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Crítica | A Vingança dos Flamingos de Ferro Forjado, de Donna Andrews

por Luiz Santiago
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Quando eu terminei a leitura de A Vingança dos Flamingos de Ferro Forjado eu estava tal e qual aquele meme com o tweet da Lady Gaga: “Brazil i’m devastated“. Terceiro volume da saga Mistérios de Meg Langslow, este livro se seguiu a dois maravilhosos exemplares de uma comédia policial onde o crime vinha da forma leve, amparado por cenas de um cotidiano burguês gostoso de se acompanhar, um tipo de fuga rápida e fácil que não encontramos em muitas obras de mistério.

Nessa aventura, Meg está exibindo suas produções de ferreira ornamental numa feira de artesanato, onde acontece uma recriação histórica do século XVIII, mais especificamente, da Batalha de Yorktown (1781), que ocorreu durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. A Sra. Waterston, mãe de Michael, namorado de Meg, é a organizadora do evento e leva com mão de ferro todas as atrações da feira, criando até uma “Polícia de Anacronismo”, pegando no pé dos exibidores e dos atores contratados para figurarem em diferentes campos de ação.

Na primeira metade do volume essa dinâmica funciona de forma fluída, divertida e instigante, ou seja, com toda a identidade esperada de um romance da série. As referências aos tempos da Guerra de Independência e as muitas tentativas desses personagens em manter tudo autêntico garantem confusões interessantes e fazem o leitor imaginar as muitas maneiras possíveis de um crime ocorrer nesse lugar. Tudo é sutil e interessante no começo do livro, que ainda ganha uma construção de conflito aplaudível, dentro daquilo que a gente viu nos livros anteriores da saga: alguém odiável vai morrer.

O jogo de computador Lawyers in Hell, desenvolvido pelo irmão de Meg, é um dos ingredientes do conflito que conduz ao assassinato. Além dele temos acusações de pirataria e plágio que vão começando a aparecer, deixando todos muito apreensivos. Os personagens ganham novas facetas e até o perfeitinho Michael recebe a sua camada ciumenta e estranha, mostrando — até que fim — um lado negativo para o leitor. É bem nesse processo de leves mudanças e início de conflitos que surgem os flamingos de ferro forjado, uma encomenda feita pela Sra. Fenniman a Meg. O objetivo da Sra. Fenniman era desafiar o Comitê de Estética e Aprimoramento Visual do bairro, que lhe proibiu o uso de flamingos de plástico no jardim. Então ela insistiu nos flamingos, mas agora de ferro.

Juntamente com os animais vem uma bem arquitetada piada que se arrasta até o final do livro, praticamente testando a paciência de Meg em relação às novas encomendas dessas aves, algo que ela não queria fazer e nem queria que os outros soubessem que ela toparia. O leitor curte com gosto essa convivência fora de época, mas uma notável impaciência começa a tomar conta da gente porque o crime demora muito pra acontecer e chegamos à conclusão de que Donna Andrews enrolou bastante até nos entregar o ouro. Todavia, o ruim da obra está mesmo na maneira como a autora conduz a segunda parte, estendendo demasiadamente um processo de investigação que não sabe pra onde vai e criando um número muito maior de cenas paralelas do que o necessário.

É possível rir — especialmente com o pai de Meg, que já está coroado como o melhor personagem dessa série para mim — e apreciar a mistura de “feira de época” com assassinato, mas Donna Andrews pesou a mão nos caminhos para despistar o leitor, tornando muito chata a segunda parte do livro, coroando ainda mais o problema da enrolação que percebemos no fim da primeira parte, embora ali, ainda com bastante charme. O resultado final de A Vingança dos Flamingos de Ferro Forjado não vai me afastar da série, muito pelo contrário. Ainda tenho muita curiosidade para acompanhar o projeto. Mas com certeza foi um balde de água fria no meu impulso ogro de devorar esses livros.

Mistérios de Meg Langslow – Livro 3: A Vingança dos Flamingos de Ferro Forjado (Meg Langslow Mysteries: Revenge of the Wrought Iron Flamingos) — EUA, 2001
Autora: Donna Andrews
324 páginas

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