Home FilmesCríticas Crítica | Ad Astra: Rumo às Estrelas

Crítica | Ad Astra: Rumo às Estrelas

por Gabriel Carvalho
468 views (a partir de agosto de 2020)

“Estou ansioso pelo dia em que minha solidão irá terminar.”

O gênero da ficção-científica costuma criar uma uniformidade entre a sua grandiloquência natural, por estar imerso nas mais magníficas possibilidades criativas, e um maior intimismo, proveniente dos assuntos que trata. Logo, grandes cineastas, como Stanley Kubrick e Andrei Tarkovsky, pelas suas lentes telescópicas observaram os astros para além do Planeta Terra, mas enxergaram nelas os próprios seres humanos e, consequentemente, pensaram os significados de suas existências. Os clássicos dramas humanos ganham carga extra, curiosamente, justo em meio ao vácuo. James Gray, no caso, é um cineasta americano interessado, como esses demais nomes do cinema antes dele também, em explorar os temas universais, os quais percorrem sua carreira sob perspectivas, seja as mais esperançosas ou pessimistas, variadas. Com esse que é quiçá o maior dos gêneros cinematográficos, porque resgata no além o seu cenário de encenação, a magnitude do Espaço encontra-se, pois, aos pés do artista, enquanto ele retoma arquétipos conhecidos de seu cinema e os revisa, em prol da crença restauradora que, mais do que nunca, posiciona aqui sobre o homem.

Em primeira instância, nesse seu longa, a odisseia espacial do Major Roy McBride (Brad Pitt) se justifica muito mais no terreno pessoal ao personagem que naquele que se preocuparia com as questões narrativas mais superficiais. Gray abusa das licenças poéticas com a física para alcançar aonde quer e deve chegar. Como o enredo estabelece sem transtornos, a missão do protagonista é comunicar-se com o seu pai, que era dado como morto após sumir durante uma expedição que procurava vida em outros planetas. Já outros meandros, relacionados a um apagão que ameaça a Terra de uma catástrofe sem precedentes, pouco importam – quando a premissa é explicada para Roy, Gray se importa muito mais com a performance de Pitt, central a tudo, que qualquer outra coisa. Portanto, enquanto os maneirismos do gênero – uma ameaça em uma nave abandonada e até um combate lunar visualmente impressionante – são assumidos como uma ponte para as propensões dramáticas do projeto vingarem, Gray, em paralelo, coloca suas próprias ambições à prova. Por conta da ganância do homem, almejando mais e mais, o que se perde no seu caminho?

O Major Roy McBride, por exemplo, é alguém que acumula perdas pessoais em decorrência de uma visão sua meramente direcionada ao Espaço. Como Gray, preciso em concretizar os vínculos emocionais necessários, exemplifica, o enfoque unidimensional do personagem na sua profissão desfocou quaisquer possibilidades de conexões humanas para ele. Em termos concretos, no caso, o cineasta estabelece essa noção, em vista de uma cena no passado do protagonista que mostra presenças secundárias sendo visualmente ofuscadas para se engrandecer, pelo contrário, o centro das atenções egoísta do longa-metragem, tão sozinho no Espaço quanto na vida em si. Na Lua, a Terra que vê soa, para Roy, como um corpo estrangeiro. O uniforme é o conforto. Já o seu voice-over surge como atestado de solidão, pois, no vácuo, a única coisa que resta são os pensamentos do personagem. Ele protagoniza a obra, então, não como símbolo apoteótico, e sim representante de uma personalidade intoxicada. Um dos grandes fantasmas que o papel de Pitt combate, por isso, é o de sua ex-esposa, interpretada por Liv Tyler. Em troca do quê, entretanto, Roy trocou ela?

Para questões como essa, as respostas moram no passado. Lá, quando ainda jovem, o astronauta perdeu o seu pai, não apenas por conta dos problemas que acarretaram o seu sumiço, mas por conta da sua obsessão. Na retomada das relações paternais, costumeiras na carreira do cineasta, como cerne de uma obra sua, aproxima-se uma geração de McBride com a outra, mais velha e que sacrificou bastante na sua vida em troca da conquista sem fim de marcos até então considerados impossíveis. Tommy Lee Jones encarna basicamente o mesmo papel que Pitt, ou seja, o do herói americano, nesse caso desconstruído, responsável pelos maiores triunfos humanos. Enquanto um enxergou o contato com extraterrestres como único propósito possível para a sua existência, o outro visualizou o seu sentido na retomada dos mesmos passos dados por aquele pai omisso e agora perdido. Logo, partindo do princípio de uma experiência de quase-morte vivida no início pelo protagonista, a sua jornada busca não somente o contato com o pai, mas a ressignificação de sua própria vida. O contínuo voice-over, pelo espaço, de Pitt, portanto, possui muito a projetar e pensar.

