Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X02: Window of Opportunity

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Missing Pieces nos apresentou com categoria ao novo tabuleiro de Agents of S.H.I.E.L.D. e, agora, Window of Opportunity vem para escancarar as possibilidades da temporada com um episódio que lida com ação ininterrupta em duas frentes, mas sem deixar de trabalhar seus personagens. Pouco é revelado, porém, o que em uma temporada enxuta pode acabar sendo um problema. Mas isso só o tempo dirá.

Começando com um belo plano-sequência que lida com a gangue de Coul… digo Sarge roubando uma loja e revelando, com diálogos de estranhamento sobre papel-moeda, combustão e outros que eles parecem ser os literais “trota dimensões” que há muito fazem o que fazem, o episódio nos mantém curiosos sobre cada ação do grupo e estabelece um pouco de conflito interno entre eles pela morte do sujeito que virou cimento ao tentar atravessar o portal.

As caracterizações um tantinho clichê de cada um deles pode até cansar um pouco, com Sarge sendo o durão, Pax o de bom coração, Snowflake a louquinha e Jaco o “segurança de boate”, mas a relação entre eles funciona imediatamente dentro das limitações impostas pelas construções dos personagens. Claro que o destaque é Clark Gregg, que faz muito bem seu papel de Coulson do mal, convencendo-nos de seu novo personagem, mas de certa forma sem nos deixar esquecer de sua versão original.

O que eles estão fazendo, porém, ainda permanece um grande mistério e creio que esse segredo continuará assim por um bom tempo, o que pode afetar a fluidez da história com certas artificialidades clássicas desse tipo de caminho. Mesmo assim, o que é apresentado aqui aguça a curiosidade o suficiente para justificar um voto de confiança (convenhamos que os showrunners mais do que merecem isso!), valendo especial destaque para o fato de Sarge achar que o nome Coulson diz algo para ele, o que acrescenta complexidade e afasta pelo menos parcialmente a explicação mais óbvia de multiverso.

Mais do que isso até, as sequências de ação são da mais alta categoria, especialmente a partir do roubo do cofre via “portal” (alguém mais se lembrou do jogo Portal?), com May ententendo a mecânica e partindo para resolver tudo no melhor estilo da Cavalaria sem pestanejar em enfrentar três dos quatro do grupo de Sarge e derrubando todo mundo em belíssimas coreografias de luta em espaço confinado.

Em meio a tudo isso, há tempo para trabalhar as consequências do assassinato de Fox por Sarge que não só é lembrado apesar de ter feito uma ponta estilo “camisa vermelha” de Star Trek, como sua morte é usada como porta de entrada para que possamos aprender um pouco mais de Keller (Lucas Bryant) e, de quebra, revelar, em econômicas linhas de diálogo, que Mack já sabe do relacionamento do novo agente com Yo-Yo e que May de certa forma se arrepende de ter aconselhado que a velocista investisse em um novo amor. Mesmo assim, Keller precisa ganhar mais destaque se a ideia for usá-lo como algo mais do que um coadjuvante de luxo.

O outro novo entrante na série, o professor Marcus Benson é outro que precisará de mais do que só momentos “eureka” em substituição a Fitz-Simmons para engatar como personagem tridimensional. Mesmo que Barry Shabaka Henley seja costumeiramente bom em termos dramáticos, seu personagem ainda não parece organicamente inserido na temporada. Sei que ainda é cedo para exigir isso, pelo que ele tem o benefício da dúvida, ainda que não por muito tempo mais.

No espaço profundo, o roteiro de James C. Oliver e Sharla Oliver fez bem em deixar Daisy momentaneamente de lado para focar em Fitz e Enoch (ainda bem que ele voltou!) como infiltrados em um cargueiro. Aceitar que Fitz quase que instantaneamente aprendeu uma língua alienígena a ponto de se fazer passar por um pode ser difícil de aceitar, mas o bom e velho Fitz tem aquela velha desculpa dos quadrinhos de ser o “personagem genial que tudo pode” para fazer isso funcionar e isso sem contar com a interpretação sempre cativante de Iain de Caestecker.

Nesse lado da trama, a narrativa é mais simplória, mas não menos eficiente no quesito ação, com um bônus importante: uma menção indireta ao Dr. Leopold, a versão vilanesca e genocida de Fitz no Framework da quarta temporada. Tudo bem que a pegada da linha de diálogo dedicada a isso foi mais no sentido melancólico da coisa, de arrependimento e penitência pelo que ocorreu, mas é absolutamente gratificante notar que os showrunners não estão dispostos a esquecer e nos permitir que esqueçamos esse momento sombrio na vida do personagem. E confesso que gostaria com todas as minhas forças que o Dr. Leopold tomasse controle completamente alguma hora…

Continuando com tomadas em ambientes abertos e fazendo bom uso de CGI, O episódio é mais um que mostra que Agents of S.H.I.E.L.D. sabe renovar-se. Talvez seja história de mais para episódios de menos, mas isso é algo que só saberemos mesmo mais para a frente.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X02: Window of Opportunity (EUA, 17 de maio de 2019)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Kevin Tancharoen
Roteiro: James C. Oliver, Sharla Oliver
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Karolina Wydra, Christopher James Baker, Barry Shabaka Henley, Maximilian Osinski, Briana Venskus, Joel Stoffer
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.