Crítica | A Vida Fantástica e Caminho Para a Guerra Civil (Quarteto Fantástico #533 a 537)

estrelas 1,5

O que acertou em O Sr. Parker Vai a Washington, J. Michael Straczynski errou nos dois arcos que preparam a Primeira Família para a Guerra Civil, histórias contadas na Fantastic Four #533 a 537 e que no primeiro bloco colocam o grupo contra o Hulk — sim, trata-se de uma explicação dos acontecimentos em Las Vegas antes de Illuminati e de Planeta Hulk — e no segundo bloco faz alguma coisa que supostamente deveria problematizar o Ato de Registro e a posição dos membros do quarteto antes da briga efetivamente começar.

Acontece que o roteiro de Straczynski não é bom em nenhuma das duas pontas. No primeiro arco ele separa dois dramas, ambos potencialmente interessantes, mas cria duas “frentes de batalha” de forma burocrática e com pouquíssimos pontos atrativos, certamente uma linha de texto que cansa o leitor já na primeira revista. Tal andamento ainda tem o agravante de uma arte e uma finalização sem maiores destaques, contando com uma ou outra boa ideia de diagramação (nas lutas) ou coloração dos quadros para os momentos mais imponentes da narrativa, status que se aplica às 5 edições aqui comentadas.

quarteto fantástico caminho las vegas hulk

Entre a QF #533 a 535, o leitor vê Sue e Reed Richards lutarem legalmente para manter a guarda de Franklin e Valeria, os “filhos expostos a um ambiente perigoso” que o governo quer tirar do casal fantástico e colocar em um “local seguro”. Tudo bem que não é lá uma proposta inovadora nem nada, mas perceba que levanta uma boa discussão. E é igualmente verdade que o roteiro ensaia essa boa discussão no diálogo final entre Sue, Reed e a assistente social que está cuidado do processo. Contudo, esta linha do arco é suplantada pela luta do Coisa e do Tocha Humana contra o Hulk, ensandecido após ser atingido por uma mega-bomba-gama da Hydra que o gigante esmeralda tentava desarmar, mas que acabou explodindo na sua cara. Com o cérebro afetado e completamente desequilibrado, o Hulk — cinza! — sai destruindo Vegas e dá muito trabalho para o Coisa, que na qualidade de “monstro”, tenta acalmar o brutamontes descontrolado.

Percebem que há um estranho desequilíbrio na fluidez da história? E novamente devo lamentar que a arte acompanhe esse desequilíbrio, mas não por incompetência de Mike McKone e do principal finalista dessas edições, Andy Lanning. Embora não tenham um trabalho artístico para se aplaudir, eles conseguem um resultado visualmente aceitável nas lutas em Las Vegas e as cores de Paul Mounts funcionam perfeitamente em todas as cenas diurnas da história (em compensação, nas cenas noturnas…). A questão é que essa dinâmica se perde na burocracia de representação do Edifício Baxter, que também possui um desequilíbrio de texto — embora isso seja aceitável dada a natureza das duas histórias –, terminando com um pequeno afunilamento dos dois eventos quando as Coisas (não resisti o trocadilho), aparentemente, se resolvem SQN.

doutor destino thor quarteto fantastico

Mas os problemas narrativos continuam e se agravam a partir daí, porque J. Michael Straczynski não faz uma ponte coerente entre este momento passado do Quarteto Fantástico e o momento seguinte, que supostamente deveria ser o “Caminho Para a Guerra Civil“. A história do Hulk parece ter sido uma amenidade do passado e, sem mais nem menos, estamos diante da queda do Mjölnir em Oklahoma (lembram-se do enredo do filme?), evento que tira o Doutor Destino do inferno — de uma forma que ainda não consegui entender como, mesmo tendo lido as páginas referentes a este momento várias vezes — e traz apenas um único momento de diálogo entre Sue e Reed sobre o Ato de Registro, juntamente com três páginas de reprodução da reunião secreta dos Illuminati e um momento de entrevista de Stark aos jornalistas na posta do Congresso americano. Essa sequência textual mal escrita e desenhada de forma medíocre não ajuda em nada a manter o interesse do leitor e faz desta a pior parte do chamado “Caminho Para a Guerra Civil”.

Algumas dúvidas ainda ficam no ar, como plano e destino de Destino (ba dum tss!) e algumas pistas do futuro são insinuadas, como a ida de Thor (que não vemos, apenas assumimos) ao lugar onde está seu martelo, mas no final, temos apenas uma migalha de conceito para o evento que se seguiria, o que é uma pena, visto que a discussão legal desse processo dentro do núcleo do Quarteto Fantástico poderia resultar em algo muito bom. Está aí um “passo antes” que não faz a menor diferença se conhecemos ou não.

Quarteto Fantástico #533 a 537 – A Vida Fantástica e Caminho Para a Guerra Civil (Fantastic Four: The Life Fantastic / The Road to Civil War) — EUA, janeiro a maio de 2006
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Mike McKone
Arte-final: Andy Lanning, Simon Coleby, Cam Smith, Kev Walker, Kris Justice
Cores: Paul Mounts
Letras: Rus Wooton, Randy Gentile
Capas: Mike McKone, Andy Lanning
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.