James Gray, porém, é um cineasta que testa a si mesmo nesse processo, por, em contraste aos seus personagens, procurar não esquecer dos valores internos, os que realmente importam para si, na visitação a ambientes externos, menos primordiais, apesar de relevantes como plataforma de impulsionamento. Ele compreende, portanto, o que a grandiosidade do cinema de gênero pode, tanto para o bem quanto para o mal, ocasionar nos artistas que se atrevem a explorá-la. Os menos bem sucedidos nisso soterram os seus pensamentos mais íntimos, os seus temas mais clássicos, em prol de uma exploração inócua das possibilidades visuais que têm em mãos – no outro campo de comparação, por isso, encontra-se justo Christopher Nolan, cineasta que nem sempre emerge substância da sua megalomania. No caso do longa-metragem de James Gray, entretanto, o drama é conjugado o tempo inteiro às situações mais idiossincráticas da sua produção – como o ataque de um primata que mais tarde se revela como essencial para o protagonista encarar diretamente uma realidade acerca da vida -, que permitem o arco do personagem principal ganhar combustível.

Um dos elementos fundamentais para os momentos dramáticos do longa ganharem sustento, na realidade, é a contextualização de Roy McBride como uma pessoa bem fria, conseguindo resistir aos momentos mais alarmantes sem estressar-se. Esse casulo, porém, é rompido paulatinamente, até chegar a níveis mais extremos – vide a sua espera ansiosa pelo término de sua solidão. Gray impressiona na direção, no caso, por conseguir manejar o drama ao espetáculo. Quando, então, um enfrentamento na Lua entre piratas espaciais e os astronautas principais se inicia, essa caracterização arquetípica do personagem é novamente colocada à prova, para ser questionada pontualmente e danificada. Em cena, no mais, Donald Sutherland termina sendo um contraste para o protagonista, pois perturba-se com a iminência da morte – não equivoca-se, aliás, quem apontar os coadjuvantes, como Ruth Negga, mesmo operantes à serviço de um objetivo dramático, como os pontos menos inspirados da obra. Desse jeito, um paralelo entre viver e morrer ganha contornos expressivos para Roy, que capta como, noutras situações, em meio à solidão, a vida perde sentido.

O significado que o astronauta anseia, contudo, encontra-se com James Gray. Ele compreende a corrupção que as ambições, como a do protagonista e como a de seu pai, causam nas mais puras relações pessoais, e insere, assim, esse seu conhecimento na trajetória do protagonista para ser uma resolução. Por meio de viagens espaciais, nessa primeira vez em que Gray se atreveu a pisar no cenário dos grandes orçamentos cinematográficos, o otimismo do artista, com isso, construído de longa a longa, encontra o seu respaldo mais significativo. Em sua primeira ida ao Espaço, por conseguinte, o artista comprova sua capacidade de sustentar o épico – que se permite ser épico já pela cinematografia – com o drama. Ele impede o esvaziamento de virtudes, que se entregariam a um cosmos capturado enquanto fim, não meio para propor um pensamento tão maior, universal, quanto íntimo. O vácuo do Espaço não só é espetacular, como assustador. Logo, em contrapartida a uma exploração apenas dos arcos pessoais, inclusive o teor mais grandiloquente em questão – a construção proposta de mitologia – é capturado pelas camadas restauradoras da obra do cineasta.

No mundo imaginário que Gray apresenta – com co-autoria no roteiro de Ethan Gross -, os seres humanos já colonizaram a Lua e até Marte, desbravando, pois, territórios nunca antes explorados. Mesmo assim, como cenas pontuais descrevem – vide a mera existência de piratas -, apesar da conquista de novos mundos, a humanidade, em simultâneo, permanece perdida – uma marciana, por exemplo, comenta sobre nunca ter conhecido a Terra. Por pouco tempo, consequentemente, Roy McBride estará em território terráqueo, já que sua jornada encontra-se no Espaço. O resgate, contudo, é da conexão do homem com a Terra, com o próprio homem, porque, do ponto de vista de Gray, o ser soa cada vez mais distante das suas raízes, do contrário ansiando grandezas vazias. Ora, a missão do protagonista é justamente impedir um apocalipse. Logo, por meio da conjugação do maior escopo narrativo do seu projeto com o menor, pretende-se uma reconciliação no cinema de Gray que busca a nossa reconciliação com nós mesmos. O seu longa-metragem, assim sendo, nos leva aos astros, mas para nos incentivar a viver e amar por aqui, nesse milagroso planeta azul.

