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Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X09: Broken Promises

por Ritter Fan
127 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

Aviso: Há SPOILERS do episódio e da série. Leia as críticas dos outros episódios aqui e de todo o Universo Cinematográfico Marvel aqui.

Com Broken Promises, o segundo arco da quarta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. começa. E que começo! Fazendo uma transição suave entre Ghost Rider e L.M.D. (sigla de Life Model Decoy ou, em português, Modelo de Vida Artificial, algo que existe nos quadrinhos Marvel desde agosto de 1965, quando Strange Tales #135 foi publicada), a série dissipa qualquer dúvida sobre sua qualidade e sua capacidade de tecer linhas narrativas interessantíssimas repletas de reviravoltas e revelações, com um texto cada vez mais afiado e maduro.

Toda a hesitação que demonstrei durante a crítica do episódio 4×01 sobre a verdadeira necessidade de uma quarta temporada despareceu exatamente aqui e pela novidade que marcará a temporada: não serão apenas dois, mas três arcos semi-independentes que comporão a temporada. Isso, por si só, é uma grande mudança em séries longas como esta e que tem o excelente potencial de trazer três mini-temporadas mais dinâmicas, com menos fillers e menos episódios arrastados que marcam diversas outras séries por aí e que a própria Agents of S.H.I.E.L.D. já havia começado a se desvencilhar ao partir para uma temporada dividida em dois arcos maiores.

O primeiro grande destaque do episódio inaugural de L.M.D. é, claro, Aida. Toda a trama que a envolve, desde os segundos iniciais em que a vemos limpando suas feridas e se vestindo, é de grudar os olhos do espectador na tela. Mallory Jansen mistura frieza e sentimentos distantes em uma fusão convincente que a estabelece como uma vilã a se temer. As lutas físicas sem remorso e sua infiltração na base da S.H.I.E.L.D., com direito a apagão, controle de todo o sistema e também de um Quinjet, mostra o quão formidável esta nova ameaça pode ser para os heróis, algo que, apesar de ter sido usado em Era de Ultron, aqui ganha até mais urgência, talvez por lidar com protagonistas bem menos poderosos e por ter havido tempo para um desenvolvimento crível para Aida no primeiro arco, algo que de certa forma falta a Ultron.

Aliás, sua busca pelo Darkhold – o livro de magia negra que permitiu senciência à androide – é o que faz a perfeita transição entre arcos, mantendo a temática geral do conflito entre magia e tecnologia. E, claro, é particularmente interessante a revelação final de que Radcliffe é quem está verdadeiramente por trás das ações de Aida, ainda que, de certa forma, isso acabe detraindo um pouco das ações dela. Afinal, fica a pergunta: ela estava agindo obedecendo uma programação de Radcliffe ou em conluio com ele?

Mas o que realmente faz a história de Broken Promises funcionar é o espertíssimo roteiro de Brent Fletcher (já veterano na série) que brinca com metalinguagem, deixando claro para nós, espectadores, que ele, os showrunners e todos os seus personagens – bem, Mack e Yo-Yo pelo menos! – sabem que “histórias com robôs” só podem acabar com eles se rebelando contra os humanos. As diversas citações a filmes do sub-gênero especialmente dos anos 80 e 90 (com uma alfinetada mais do que merecida em A Salvação, da franquia O Exterminador do Futuro) servem para divertir o espectador e brincar com a premissa mais do que batida do episódio. Sabemos o que esperar, mas o roteirista está quase que o tempo todo olhando para nós e dizendo: “olha, estou homenageando o gênero, galera!”. E o melhor é que ele o faz usando apenas O Exterminador do Futuro como filme “mais óbvio”, pois as demais citações vão fundo no baú de pérolas cinematográficas: O Passageiro do Futuro, Comboio do Terror e o absolutamente obscuro, mas hilário, Chopping Mall.

E foi também muito inteligente a forma como a versão androide de May foi usada. Sem consciência do que ela é, a “nova May” é um peão na mão de Aida e Radcliffe, o que pode gerar conflitos interessantes entre androides, além de levantar questões morais relevantes e que, espero, serão discutidas nos próximos episódios.

