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Crítica | “After Laughter” – Paramore

por Handerson Ornelas
106 views (a partir de agosto de 2020)

After Laughter parece o nome perfeito para intitular e resumir o quinto álbum da carreira do Paramore: colorido, divertido, honesto e com aquele doce sabor de pop inocentemente açucarado. “Depois do riso” – como pode ser traduzido o nome – evoca os momentos leves da vida e demonstra um pop feito essencialmente com o coração, além de uma competência instrumental admirável. Um pop agridoce típico do movimento pós-punk, recheado de uma sonoridade alegre e ensolarada, conflitante em relação às letras sempre devotadas a um olhar um tanto platônico sobre as imperfeições da vida.

Quando foi liberado o primeiro single, Hard Times, uma surpresa tomou conta do público. A banda que já havia passado pelo punk, emocore e pop agora estaria chegando ao indie pop? O segundo single – a maravilhosa Told You So com suas doces guitarras e seu delicioso refrão chiclete – comprovava que era mesmo esse caminho que Hayley Williams e sua trupe tomariam.  É um mistério como o retorno do baterista Zac Farro realmente afetou o processo criativo do grupo, mas se a controversa mudança de formação no álbum anterior – Paramore (2013) – dividiu opiniões, aqui vemos um time muito bem estruturado e ciente do que estão fazendo. O amálgama de pop oitentista e pop moderno é extremamente bem executado, realizado com muita química e dinamicidade entre os integrantes.

Há uma certa influência do aclamado Emotion de Carly Rae Jepsen, álbum que fez questão de resgatar uma atmosfera pop retrô e remodelou grande parte das propostas de lançamentos na indústria. A diferença é que, se o trabalho de Carly muitas vezes soava piegas ou datado, o que é executado pelo grupo americano consegue trazer traços bem mais modernos. Veja como Fake Happy insere uma coleção de synths e guitarras tipicamente oitentistas sem necessariamente carregar sua bagagem brega. Grudges possui uma identidade sonora totalmente vinda de The Cure com suas linhas de guitarra suavemente dançantes, mas tudo segue discreto, quase como uma mera piscadela. Já Pool e Rose-Colored Boy soam como uma reformulação e aperfeiçoamento do que o A-Ha e Tears For Fears faziam lá atrás, mas dessa vez sem resquícios de cafonice.

Vale ressaltar que a banda segue caminhos corajosos aqui. Se o típico argumento de que a banda estaria seguindo uma estratégia de mercado mudando para a “nova onda indie-moderninha” podia fazer sentido no papel, ao menos ele não faz na prática. Existe uma maturidade notável no que o Paramore faz aqui, a ponto de fazer tal trabalho se destacar em meio ao atual cenário indie pop. Não estão fazendo canções simplesmente para embalar festinhas, mas, sim, existe uma ideia muito bem estruturada por trás de After Laughter e seu revezamento entre baladas melancólicas e dançantes. A própria presença de uma faixa essencialmente instrumental (No Friend) mostra que o caminho seguido vai muito além de apenas uma mudança de estilo. As canções acústicas, clássico ponto fraco do Paramore, são gratas surpresas aqui. 26 é, provavelmente, a melhor canção acústica já feita pela banda, conversando sobre uma crise de identidade aos 26 anos através de uma construção musical belíssima, grande parte graças aos adornos de percussões que o arranjo adota. O mesmo vale para Tell Me How, balada ao piano que progride muito bem e encerra o disco em ótima forma.

Linhas de guitarras constantemente interessantes, um groove onipresente no baixo tipicamente oitentista, bateria bem executada e excelentes performances vocais de Hayley Williams. Se a banda um dia já foi vista de rabo de olho e com certo desdém por alguns, After Laughter é quase uma risada na cara de tais preconceitos. É pop feito com sinceridade e maestria, bastante acima da média atual de lançamentos do gênero. Uma despreocupada e leve contemplação da vida em tempos modernos, feita pra dar play e se desligar do mundo enquanto embala sua dança.

Aumenta!: Told You So
Diminui!: Forgiveness

After Laughter
Artista: Paramore
País: Estados Unidos
Lançamento: 12 de maio de 2017
Gravadora: Fueled By Ramen
Estilo: Pop, Indie Pop

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5 comentários

Matheus Nascimento 22 de maio de 2017 - 13:21

Ótima critica! Também amei esse álbum (e não estou surpreso, não esperava menos deles haha). Senti uma boa inspiração em HalfNoise (banda do Zac), principalmente em “Grudges”, e isso é bom! E, apesar de estarem beeem mais pop, ainda consigo perceber uns toques punk que só Paramore sabe fazer (pode ser pira minha kk). E só acrescentando, “After Laughter”, segundo a própria Hayley, simboliza aquele sentimento pós-riso em que parece que percebemos que ainda somos pessoas tristes, meio que estamos felizes mas voltando à realidade, e eu realmente vejo isso, pq sem duvida esse é o álbum mais “sad” deles (contrastando assim com as melodias dançantes). Bora todo mundo chorar enquanto dança!
Minha favorita: Fake Happy
Não fui com a cara: Forgiveness

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Lucas Maia 18 de maio de 2017 - 19:46

Ah, morri de amores por esse disco. Bem melhor do que o anterior que soava como um pop que ainda queria ser um punk e emocore, sei lá.. Aquele disco é tão estranho que não sei nem o que dizer. Mas esse fez eu me voltar para a banda da mesma forma que eu era antes de 2013.

Adorei e pretendo comprar o meu exemplar dele.
Ps.: Como fã de Paramore, agradeço a crítica muito bem escrita!

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Handerson Ornelas. 19 de maio de 2017 - 19:26

Obrigado! Eu até gosto do disco anterior, mas acho After Laughter bastante superior.

Grande abraço!

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Gabriel 17 de maio de 2017 - 20:39

Um álbum incrível!

Me deliciei do início ao fim. Não fosse três faixas ruins, seria um trabalho impecável.

PS: Terá crítica do disco (maravilhoso) do Harry Styles?

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Handerson Ornelas. 19 de maio de 2017 - 19:25

Terá sim! Muita gente pedindo hahahaha sai nos próximos dias.

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