Ad Astra: Rumo às Estrelas (Ad Astra) – EUA, 2019
Direção: James Gray
Roteiro: James Gray, Ethan Gross
Elenco: Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Ruth Negga, Donald Sutherland, Liv Tyler, Jamie Kennedy, John Ortiz, Greg Bryk, Kimberly Elise, Loren Dean
Duração: 124 min.

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89 comentários

José Barbosa 1 de janeiro de 2021 - 23:21

Bom filme, mas obra-prima é a Chegada, e este não chega perto. Um filme nota 8.

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Gabriel Leão Buendía 5 de agosto de 2020 - 10:45

gostei mais deste do que Interestelar, mas preferi A Chegada e Gravidade. Mas é um ótimo sci-fi.

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Rubia Amorim 15 de junho de 2020 - 14:33

Achei esse filme lindo, tão poético, tão belo, sobre relações humanas, filosófico, antropológico, lindo mesmo.

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Eduardo Roque 11 de maio de 2020 - 22:20

Gent, acho q vo6 assistiram outro filme. Q filme chato da porra!!! Brad Pitt tinha somente 2 expressões: com e sem capacete. Façam-me o favor…sem mais

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Felipe Augusto 15 de fevereiro de 2020 - 02:10

Ótimo filme, ótima crítica. Adorei O Primeiro Homem e adorei Ad Astra igualmente, vi mtas similaridades entre eles, a fotografia, trilha, a frieza dos protagonistas, o tom intimista, familiar, em contraponto às grandezas das missões. Me surpreendi c Pitt aqui, saiu de sua linha corriqueira de atuação e personagens, q presente James Gray deu a ele e ele dá um show, sensacional! Salvo alguns desleixos técnico-cientificos e conveniências, é um grande filme e achei o final perfeito! Uma pena q mta gente está mal acostumada c as grandes produções e não aprecie filmes e finais desse tipo, mas em geral li várias críticas bem positivas.

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Leonardo Raimundi 12 de fevereiro de 2020 - 23:16

Essa comparação com Apocalypse Now: não foi Coppola que inventou a busca por alguém, não foi Joseph Conrad, não foi o autor de I Samuel, não foi ninguém, é um arquétipo e Gray sabe disso. É um filme altamente simbólico, metafórico, onde até o sur-real está à serviço do sentido.

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Marco Aurélio Souza Brito 13 de dezembro de 2019 - 10:25

Excelente crítica. E creio que a baixa qualidade intelectual dos filmes de heróis de quadrinhos contribui para a percepção de alguns que aguardam um final apoteótico. O que de melhor o filme trás é a reflexão que permite olhar para o Cosmos existente em cada um de nós.

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Gabriel Carvalho 9 de janeiro de 2020 - 02:54

É um filme tão poderoso nesse sentido… Realmente me entristece as pessoas não estarem enxergando essas virtudes que enxergo no cinema de Gray.

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cristian 11 de outubro de 2019 - 13:15

Depois de revisto os problemas persistiram… O ataque dos macacos não faz sentido, e pra piorar o capitão tinha um canal de áudio sempre aberto, foi atacado, o visor quebrado, a cara comida e ninguém ouviu nada… Em Marte uma personagem que perdeu os pais por culpa das loucuras do personagem do Tommy Lee, ajuda ele do nada… A tripulação da nave não é lá muito inteligente… Se fosse para se matar o
McBride pai já poderia ter feito, sabendo que viram atrás dele, mais prefere se matar na frente do filho…São detalhes que acumulados parecem muleta de roteiro pra fazer a historia andar ou causar algum impacto momentâneo apenas…

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Marcos Leandro Vargas 6 de dezembro de 2019 - 19:46

baita decepção. o final mais morno que eu já vi. os “caras” ficam com medo de criticar só prq tem a figura do Pitt em cena.