Como se tudo isso não bastasse, esse ocupadíssimo episódio – que poderia ter sido brindado com uma duração maior para evitar algumas correrias e atalhos tomados – ainda lida com o recém-acordado Vijay, irmão da cruel senadora anti-inumanos Ellen Nadeer. Aqui, a história derrapa um pouco, pois o roteiro começa de forma cadenciada, mostrando os irmãos se reencontrando depois de sete meses e, de uma hora para outra, sai desabalado. Quando os Cães de Guarda chegam, a cascata de informações é intensa: descobrimos que a mãe de Vijay e Ellen morrera na invasão dos Chitauri em Os Vingadores, a S.H.I.E.L.D. confirma que é ela por trás da milícia, Vijay quase morre duas vezes, desenvolve seus poderes, morre de verdade e entre novamente em um casulo inumano, potencialmente para uma mutação secundária. E, em cima disso tudo, ainda aprendemos – como já fora brevemente mencionado no arco anterior – que há um misterioso vilão de “final de fase” chamado apenas de “O Superior” que ainda não deu as caras. É difícil saber quem ele é, mas não acho que ele demorará a aparecer. Só espero que não seja alguém aleatório, tirado da cartola.

Em mãos menos hábeis, Broken Promises seria uma colcha de retalhos irremediável. Mas Garry A. Brown (que nos brindou com os excelentes Many Heads, One Tale e The Singularity) dirige o episódio com extrema segurança, transitando muito bem entre a ação contida e claustrofóbica na base da S.H.I.E.L.D. e o desenvolvimento mais lento e explosivo na casa de campo dos Nadeer. É particularmente notável como ele traça um paralelo entre Aida e Ellen, colocando-as como dois lados de uma mesma moeda: duas mulheres frias com objetivos muito claros e ambas acreditando fazer o melhor. Fica para o espectador decidir quem é o humano e quem é o androide…

Episódios com Broken Promises fazem de Agents of S.H.I.E.L.D. uma grande série de seu gênero que, agora, abrirá novos caminhos com três arcos em apenas uma temporada. Tem tudo para dar certo. E merece que dê certo.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 4X09: Broken Promises (EUA, 10 de janeiro de 2017)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Garry A. Brown
Roteiro: Brent Fletcher
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wein, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, John Hannah, Mallory Jansen, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Parminder Nagra
Duração: 44 min.

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41 comentários

Caio Vinícius 17 de janeiro de 2017 - 18:11

Caraaaca! AIDA maligna! Equipe reunida! Inumanos! Referências! Estou tendo uma overdose!

Responder
Caio Vinícius 17 de janeiro de 2017 - 18:11

Caraaaca! AIDA maligna! Equipe reunida! Inumanos! Referências! Estou tendo uma overdose!

Responder
planocritico 20 de janeiro de 2017 - 02:21

He, he! Estou me sentindo assim também!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 20 de janeiro de 2017 - 02:21

He, he! Estou me sentindo assim também!

Abs,
Ritter.

Responder
Wagner Pires 15 de janeiro de 2017 - 00:54

que ótimo episódio de retorno….MAoS não deixa de surpreender positivamente! E achei o fato da May androide não saber o que era uma boa referência a Battlestar Galactica!

Responder
Wagner Pires 15 de janeiro de 2017 - 00:54

que ótimo episódio de retorno….MAoS não deixa de surpreender positivamente! E achei o fato da May androide não saber o que era uma boa referência a Battlestar Galactica!

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:38

Sim, sim. Lembra totalmente BSG!

– Ritter.

Responder
Bruno 14 de janeiro de 2017 - 15:54

Esse retorno do hiatus pareceu um season premiere, de tão bom e movimentado!!!

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:35

Com certeza parece, @disqus_JUyBBpDbfh:disqus !

– Ritter.

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:35

Com certeza parece, @disqus_JUyBBpDbfh:disqus !

– Ritter.

