panini (2018)
Roteiro: Marv Wolfman
Arte: Gene Colan
Arte-final: Tom Palmer
Cores: Tom Palmer
Letras: John Costanza
Capa: Gene Colan, Tom Palmer
Editoria: Marv Wolfman
18 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.