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Gabriel Carvalho 9 de janeiro de 2020 - 02:54

Um dos finais mais poderosos que vi dentre os filmes dessa década.

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Jadiel 9 de outubro de 2019 - 00:06

Ao terminar a sessão meus amigos estavam todos reclamando que o filme era chato demais. Entendo eles, afinal a grande maioria sabe pouco ou nada sobre fotografia, direção, montagem e, enfim, a arte de fazer cinema, então com certeza não iriam ficar tão impressionados com o filme como eu fiquei.

Uma obra prima visual, eu diria. Em termos de comparação, esse filme é um Gravidade com teor mais contemplativo e menos ação. Ainda que eu considere o filme de Cuarón superior a este.

Brad Pitt é um monstro atuando. Sutil, muitas vezes, e explosiva quando o filme necessita. Tommy Lee Jones está excelente, como sempre (acho que essa é a frase mais usada pra descrever a atuação dele kkkkkkk).

Como pontos negativos apontaria algumas facilitações narrativas que ocasionalmente me tiravam do filme, mas nada muito grave, e a passagem de tempo, feita de forma simples demais, o que afetou, na minha opinião, a forma como o filme explorou a solidão no espaço. Acredito que seja um tema bastante profundo e esse filme deu um mergulho nele mas logo voltou à superfície.

Sinto que preciso assistir novamente este filme para pegar todos os detalhes que nessa primeira vez não peguei, talvez por estar impressionado com a beleza técnica. Ainda assim, um filmaço. Nota 9/10.

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JC 8 de outubro de 2019 - 20:46

Bem…vamos lá.
Amei o filme completamente até o final.
Como eu leio DEMAIS sobre o espaço….achei meio estranha essa velocidade de comunicação …mas vá lá …alguma tecnologia nova.
Beleza!

Gostei tanto que achei que o filme só teve uns 20 minutos. Sério. Não achei nada chato em momento algum.
Nada nada. Nem a Ruth Negga que acho bem enjoadinho caiu mal.

Mas o finalzinho….me deixou meio ….mehhhhhhhhhhh.

Não sei se esperava algo apoteótico, vide Interatellar…..2001…..

Mas outra coisa que me incomodou bastante foi a volta MUITO rápida dele para a terra.

Não mensuram os dias….mas pelo jeito que foi feito….ficou parecendo que ele só foi ali e voltou de boas do rolê.

Isso pra mim deu uma estragada no MEU sentimento com o final.

Mas o filme até chegar nisso.
Caraca.
Amei MESMO.

Tava lendo uma comentários abaixo…como e que alguém escreve ” Meu gosto é excelente”
Caraca……. noção que é pouca falta muito.
Afe!

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alfonses 30 de dezembro de 2019 - 19:04

e no final que o brad pitt PULA da nave do pai pra nave dele, eram alguns bons quilometros de distancia… imagina o agachamento do menino!

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Diego V 2 de outubro de 2019 - 11:13

Perfeita sua crítica. Acredito que o pessoal esteja meio mal acostumado com filmes de herói e aquela trilha sonora que arrebata (estilo Vingadores) e todo aquele ápice, e talvez a expectativa do Joker e aquela insanidade, quando na verdade o filme sempre propôs uma discussão mais filosófica internalizada, sobre o personagem e seus conflitos e a discussão sobre as ambições que o ser humano tem no geral. Ele aprendeu a ser pragmático pra sempre manter o controle quando na verdade ele não tem controle de nada, pois cada vez mais se sente só e perdido e vai perdendo as pessoas ao redor (não gosta nem que o toquem). Na jornada com o pai dele e essa ruptura entre o ele parecido com o pai x a sua própria personalidade ele começa a compreender que o caminho não é necessariamente um suicídio em prol do nada. Ele mesmo percebeu as variadas descobertas do pai dele em todos aqueles anos, então conseguiu absorver o que era necessário acima do que o pai dele com 30 anos de pesquisa não conseguiu. As vezes a gente procura tanto certas coisas na vida, quando na verdade elas sempre estiveram ali.

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Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:03

Obrigado pelo feedback positivo, Diego. Eu me emocionei muito com todo o encontro entre Pitt e seu pai.

