Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X05: The Other Thing

  • Há spoilers do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Depois de dois episódios em que os showrunners tentaram uma pegada cômica com resultados no mínimo controversos e de um intervalo de uma semana causado por uma das finais da NBA, Agents of S.H.I.E.L.D. volta com The Other Thing que reverte ao estilo mais normal da série e, também diferente dos dois anteriores, trabalha simultaneamente as duas linhas narrativas e, finalmente, leva-as à tão esperada convergência. Não é ainda o capítulo da qualidade que me acostumei a ver em AoS, mas certamente é um passo na direção correta.

No espaço, depois da captura de Fitz pelos Chronicoms caçadores, Daisy, Simmons e os dois agentes coadjuvantes tentam se reorganizar, somente para serem capturados pelos compatriotas de Enoch que revelam que seu planeta natal fora destruído e que eles, agora, querem que seus prisioneiros contem como é que eles conseguiram voltar no tempo, de forma que eles possam consertar o “pequeno” problema. Esse é o ponto de reunião das linhas narrativas, já que a ameaça apocalíptica que ceifou Chronica-2 é, claro, os mesmos morcegos-zumbis que vimos rapidamente em um vídeo de Sarge e que acabou levando à morte do agente Keller pelas mãos de Yo-Yo em Code Yellow. Ameças vão e vem, uma semi-traição de Enoch acontece e pronto, Fitz e Simmons estão prestes a ser reunidos novamente, mesmo que sob ameaça de morte, para que eles possam reconstruir o monólito do tempo.

Falando em monólito, lá na Terra, Benson, mais conhecido como o personagem tapa-buraco durante a ausência de Fitz-Simmons, conecta o tal morcego-zumbi com os monólitos também, colocando os MacGuffins que formam as bases para grande parte da série desde que foram introduzidos na segunda temporada, novamente em grande destaque. Confesso que não sei se gosto disso, mas ainda é muito cedo para dizer e pode ser, considerando o currículo dos showrunners até agora, que haja uma história no mínimo interessante por trás deles.

Gostei muito do ritmo que Lou Diamond Phillips, estreando na direção da série, imprimiu ao episódio de forma a eficientemente fazer as duas linhas narrativas chegarem a um ponto em comum. Não foi nada espetacular em termos técnicos, mas ele soube manejar bem o roteiro carregado de George Kitson, encadeando muito bem a montagem e trabalhando paralelamente as histórias de forma que as revelações fossem complementares, evitando redundâncias.

Mas, como quase tudo que envolve Melinda May na série, o melhor de The Other Thing foi mesmo o enfrentamento entre ela e Sarge. E não falo nem mesmo da pancadaria no espaço confinado da boleia do caminhão – violento e muito bem coreografado, por sinal -, mas sim de toda a interação com ele, inclusive e especialmente a correlação dos eventos atuais  com o que ela viveu com Coulson no Taiti. Todas esses flashbacks – ou alucinações – enriqueceram esse momento triste da série e contrastaram muito bem o passado e o presente, inclusive amplificando a aparente conexão que existe ou existiu entre Coulson e Sarge. O que exatamente pode ser isso, não sei, mas o mistério continua intrigante.

Se essa “memória” que Sarge tem de Coulson permanece na seara do “ainda a ser revelado”, foi bom ver que o objetivo final de Sarge ficou explícito logo aqui, com a confirmação daquilo que já era uma suspeita forte: ele não é agente da destruição e sim da prevenção da destruição, mesmo que paradoxalmente ele tenha que destruir para salvar. Se já temos uma ideia boa que os shrikes são como arautos do fim do mundo, não temos a menor pista de quem seria seu criador, algo que é mencionado, mas não revelado por Sarge. Será algum personagem retirado do Universo Marvel ou alguém inventado para a série? Gostaria muito que fosse alguém grande como o Aniquilador, ainda que, lá no fundo, não só eu saiba que é provavelmente demais para a série, como também eu gostaria mais ainda que o vilão da Zona Negativa fosse um dia utilizado no cinema. Seja como for, mesmo que o sósia de Coulson não tenha métodos lá muito delicados, pelo menos agora ficou às escâncaras que ele não é exatamente um vilão e que ainda podemos esperar o final boss aparecer em algum ponto mais para a frente.

Mesmo que a turma toda não esteja exatamente reunida, The Other Thing trouxe ordem à casa e finalmente aponta a temporada para uma direção só, direção essa que, muito provavelmente, mergulhará profundamente na mitologia dos monólitos e da série como um todo. Aliás, falando em volta ao passado, com o retorno da temática de viagem no tempo, será que podemos pensar em Coulson novamente na série ou seria forçar demais a barra?

Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X05: The Other Thing (EUA, 14 de junho de 2019)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Lou Diamond Phillips
Roteiro: George Kitson
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Karolina Wydra, Christopher James Baker, Barry Shabaka Henley, Maximilian Osinski, Briana Venskus, Joel Stoffer
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.