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Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X13: One of Us

por Ritter Fan
101 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2

Aviso: Há SPOILERS na crítica. Leia as críticas dos outros episódios, aqui.

O foco de One of Us foi a criação da “Liga dos Mulambos Ordinários” por Cal (Calvin Zabo, vivido por Kyle MacLachlan), mais conhecido como o pai de Skye, para atacar o Diretor Coulson e seus agentes. Se, por um lado, fica óbvio que essa trama jamais poderia ir em frente, pelo caráter quase satírico dela, de outro ela não deixa de passar aquela sensação de que acabamos de ver um episódio filler, sem história efetiva para contar.

Apesar do aspecto de mendigo e da relativa inutilidade de cada um dos membros recrutados por Cal, a presença constante de Kyle MacLachlan, que costumeiramente só faz pontas, é um prazer. Seu personagem convence a cada segundo como um louco varrido tentando passar por pai amoroso e marido devastado pela morte da esposa. Ele transita perfeitamente entre amargura e tristeza em um momento e, logo no outro, obsessão e insanidade. Além disso, na ótima conversa em um restaurante com um grupo, sua ligação mais evidente com sua contrapartida nos quadrinhos, Mr. Hyde, é escancarada: sua aparente super-força (cuja abrangência ainda não foi realmente vista) é resultado de uma fórmula que ele inventou, exatamente como o supervilão das HQs inspirado na obra de Robert Louis Stevenson.

Mas sua presença, por si só, ainda que agradável e divertida, não justifica o episódio. Os vilões que formam a equipe mulambenta são: Wendell Levi, uma espécie de gênio, vivido por Ric Sarabia; Francis Noche, um homem com super-força nos braços, vivido por Geo Corvera; Karla Faye Gideon, uma mulher com garras no lugar de unhas, vivida por Drea de Matteo (a Wendy, de Sons of Anarchy) e David Angar, com poderes vocais que lembram de longe os de Raio Negro, rei dos Inumanos, vivido por Jeff Daniel Phillips. Os dois primeiros foram criados para a série, mas Gideon e Angar, a primeira em versão bem diferente, mas o segundo bem parecido, foram retirados dos quadrinhos, ambos com ligações históricas com o Demolidor (o que me leva a crer, considerando a vindoura série do herói pelo Netflix, que a escolha não foi mera coincidência). Não são meta-humanos, inumanos ou algo semelhante, apenas da categoria enhanced, ou seja, sofreram algum tipo de intervenção humana para se transformarem no que são e, como tal, não são nem de longe páreo para a equipe de Coulson.

Com isso, a grande “batalha final” é quase que uma brincadeira cujo único objetivo é mesmo a aparição repentina do Inumano sem olho Gordon para teletransportar Cal dali. O que fica, porém, é uma sensação de vazio, de perda de tempo, já que a trama não avança além da introdução desses personagens que, suspeito, não terão muito futuro na série (eu pelo menos espero que não tenham, pois não são muito melhores do que “cospobre” em termos visuais e não mais do que uma linha no roteiro em termos de construção narrativa).

Sim, aprendemos o  que a S.H.I.E.L.D. faz – ou fazia – com essas pessoas, mas a explicação no roteiro não convence. Afinal, porque uma entidade global que lida com ameaças extraterrestres se preocuparia com uma vilã que tem pequenas facas no lugar de unhas? E facas essas “aparafusadas” na mão e não algo do mesmo naipe do que vemos com Wolverine e todos os seus “filhotes”.

Mesmo a tentativa de dramatizar o sofrimento de Skye falha. É mais do mesmo, com a inclusão de um novo personagem, o Dr. Andrew Garner (Blair Underwood), psiquiatra e ex-marido de May. A dinâmica entre o ex-casal começa até interessante, mas não tem tração e o estudo de caso que Garner faz de Skye é simplista e bobalhão demais, além de acabar tão repentinamente quanto começou, sem acrescentar nada de efetivo à história.

A única exceção – mas que confirma a regra, é a interação de Mack com Hunter, que levou à revelação de que aparentemente existe uma “verdadeira S.H.I.E.L.D.”. As hipóteses são mil. Pode ser Fury, Ward ou até mesmo uma enganação da Hydra ou outra agência dos quadrinhos como a S.W.O.R.D. ou a H.A.M.M.E.R. A curiosidade foi, definitivamente, aguçada.

One of Us é, espero, um soluço nessa 2ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. Faltam ainda muitos episódios e os Whedon têm conseguido evitar fillers de forma bem eficiente e confio que esse desvio tenha sido apenas isso mesmo e que a série voltará aos eixos em Love in the Time of Hydra. É torcer.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2X13: One of Us (EUA, 2015)
Showrunner: Joss Whedon, Jed Whedon
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: Monica Owusu-Breen
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, J. August Richards, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Brett Dalton, B.J. Britt, Nick Blood, Adrian Pasdar, Hayley Atwell, Kenneth Choi, Neal McDonough, Henry Simmons, Brian Patrick Wade, Henry Simmons, Dylan Minnette, Kyle MacLachlan, Reed Diamond, Simon Kassianides, Adrianne Palicki, Tim DeKay, Jamie Alexander, Eddie McClintock, Blair Underwood, Drea de Matteo, Jeff Daniel Phillips, Geo Corvera, Ric Sarabia
Duração: 43 min.