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Diogo Maia 1 de outubro de 2019 - 19:22

Ad Astra tem um visual impecável, uma trilha sonora bem imersiva e uma atuação digna de Oscar tanto do Pitt quanto do Lee Jones, mas acho que é uma ficção científica menor comparada a outras do gênero mais recentes, como First Man, Gravity e The Martian. Muitas cenas que se prolongam demasiadamente, excesso de off, um roteiro parecido demais com o de Apocalypse Now e contém uma sequência de uma sucessão de erros intoleráveis de profissionais que deveriam ser frios e astutos como os astronautas. Nota 8/10.

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Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 21:09

Eu não acho “Ad Astra” menor do que esses longas não. Eu gosto de todo o timing contemplativo e devastador do filme, o excesso de off eu não encaro dessa forma – até porque carrega um peso dramático inevitável -, o roteiro guarda similaridades muito básicas com “Apocalypse Now” e não me incomodo com os erros dos astronautas, até porque errar é humano – por isso que Pitt não erra, pois perdeu sua humanidade.

Mas, observação, “First Man” não é ficção-científica.

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Diogo Maia 4 de outubro de 2019 - 22:09

De acordo, seria mais um filme de aventura que sci-fi, mas a temática “viagem ao espaço” é parecida.

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Gabriel Carvalho 6 de outubro de 2019 - 13:06

Certamente! E, além desse ponto, em outros aspectos as obras são parecidas. Quando chega no espaço, Neil Armstrong relaciona aquela grandiosidade toda com a sua vida íntima, com a sua perda pessoal. É o mesmo princípio aqui.

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Teco Sodre 1 de outubro de 2019 - 15:26

Não sei se foi o alto hype que sentia antes da sessão, mas não achei esse filmaço todo… Eu tinha visto dois trailers, e aquele lance de relação pai-filho, pensei: ‘caralho, já vi que vou chorar muito nesse filme’. Eu tinha vindo aqui e visto sua nota, 5 estrelas, e eu pensando ‘UAU, vou sair do cinema embasbacado’. Não aconteceu. Achei um bom filme, com uma excelente interpretação do Pitt, alguns momentos bem memoráveis como a perseguição lunar, porém não consegui me sentir tocado, abraçado e envolvido pelas duas horas de projeção.

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Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

Teco, isso é completamente normal. Cinema é, antes de tudo, subjetividade. Quiçá em uma possível re-assistida à obra daqui a alguns anos, a sua visão se transforme – e você venha até aqui comentar comigo que ela mudou -, ou não, permaneça a mesma.

Eu, pessoalmente, entendo a relação pai-filho mais como uma ponte do que propriamente o fim do filme. Não enxergo como sendo um filme SOBRE pais e filhos, mas muito mais sobre o ser que não se permite viver a vida, que se entregou a uma frieza desumana. E no que tange resgatar a humanidade nas relações humanas eu me sinto muito tocado. Na parte que ele comenta ao pai, “agora sabemos que nós só temos a nós”, eu percebo a amplitude desse discurso. Ora, acho que é até um filme que luta pelo meio-ambiente, no final das contas, por termos que preservar a terra que possuímos, não a que enxergamos no Espaço.

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santos 1 de outubro de 2019 - 08:44

Um filme belíssimo, com poucos mas contundentes diálogos sobre a natureza humana, nosso papel no Universo e a solidão. Uma mistura de Apocalypse Now com Sunshine – Alerta Solar, porém com personalidade própria, mais contida e reflexiva.

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Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:12

Opa, que bom que gostou. É um dos meus favoritos do ano até agora! Para você também?

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Inominável Ser 30 de setembro de 2019 - 10:39

Inomináveis Saudações, Gabriel Carvalho!

Eu amo Ficção Científica, tanto no Cinema como em Literatura, Animação, Séries, Quadrinhos e afins. Como escritor, eu me aventuro nessas linhas narrativas e me agradou bastante ler esta resenha extremamente positiva sobre o filme. Eu confio sempre nas avaliações deste site quando as críticas buscam não influenciar com opiniões pessoais a quem lê. Diferente das críticas que vocês fazem dos filmes da Marvelândia (das quais passo bem longe porque eu considero esses filmes uma grande merda e perda de tempo, obras sem alma e conteúdo), está aqui uma crítica de verdade, bem objetiva e profissional. Vou procurar assistir esta obra, até porque o Brad Pitt e o Tommy Lee Jones são atores que gosto muito.

Responder
Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:12

Carvalhosas Saudações, Inominável Ser.

