Crítica | Abismo do Terror

Diante do anúncio de Ameaça Profunda para 2020, os filmes com criaturas monstruosas das profundezas do mar se apresentam como um tema ainda industrialmente relevante depois de tantas produções sobre o tema. Sob a direção de Sean S. Cunningham, o homem responsável pela criação da franquia do incansável Jason (Sexta-Feira 13), Abismo do Terror aposta na mescla entre terror e ficção científica para fazer as plateias, em 1989, ficarem assustadas. O resultado é razoável, mas a trama funciona como entretenimento ligeiro.

No enredo, dirigido com base no roteiro escrito por Lowis Abernathy e Geof Miller, os tripulantes da estação Deep Star Six precisam lutar por suas vidas diante de uma ameaça alienígena que desde o cartaz de divulgação, já deixa os sinais de sua presença. “Nem todos alienígenas vem do espaço”. Com essa premissa, bem como um clima semelhante ao estabelecido por Ridley Scott em Alien. A diferença é que o roteiro dirigido por Scott era mais amarrado, os personagens tinham conflitos e necessidades dramáticas mais delineadas, em suma, tudo era melhor, olhando comparativamente.

Logo nos créditos de abertura, a câmera capta a superfície do oceano. Submerge, foca algas marinhas, pequenos peixes e até mesmo tubarões. É um percurso que nos leva até a zona abissal onde a base está localizada. Tal como apontado, no local, os personagens desenvolvem um trabalho, mas precisam dar uma pausa para a missão mais emergencial: a manutenção de suas vidas. Basicamente, todos os “tipos” deste estilo narrativo estão presentes: Joyce Collins (Nancy Everhard) é a profissional dedicada. Ela está sob o comando do Capitão Phillip Laidlaw (Taurean Blacque) é quem dá as ordens, mesmo que nem sempre sejam respeitadas.

Junto, ainda temos: McBride (Greg Evigan), Snyder (Miguel Ferrer) e o Dr. John Van Gelder (Marius Van Gelder). Durante os estudos na plataforma, alguém descobre uma caverna e resolve investigar. A ideia tornará os últimos momentos dos personagens um festival de horror, repleto de momentos de claustrofobia e desespero. A criatura marinha, desconhecida, ataca de maneira furiosa, despertada por humanos que não deveriam sequer ter mexido em suas estruturas naturais. Acossados diante do monstro, os personagens morrem um a um.

Com direção de fotografia de Mac Ahlberg, as cenas subaquáticas são interessantes, visualmente bem construídas, adequada para os espaços concebidos pelo design de produção de John Reinhart, em especial, os cenários de Christina Volz, responsáveis pela sensação de imersão dos espectadores num ambiente próprio para o desenvolvimento de pesquisas científicas. No que diz respeito às suas ideias, Abismo do Terror não teve a trama comprada pelo público, já acostumados a ver tantos filmes do tipo. Talvez se a trilha de Harry Manfrendini não tivesse tantos traços da sua composição para Sexta-Feira 13, o filme conseguisse o seu diferencial.

Ao longo de seus 99 minutos, Abismo do Terror se apresenta como uma produção bem característica de sua época, isto é, o final dos anos 1980, fase decadente para o subgênero slasher, era de desgastes também para os zumbis, lobisomens, vampiros e demais monstruosidades do cinema. James Cameron e sua revolução tecnológica apontaram um novo rumo para os efeitos visuais e especiais, o que torna o monstro criado por Roger Corman e sua equipe um exemplar que envelheceu mal diante do tempo.

Abismo do Terror ( Deep Star Six – Estados Unidos, 1989)
Direção: Sean S. Cunningham
Roteiro: Lewis Abernathy, Geof Miller
Elenco: Taurean Blacque, Nancy Everhard, Greg Evigan, Miguel Ferrer, Nia Peeples, Matt McCoy, Cindy Pickett, Marius Weyers
Duração:  105 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.