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13 comentários

Awos95 10 de abril de 2015 - 07:27

Esse episodio foi tão, mas tão galhofa que eu até me diverti XD
Cal é sempre entretimento certo, apesar que acho que ele foi exageradamente coringa nesse ep, ele continua divertido, e com o Gordon aparecendo no final foi realmente interessante pra confirmar que o Cal tinha uma boa ligação com os Inumanos, e que eles tem suas formas de acalmar as coisas

Mas uma coisa que não entendi no ep inteiro, qual é a das garras da Gideon? ela simplesmente tinha aquelas garraras parafusada? não dava pra simplesmente as desparafusar em vez de todo aquele aparato mecânico? eu não consigo entender e-e

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planocritico 10 de abril de 2015 - 15:24

@awos13:disqus, foi mesmo, mas acho que fugiu tanto do propósito do resto da série que fiquei incomodado. Mas gosto muito do MacLachlan e sua presença constante ajudou na internalização do episódio!

Sobre as garras da Gideon, sim, elas parecem ser só lâminas “aparafusadas” nos dedos dela. Ridículo. Sem comentários…

Abs,
Ritter.

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Awos95 15 de abril de 2015 - 21:18

Realmente, o clima tava bem mais pra um ep ruim das series da DC

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Kate Bishop 20 de março de 2015 - 18:54

Só quero Grant Ward… é pedir demais? :c
Imagina se essa coisa de “nova S.H.I.E.L.D.” é coisa dele? (sonhaaar mais um sonho impossível… (8′)
De qualquer forma, eu espero muito mesmo que o povão da produção não tire o foco da H.I.D.R.A. – que estou sentindo falta, aliás – e ponha pra essa “nova S.H.I.E.L.D.”. Seria insuportável. A não ser que o líder seja o Ward :3
Já disse que não gosto de episódio-enche-linguiça? Pois é. Não gosto. E esse foi um deles. Muita ponta solta, informação desnecessária (a cidade natal do Phil, por exemplo; essa informação não acrescentou em nada ‘-‘) sem conclusão… e falta de Ward.
Só espero que Love in Time of Hydra me traga sorrisos. Só o nome já me traz <3

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planocritico 21 de março de 2015 - 20:29

@disqus_9paX1rzmCV:disqus, também quero a volta do Ward e acho que ele já volta agora no próximo episódio. Não tem como ele ficar longe muito tempo.

Abs
Ritter.

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Diego Linhares 20 de março de 2015 - 00:24

Essa nova Shield deve odiar aliens…

Responder
planocritico 20 de março de 2015 - 16:48

@diegolinhares:disqus, seria um conflito interessante e um caminho para a criação da S.W.O.R.D. Vamos ver!

Abs,
Ritter.

Responder
jcesarfe 19 de março de 2015 - 11:48

Como era de se esperar, não iam manter o ritmo dos 2 episódios anteriores, mas da pra perdoar se o próximo for num ritmo agradável.

Responder
planocritico 19 de março de 2015 - 12:58

@jcesarfe:disqus, com certeza. Não é o fim do mundo. Ainda…

Abs,
Ritter.

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Leonardo Sette Pinheiro 19 de março de 2015 - 09:15

Fillers em séries longas andam de mãos dadas…kkkkkkk

Acho que ainda vai ter mais um ou dois episódios fillers.

O que da raiva é que no episódio anterior foi despejado 1 trilhão de informações e nesse quase nada de útil….(ainda não vi o EP 12 e nem 13…so vi as resenhas aqui do site).

Quando eu li a critica do EP 12, eu tive o sentimento instantâneo que o próximo iria vir sem nada de novo…o que dá uma raiva de desperdiçarem alguns plots com potencial…

Vou terminar AC hoje e volto pro MAoS amanhã xD…

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planocritico 19 de março de 2015 - 13:00

@leonardosettepinheiro:disqus, houve um claro desequilíbrio, mas, é como você disse, fillers em séries longas são inevitáveis.

Bem, quando você terminar AC e assistir esses dois de AoS, comente nas críticas respectivas. Quero saber o que você achou (especialmente AC!).

Abs,
Ritter.

Responder
Rilson Joás 19 de março de 2015 - 01:58

Torco pra que a qualidade se mantenha alta. E espero que não se embananem na “guerra de S.H.I.E.L.D.’s”.

Responder
planocritico 19 de março de 2015 - 13:00

Acho que eles acertarão o passo, @disqus_fYzC6RP299:disqus. Vamos ver…

Abs,
Ritter.

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