Eu entendo o seu rejeito extremamente pesado acerca dos filmes da Marvelândia, apesar de não compactuar com ele. Mas entendo. Gostaria que retornasse aqui ao assistir à obra, para discutir o que achou e se concorda com os pontos que levantei!

Abraços.

Responder
Inominável Ser 3 de outubro de 2019 - 18:11

Pensei que meu comentário tinha sido censurado, demorou muito para publicar… Sou da opinião que já deu para a Marvel.

Após assistir o filme, se eu conseguir, retorno aqui.

Responder
Arthur Saraiva 29 de setembro de 2019 - 22:24

(Spoiler)

Um bom filme. Não entendi a escolha de botar o macaco na história, soou para mim como um desvio de trajetória da nave e do roteiro. Deu um pouco de tensão, mas nada como fitar o espaço vazio e as estrelas distantes das outras cenas. A escolha de não explicar muito a parte científica do filme foi inteligente, o Nolan poderia ter seguido o mesmo caminho em Interestelar. E se eu entendi bem, o personagem do Pitt mata as pessoas que salvou e que iam matar seu pai para no final o deixar morrer? hahaha

Responder
santos 1 de outubro de 2019 - 08:44

O macaco provavelmente estava na nave como cobaia e se libertou acidentalmente. Vários chimpanzés já estiveram no espaço como tripulantes.

“E se eu entendi bem, o personagem do Pitt mata as pessoas”

O personagem do Pitt não mata intencionalmente, reveja a cena.

Responder
Diogo Maia 1 de outubro de 2019 - 19:22

O Roy queria ter salvado o pai, mas o personagem do Tommy Lee Jones praticamente comete suicídio. O Roy também não queria ter matado o resto da tripulação, tanto é que ele fala “eu não sou uma ameaça”, mas aí acontece aquela sequência digna dos Trapalhões e ele basicamente mata todo mundo.

Responder
Diego/SM 2 de outubro de 2019 - 00:57

Ou seja, tal pai, tal filho, assassinos de tripulação rsss… agora, véio desgraçado – o cara cruza literalmente meio Universo pra achar ele e o tiozão resolve não voltar junto e simplesmente se jogar no espaço (embora eu considere essa talvez a mais bela morte que se possa ter)…

Responder
Diogo Maia 2 de outubro de 2019 - 14:17

Era o único final possível.

Diego/SM 2 de outubro de 2019 - 00:57

Pois é… até a “O Planeta dos Macacos” o filme meio que faz uma menção rss (percebi, no mais, um balaio de “2001”, “Solaris”, “Apocalypse Now” e até o recente “A Chegada”, este último acho que mais pela narração em off e a “questão familiar” envolvida)

Responder
Diogo Maia 1 de outubro de 2019 - 19:22

Aquela cena em que a tripulação inteira morre foi demais para mim. Como astronautas, que deveriam ser frios e astutos, podem ter cometido tantos erros e trapalhadas em tão pouco tempo? Além disso, como deixaram um covarde desequilibrado como copiloto da missão? Mesmo assim eu curti o filme.

Responder
Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

Eu entendo como uma contraposição entre a humanidade desses personagens, passíveis de erros, e a desumanidade de Pitt, que não comete erros. Os caras não queriam matar alguém que tinha acabado de salvar as vidas deles.

Responder
Pablo 28 de setembro de 2019 - 20:37

Também achei um filmaço, vi muita gente reclamando que ela lento demais, mas isso não me incomodou… a atuação do Brad Pitt é ótima e direção do James Gray muito boa.

Responder
Gabriel Carvalho 29 de setembro de 2019 - 20:38

James Gray é um puta cineasta… Recomendo seus filmes!

Responder
Pablo 30 de setembro de 2019 - 10:10

Já tinha assistido o filmaço “Z: A Cidade Perdida”, ele é um diretor muito bom mesmo.

Responder
Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

Agora tem que partir para os mais antigos!! “Little Odessa”, “The Yards”, “We Own the Night, “The Immigrant”. Traremos críticas desses filmes com o tempo!! Fique ligado!

Responder
Matheus Luis 8 de outubro de 2019 - 20:46

No aguardo! Ad Astra é um dos meus preferidos do ano e vou procurar os outros filmes desse diretor. Aliás, ótima crítica!

Gabriel Carvalho 9 de outubro de 2019 - 18:10

Valeu, meu caro! Um abraço!

