Crítica | A Vingança do Motoqueiro Fantasma Cósmico

Donny Cates inventou o Motoqueiro Fantasma Cósmico, fusão do Justiceiro com o Motoqueiro Fantasma que foi também um Arauto de Galactus e assistente de Thanos, na publicação solo do Titã Louco, em 2018 e, desde então, ele já teve duas minisséries solo e participou dos Guardiões da Galáxia, além da reunião de todos os Motoqueiros Fantasma da Marvel Comics que acabou colocando Johnny Blaze no trono do Inferno. Com seu sucesso, era óbvio que ele voltaria a um título solo e isso aconteceu no primeiro semestre de 2020 em A Vingança do Motoqueiro Fantasma Cósmico.

Com texto de Dennis Hopeless, que, agora, assina como Dennis “Hopeless” Hallum, sofre da “Síndrome do Exagero Tão Exagerado que Muito da Graça Se Vai”, basicamente o mesmo problema fundamental de Motoqueiro Fantasma Cósmico Destrói a História da Marvel, de Paul Scheer e Nick Giovannetti. É evidente que o mais do que improvável personagem foi criado tendo como premissa o exagero, o overpower e a galhofa, algo que Cates sabe fazer muito bem, mas sem perder o foco, mas é também evidente que esse tipo de personagem não tem muito espaço para uma narrativa que não seja uma espécie de competição de exageros. E Hopeless faz o que pode para tentar ganhar esse concurso, colocando o Frank Castle do futuro ao lado de Cammi e contra um super-poderoso mafioso espacial batizado muito originalmente de Rei Cósmico (nenhuma relação com o personagem homônimo da DC Comics) e um verme galático sem nome daqueles bem genéricos.

O resultado é, como se poderia esperar, uma pancadaria dos infernos que não acaba mais e que ainda tem Mefisto metido no meio, além de viagens no tempo (claro!) e alguns flashbacks para o passado de Castle que não acrescentam nada ao personagem. Ou seja, é o mesmo de sempre, só quem com uma outra embalagem, uma enlouquecida, mas organizada arte de Scott Hepburn, e um final aberto que muito provavelmente nos levará em breve para uma continuação direta. No entanto, não deixem meu comentário em princípio negativo afastá-los da história. São apenas cinco edições curtas e Hopeless não tenta reinventar a roda, oferecendo aquilo que uma personagem como esse pode oferecer: bobagem descerebrada para ocupar alguns minutos entre leituras mais sérias. O investimento de tempo não é grande e a leitura não é imbecilizante como é o caso de muita porcaria por aí.

Como cheguei a mencionar na crítica da primeira minissérie solo desse completo porra-louca, o Motoqueiro Fantasma Cósmico é, desavergonhadamente, um personagem de uma nota só. É difícil fazer algo sério com ele e a brincadeira sempre tem um limite, já que nem mesmo Deadpool consegue sustentar as piadinhas no ritmo que os escritores imprimem. Mesmo assim, acho que ainda gostaria de ver Cates voltar ao personagem em uma série solo para ver o que ele consegue extrair de sua criação para além de repetir a mesma coisa sempre (aliás, a primeira edição dessa minissérie tem uma segunda e curta história escrita por Cates que coloca Castle contra Castle e que é melhor do que toda a minissérie). Se tem alguém que talvez consiga essa proeza, é ele. Enquanto isso não acontece, porém, teremos que, de tempos em tempos, esbarrar com novos roteiristas criando situações ainda mais frenéticas e superlativas para colocar o personagem.

A Vingança do Motoqueiro Fantasma Cósmico (Revenge of the Cosmic GhostRider, EUA – 2020)
Contendo: Revenge of the Cosmic Ghost Rider #1 a 5
Roteiro: Dennis “Hopeless” Hallum (Dennis Hopeless)
Arte: Scott Hepburn
Cores: Antonio Fabela
Letras: Travis Lanham
Editoria: C.B. Cebulski, Darren Shan, Lauren Amaro
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: fevereiro a junho de 2020
Páginas: 125

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.