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Crítica | A Última História de Galactus

por Luiz Santiago
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SPOILERS!

Projetos sobre “o fim” de alguma realidade nos quadrinhos, de um grupo de heróis ou de certos personagens isolados não raramente são recebidos com um pé atrás. Com tantos exemplos pouco animadores por aí, esse é o tipo de premissa que ganha a nossa desconfiança já em sua sinopse e só muda mesmo de posição quando a gente lê a história, terminando por classificá-la aquém ou além de nossas expectativas. No meu caso, A Última História de Galactus superou tudo o que eu poderia imaginar a respeito do que iria ler.

Originalmente publicada entre as edições #26 a 34 da revista Epic Illustrated, essa aventura nunca conheceu um verdadeiro final, já que a Marvel cancelou a publicação em sua trigésima quarta edição e John Byrne não teve a oportunidade de colocar a sua ideia no papel em nenhum outro título — infelizmente nem no projeto O Fim, que a editora organizou em 2007. Nessa trama, o comedor de planetas está ao lado de sua arauto Nova II (Frankie Raye), num futuro distante da humanidade. A relação entre os dois já é algo que salta aos nossos olhos, porque não coloca Galactus como apenas um ‘vilão grandioso’, mas alguém com uma imensidão de conhecimento e experiência que racionaliza de maneira muitíssimo interessante a cada novo encontro, a cada novo passo de sua eterna busca.

O texto de Byrne faz jus à sua grandiosa arte, que expõe o Universo da forma mais apaixonante e imensurável possível. As unidades de tempo usadas nos diálogos entre Galactus e Nova, o tamanho das naves e o tamanho do faminto Ser nos espantam e nos fazem mergulhar muito mais facilmente nesse ambiente onde os humanos ou outros seres “normais” sentem-se simplesmente “um nada“. E o que se coloca batendo de frente para essa grandeza toda é a entropia, a morte, o fim do Universo como se conhece, algo para o quê nem Galactus e nem Nova conseguem obter respostas imediatas… até que a resposta aparece. E a resposta é o Vigia que estava lá na origem de Galactus e que enlouqueceu após tanto remorso de ver esse titânico Ser devorar trilhões de vidas, bilhões de planetas, sabendo que poderia ter interferido, matado Galactus ainda em sua origem e impedido tanta destruição.

É claro que conhecendo a origem do personagem (naquela edição especial que une painéis de Quarteto Fantástico #49; Thor #160, 162, 167 e 169 + novos painéis feitos especialmente para uma ligação entre as páginas já existentes) eu imaginava que o verdadeiro final da saga poderia ter alguma coisa a ver com a recriação do Universo. Mas saber dessa intenção do autor e considerar isso dentro de toda a jornada que temos nesta Última História de Galactus torna o reboot Universal ainda mais glorioso.

Infelizmente John Byrne não conseguiu colocar um ponto final oficial neste trabalho. Em 15 de fevereiro de 2005, em resposta a uma pergunta feita em seu Fórum, o autor confirmou que esta aventura terminaria com uma luta de Eras e Eras entre Galactus e o Vigia (não Uatu!) e, num rompante de raiva para garantir sua vitória, o comedor de planetas sugaria toda a energia que ainda restava do Universo e quebraria a sua armadura, retiraria o seu capacete e toda a energia absorvida seria liberada. Isso mataria o Vigia, criaria uma nova Galactus (a antiga Nova II) e seria o Big Bang de um novo Universo… Chega a ser poético e asimoviano de tão lindo!

A Última História de Galactus (The Last Galactus Story) — EUA, 1984 – 1985
Publicação original:
Epic Illustrated Vol.1 #26 a 34
Roteiro: John Byrne
Arte: John Byrne
Arte-final: Terry Austin
Cores: Glynis Oliver
Letras: Jim Novak
62 páginas

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