Responder
Willian Alves de Almeida 14 de janeiro de 2017 - 14:57

Só espero que esse Superior dos Watchdogs não seja alguém da Hydra… Se for pra eles voltarem (já que sempre voltam) , que seja só na quinta temporada.

E sim, por mais que a maioria da crítica não admita, MAoS é a melhor série de heróis.

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:37

Tirando as séries do Netflix, concordo!

Sobre a Hydra, também gostaria que fosse algo diferente. Vamos ver…

Abs,
Ritter.

Responder
Nicolas Dias 13 de janeiro de 2017 - 16:12

– Alguém precisa fazer o Radcliffe assistir os filmes do Exterminador do Futuro.
– Até a Salvação?
– Ele fez por merecer.

HAHAHAHHAHAHAHAHA o melhor diálogo do episódio, muito bom.

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 03:25

Morri de rir na hora!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 03:25

Morri de rir na hora!

Abs,
Ritter.

Responder
Thiago Brandi 13 de janeiro de 2017 - 15:22

Teve alusão ao dr. Estranho sobre quem poderia dar um fim no darkhold, certo?

Responder
Thiago Brandi 13 de janeiro de 2017 - 15:22

Teve alusão ao dr. Estranho sobre quem poderia dar um fim no darkhold, certo?

Responder
planocritico 13 de janeiro de 2017 - 15:54

Teve!

– Ritter.

Responder
Cristiano de Andrade 13 de janeiro de 2017 - 13:14

Nada a ver com o assunto da critica, mas eu to muito ansioso pela critica do filme Eu fico loco do youtuber que esqueci o nome.

Vai ter né?

Responder
planocritico 13 de janeiro de 2017 - 15:22

Cara, será que eu interpreto zoação em suas palavras?

Mas sim, teremos!

– Ritter.

Responder
Cristiano de Andrade 13 de janeiro de 2017 - 16:01

é claro que é zoeira né Ritter. Eu sei que esse filme será uma bomba, mas é que geralmente os textos dos filmes bombas são os mais divertidos de se ler.

Ansioso pela critica.

Responder
planocritico 13 de janeiro de 2017 - 15:22

Cara, será que eu interpreto zoação em suas palavras?

Mas sim, teremos!

– Ritter.

Responder
Josevando Sousa 12 de janeiro de 2017 - 16:25

Excelente crítica, AoS só vem surpreendendo – positivamente – o telespectador. É a melhor série. Amei que vão ter 3 arcos na temporada. Sobre esse EP que marca a introdução do arco LMD, só tenho uma observação: Mack e YoYo citaram vários filmes e séries com temática de robôs, mas não citaram algo que foi real (pra eles), que foi o Ultron, achei mancada :/

Responder
Josevando Sousa 12 de janeiro de 2017 - 16:25

Excelente crítica, AoS só vem surpreendendo – positivamente – o telespectador. É a melhor série. Amei que vão ter 3 arcos na temporada. Sobre esse EP que marca a introdução do arco LMD, só tenho uma observação: Mack e YoYo citaram vários filmes e séries com temática de robôs, mas não citaram algo que foi real (pra eles), que foi o Ultron, achei mancada :/

Responder
planocritico 12 de janeiro de 2017 - 16:56

@josevandosousa:disqus , obrigado! Sobre não citar Ultron, tenho a impressão que foi de propósito. Sei que faria total sentido, mas tenho para mim que o roteirista quis fugir do mais óbvio só para nos divertir com citações obscuras como a Maximum Overdrive.

Abs,
Ritter.

Responder
Stella 12 de janeiro de 2017 - 11:44

Adorei a crítica Ritter. Quando eu li que AOS terá mais um arco depois deste, fiquei maravilhada. Como os produtores desta série são ousados, dão aula em outras séries,aproveitam o que tem 22 episódios e ao invés de fazerem o básico que a maioria faz e enchem de fillers. Transformam em três mini temporadas dentro de uma , que fantástico!

Os Inumanos devem voltar com tudo no ultimo arco, aquele Inumano só deve retornar no próximo mesmo. Ele deve ser muito poderoso, pra não morrer facilmente, acredito que aqueles reflexos rápidos não são nem o máximo do potencial dele, só não tenho certeza se ele foi retirado dos quadrinhos ou se é inédito.

