Crítica | Aelita – A Rainha de Marte

estrelas 1,5

Aelita é um dos filmes do primeiro cinema soviético mais bizarros e “intragáveis” que eu já vi. O diretor Yakov Protazanov seguiu a linha o realismo socialista para contar sua história (uma adaptação da peça de Aleksei Tolstói — não confundir com Liev Tolstói), e produziu um filme que conta a história de um engenheiro da Moscou revolucionária que constrói um foguete e vai para Marte, planeta controlado pela Rainha Aelita.

O governo de Aelita é uma monarquia absolutista. Os marcianos sofrem a opressão (tal qual os russos à época do czar Nicolau II) mas não fazem nada para mudar a situação política ou social em que vivem, até que a tal nave soviética chega ao planeta e tenta implantar a Revolução Socialista. Nesse ponto, o diretor adota uma narrativa paralela: a Revolução em Marte e a Revolução na Terra são vistas ao mesmo tempo, cada uma em um estágio diferente, mas Protazanov não acerta a mão em nenhum dos dois lados.

Por incrível que pareça, os novos ventos políticos dão mais certo em Marte que em nosso planeta (se é que dão certo em algum lugar, ao menos a longo prazo e fora da teoria). Alguém poderia fazer uma leitura do “funcionamento da Revolução”, mas eu vejo o enredo do filme apenas como um péssimo roteiro, nada mais, nada menos.

Exceto por umas poucas sequências de muito bom gosto estético e cenografia bem desenhadas, o filme é risível. Os figurinos da Rainha Aelita são dignos de uma estranha rainha marciana, tal a horrenda caracterização planejada pela figurinista Alexandra Exter. A interpretação afetada dos atores (influência clara da FEKS e desse momento ainda teatral, embora em fase de libertação, do cinema) junto à ideia da ficção científica aliada ao socialismo não funcionaram muito bem.

Aelita é um dos piores filmes da fase áurea do Cinema Revolucionário Soviético (que tem excelentes exemplares), mas, justamente pelo tema e pelas estranhezas sem par, deveria ser visto por cinéfilos dotados de muita paciência e com espaço de sobra para filmes estranhos na lista do mês.

Aelita – A Rainha de Marte (Aelita) – URSS, 1924
Direção: Yakov Protazanov
Roteiro: Aleksei Fajko, Fyodor Otsep, Aleksei Tolstoy
Elenco: Yuliya Solntseva, Igor Ilyinsky, Nikolai Tsereteli, Nikolai Batalov, Vera Orlova, Valentina Kuindzhi, Pavel Pol, Konstantin Eggert, Yuri Zavadsky, Aleksandra Peregonets
Duração: 111 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.