Gabriel Filipe 28 de setembro de 2019 - 09:04

Eu petendo ver o filme essa semana e ouvi dizer que essa é a pior interpretação do Brad Pitt, vc concorda?

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 12:55

Com todo respeito à ideia de que as pessoas podem ter múltiplas interpretações, quem disse isso é meio maluco…

Responder
Gabriel Filipe 29 de setembro de 2019 - 08:43

Vi o filme ontem e terei q concordar com você. Ele tá mt bem

Responder
Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

E o filme? Gostou?

Responder
Gabriel Filipe 17 de outubro de 2019 - 09:03

Sim, o filme é sensacional

Gabriel Carvalho 22 de outubro de 2019 - 10:03

Que bom que curtiu!

cristian 2 de outubro de 2019 - 11:12

O filme pode ter problemas mais a interpretação dele com certeza é um dos pontos altos

Responder
Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

Po, quais problemas que você enxergou?

Responder
cristian 3 de outubro de 2019 - 16:01

Confesso que vou rever o filme pois fiquei com algumas dúvidas sobre alguns aspectos, mais achei que a história em geral teve alguns “gaps” que não encaixam, o ritmo poderia ser melhor trabalhado, algumas cenas já ditas aqui ficaram meio fora de contexto. Também tive alguns problemas com gravidade na primeira vista, na segunda se desfizeram, então quem sabe rs

Responder
JGPRIME25 27 de setembro de 2019 - 20:21

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Eu quero assistir, mas tem Coringa na semana que vem.

Responder
Carlos Bruno 27 de setembro de 2019 - 23:05

Vou assistir os dois hehehe

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Assim que é bom.

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Dois grandes possíveis concorrentes ao Oscar.

Responder
Elton Miranda 27 de setembro de 2019 - 16:19

Gabriel dando 5 estrelas=? como assim=?

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Nem me lembro da última vez que dei 5 para lançamento…

Responder
Arthur Castro 27 de setembro de 2019 - 16:19

Engraçado, só tinha visto críticas negativas até então! Fiquei animado pra assistir agora

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Onde que viu críticas negativas? Quais eram as opiniões das pessoas?

Responder
Pt Andrade 28 de setembro de 2019 - 12:30

A crítica elogiou, já o público ao diz que é cansativo e que gastaram ingresso a toa, na propria página do film no face

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 20:27

Acho que é perigosa essa generalização… Também já vi críticos que não gostaram, e pessoas “normais” – você entendeu – que gostaram.

Responder
Diego/SM 2 de outubro de 2019 - 01:07

Achei um bom filme – umas 3 estrelas (3 e meia talvez)… não achei tão profundo quanto imaginei pelo que tinha lido (ou sou meio burro e não saquei mesmo rsss)… mas, a grosso modo, a lição do “não precisamos ir tão longe atrás de respostas e às vezes basta olharmos ao nosso redor” (que acho que resume o filme – ao menos na minha humilde percepção) me lembrou o diálogo do final do filme brasileiro “Casa de Areia”, entre as duas Fernandas Montenegro na casa entre as dunas dos lençóis maranhenses onde as gerações da família haviam vivido por décadas (Algo como – “O homem chegou na lua…” – “E o que ele encontrou lá?…” – “Areia… só areia”)

Responder
Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

Boa analogia. Eu achei EXTREMAMENTE profundo o filme – pelas razões que explicito no texto e se você quiser conversar mais sobre elas, estou à disposição -, mas isso não tem nada a ver com eu ser mais inteligente do que você. É apenas uma visão mesmo, apesar da sua ser completamente possível!

Alexandre Tessilla 27 de setembro de 2019 - 10:43

Crítica magnífica! Ultimamente os filmes com esse tema (viajem, exploração espacial) têm sido muito interessantes. Espero que esse me cause o mesmo impacto que Interestelar, ou quem sabe vá até além.

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Valeu, Alex! Eu curto muito filmes assim.

Responder
Cahê Gündel 27 de setembro de 2019 - 10:24

Não é possível. Não é possível. NÃO É POSSÍVEL!

Cinco estrelas? A maioria das críticas que li eram elogiosas, mas ficavam ali pelo 8 ou 9 de nota, nota máxima ainda não tinha visto. Ansiedade nas alturas pra assistir, agora mais ainda, tudo que vi do James Gray até agora foi excelente.