Responder
planocritico 12 de janeiro de 2017 - 15:25

Obrigado, @disqus_9KZLz8G0wg:disqus ! Três arcos em uma temporada é uma jogada de mestre!

Também acho que o super-inumano volta no terceiro arco. Agora quem ele é, não faço a menor ideia. Fiquei pensando se ele não teria a função de também estabelecer uma conexão com a anunciada série dos Inumanos…

Abs,
Ritter.

Responder
Stella 13 de janeiro de 2017 - 00:34

Realmente seria uma boa esta conexão do super-inumano com a série Inumanos. Quero muito que a ABC de uma chance a Daisy de aparecer nesta serie. Já pensou o Raio Negro convocando Daisy para alguma missão? que foda seria. Ai eu fico eufórica só de imaginar.kkkkk

Responder
planocritico 13 de janeiro de 2017 - 03:25

Seria muito bacana, mesmo @disqus_9KZLz8G0wg:disqus ! Vamos torcer, ainda que eu não imagine isso acontecendo logo de cara.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 13 de janeiro de 2017 - 03:25

Seria muito bacana, mesmo @disqus_9KZLz8G0wg:disqus ! Vamos torcer, ainda que eu não imagine isso acontecendo logo de cara.

Abs,
Ritter.

Responder
Willian Alves de Almeida 14 de janeiro de 2017 - 14:47

Pelo tempo que ele demorou para sair do casulo na primeira vez, sete meses, ele deve retornar só no último arco com certeza.

E considerando que ele é capaz de “ressucitar”, vai voltar muito mais poderoso o Vijay.

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:37

A pergunta é: será que é algum inumano das HQs?

– Ritter.

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:37

A pergunta é: será que é algum inumano das HQs?

– Ritter.

Responder
Willian Alves de Almeida 14 de janeiro de 2017 - 14:47

Pelo tempo que ele demorou para sair do casulo na primeira vez, sete meses, ele deve retornar só no último arco com certeza.

E considerando que ele é capaz de “ressucitar”, vai voltar muito mais poderoso o Vijay.

Responder
Ricardo 12 de janeiro de 2017 - 09:11

“Que rolem os créditos.” Melhor frase do episódio!!!
Quanto ao Radcliffe, creio eu que o personagem acabará se tornando o Alto Evolucionário. Na temporada anterior ele já demonstrava querem criar uma raça que fosse superior à humana e acabou criando os alfa-primitivos, que se assemelhavam muito aos homens toupeira, fiéis ajudantes do Alto Evolucionário. Com o domínio do Darkhold ele pode finalmente fazer seus experimentos e até mesmo criar os animais humanoides dos quadrinhos.
Lembrando também que nos quadrinhos o Darkhold tem ligação direta com Jack Russel, o lobisomem. E o pai de Jack Russel tem ligação com a origem do Alto Evolucionário. Então, a meu ver, está tudo conectado!!!

Responder
planocritico 12 de janeiro de 2017 - 15:26

Cara, sua teoria do Alto Evolucionário é fantástica! Sabe qual é o problema? Agora eu quero tanto isso que ficarei triste se não for… HAHAHHHAHHHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Ricardo 13 de janeiro de 2017 - 07:14

Hahahahahahahah… Mas seria foda ver o John Hannah usando aquela armadura escarlate!!!

Responder
planocritico 13 de janeiro de 2017 - 15:23

Seria sensacional!!!

– Ritter.

Responder
Willian Alves de Almeida 14 de janeiro de 2017 - 14:51

John Hannah, que por sinal, está tão sensacional quanto o seu já lendário Jonathan de A Múmia, rsrsrs.

Mesmo ele se revelando vilanesco, cada episódio adimiro o mais como ator!

Responder
planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:37

O cara é bom mesmo!

– Ritter.

planocritico 15 de janeiro de 2017 - 02:37

O cara é bom mesmo!

– Ritter.

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