Crítica | A Vida Privada de Woody Allen

estrelas 3

O álbum A Vida Privada de Woody Allen, publicado aqui no Brasil pela Editora Record em 1981, é uma coleção de diversas histórias escritas e desenhadas pelo cartunista Stuart Hample, o mesmo autor de O Nada e Mais Alguma Coisa (1978), que também traz Woody Allen protagonizando as histórias. Em 48 páginas, acompanhamos o dia a dia desse homenzinho neurótico, suas súbitas paixões, sessões de análise com a Dra. Fobick e pensamentos sobre a vida, a morte e a humanidade.

Uma característica que nos chama a atenção é que as histórias das primeiras tiras são bastante violentas, com assaltos e pancadaria em praticamente todas os quadros. Com o passar das páginas, porém, o cenário vai se modificando. A violência dá lugar às histórias menos físicas e mais cerebrais, com situações em livrarias, no consultório da Dra. Fobick, no parque, ou mesmo no apartamento do protagonista. À medida que os assaltos e os sopapos vão desaparecendo, surgem as mulheres e tramas familiares como a origem do nome e da família “Allen”, histórias com digressões temporais muito legais de se ver.

Ao ter o livro em mãos, o leitor espera por uma narrativa maravilhosa, embora curta, recheada de bom humor e sagacidade, como sempre deve ser algo relacionado a Woody Allen. Mas as piadas de Stuart Hample passam longe de serem geniais. Embora guardem uma maneira de ver o mundo muito próxima daquilo que Allen realmente acredita, as finalizações dessas tiras (que na maioria das vezes são aqueles blocos de uma página com oito quadros) não sustentam a situação narrada e deixam de ser engraçadas.

É claro que não adianta olharmos o álbum como um produto fechado, até porque, trata-se de uma coletânea de tiras. Mas mesmo se nos atermos para essa particularidade, falta algo de mais substancial na maioria das páginas, algo que sobra, por exemplo, nas tiras do Garfield e da Mafalda, e que também deveria sobrar aqui, já que o “muso” inspirador para a personagem principal é engraçado o bastante para gerar histórias engraçadas.

Com desenhos simples, à exemplo da maioria dos traços quase infantis de desenhos de jornais, A Vida Privada de Woody Allen não impressiona o leitor e não consegue ser marcante, embora valha a leitura apenas como curiosidade para fãs do cineasta e para quem não se importa em ler um álbum de tiras com pouquíssimos momentos realmente bons.

A Vida Privada de Woody Allen (Inside Woody Allen) – EUA, 1976 – 1984
No Brasil: Editora Record, 1981
Roteiro e Arte: Stuart Hample
48 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.