Responder
Gabriel Carvalho 27 de setembro de 2019 - 15:03

O que o James Gray realiza aqui é sem duvidas impressionante. A quantidade de camadas que ele deposita na relação entre o drama e o gênero da ficção científica… O cara manja muito dessas narrativa classiconas, mas que ainda assim soam originais, e não genéricas. Cara desenha seus personagens de uma maneira belíssima.

Responder
Rene Had 27 de setembro de 2019 - 17:24

Nossa mas cinco estrelas já acho exagero teu. O filme é bom, mas alguns momentos bem sonolentos e que me fez lutar contra o mesmo. O filme realmente tem momentos grandiosos e que nos faz pensar, mas está longe de ser sensacional

Responder
Gabriel Carvalho 27 de setembro de 2019 - 18:24

Nossa, mas causar sonolência é um critério muito particular, né?? Eu em nenhum momento fechei os olhos. “2001: Uma Odisseia Espacial” é considerado um dos grandes da história, mas ouço inúmeras pessoas apontarem que na primeira vez que elas o assistiram dormiram

Responder
Rene Had 28 de setembro de 2019 - 15:30

Sim, mas claro que isso não me afetou a minha imersão no filme. Ele é excelente, nos faz pensar, e sem dúvida no futuro será considerado um clássico da ficção científica.

Rene Had 28 de setembro de 2019 - 15:30

Sim, mas claro que isso não me afetou a minha imersão no filme. Ele é excelente, nos faz pensar, e sem dúvida no futuro será considerado um clássico da ficção científica.

Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 20:37

Uma das vezes que saí do cinema com a certeza de que será um filme cultuado no futuro, como hoje cultuamos os nossos clássicos.

Rômulo Estevan 27 de setembro de 2019 - 22:48

Exagero na minha opinião é dizere que o filme tem cenas sonolentas, ao meu ver teu gosto pessoal não torna o filme menos sensacional.

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Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Curtiu mesmo, Rômulo?

Rene Had 28 de setembro de 2019 - 15:30

O meu gosto pessoal é excelente. Mas é inegável que esse filme em alguns momentos é arrastado, mas nem por isso achei ele ruim, muito pelo contrário, achei um grande filme.

Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 20:37

“O meu gosto pessoal é excelente”: Eu não entendi muito bem o que quis dizer com isso, mas BELEZA!

Não acho nenhum pouco “inegável” o comentário de que o filme é arrastado, porque não concordo com isso. Lembre-se: tudo não passa de subjetividade. No meu caso, não enxergo esse arrastamento, mas um paciente desenrolar narrativo que sempre possui algo de substancial a pontuar.

Rene Had 29 de setembro de 2019 - 11:56

Você não entendeu? Você tem algum problema de.retórica ou dislexia? Falou super mega crítico que acha que sabe tudo

Gabriel Carvalho 29 de setembro de 2019 - 18:53

Eu tenho sim um problema disléxico, e peço respeito da sua parte. Por favor.

Rene Had 30 de setembro de 2019 - 17:08

Que bom, já é um começo para um posterior tratamento. Fica a dica.

Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 14:18

Tem texto de “Coringa” no ar. Filme fala sobre doença mental.

Rene Had 3 de outubro de 2019 - 12:41

E aí, houve alguma identificação? Se quiser uma ajuda posso te dar algumas dicas de tratamento borderline

Cahê Gündel 27 de setembro de 2019 - 19:39

Acabei de ver e concordo contigo, esse filme já tem um lugar cativo no meu coração.

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

No meu também. Mas se bem que James Gray já estava lá.

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Ruqui 27 de setembro de 2019 - 16:40

É que não tem animais no espaço.

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Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2019 - 02:20

Pior que tem UM!

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ABC 30 de setembro de 2019 - 17:29

Tem sim, e, talvez pelo modo que foi retratado no filme, a nota tenha sido alta.

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Gabriel Carvalho 2 de outubro de 2019 - 20:21

Tem que explodir macaco mesmo.

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Diego/SM 3 de outubro de 2019 - 15:20

Tem que explodir antes que ganhem muita moral nessas bandinhas no espaço e em seguida acabem deixando só a cabecinha da Estátua da Liberdade de fora da areia, os safados!… : )

ABC 5 de outubro de 2019 - 21:52

Pela explicação do personagem Brad Pitt explodir o macaco foi o de menos, até pq animal com “raiva espacial” tem que ser sacrificado mesmo…

Saudações

Gabriel Carvalho 6 de outubro de 2019 - 13:06

Saudações. Você está certo.

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