Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X07: Toldja

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Depois de Inescapable, um excelente semi-filler focado na dupla Fitz-Simmons, enchi-me de esperança de que a temporada finalmente se encontraria e passaria a entregar episódios realmente dignos do legado de Agents of S.H.I.E.L.D., mas Toldja volta para aquela incômoda linha de algo apenas “ok”. Talvez eu tenha me acostumado mal considerando o trabalho dos showrunners até agora e o que vem sendo entregue funcione bem para muitos, mas sinceramente creio que as coisas não estão indo tão bem como poderiam.

O primeiro sinal disso foi a volta de Fitz, Simmons e Enoch para o “planeta de Kitson”, o que automaticamente já me deixou preocupado considerando que o episódio passado por lá foi, talvez, o pior de toda a série até agora. Pelo menos o roteiro usou isso apenas como um subterfúgio para introduzir uma nova personagem, Izel (Karolina Wydra – nome sugestivo esse, não?), uma mulher de cabelos vermelhos que precisa de Fitz e Simmons para alguma missão na Terra, o que provavelmente significa que a gangue estará toda reunida em breve. Mas, mesmo os poucos minutos em Kitson foram preguiçosos, com aquele design de produção de filme B e aquele jogo de guilhotinas sem graça que trouxe zero de tensão ou graça. Teria sido mais econômico e eficiente se o teletransporte sem GPS de Enoch os tivesse levado diretamente para os braços de Izel, de preferência em uma nave já a caminho da Terra.

A chegada de Coulson, digo Sarge, ao quartel-general da S.H.I.E.L.D. foi um pouco melhor, talvez por ter aberto espaço para Clark Gregg mostrar que, mesmo vilão, continua uma simpatia. A interação entre Sarge e Mack, porém, falhou ao colocar Mack como o sujeito intransigente que não aceita dar trela para alguém que parece saber muito mais do que ele sobre os morcegos-zumbis. Tudo bem que Sarge não mostra lá muito apreço por vidas, fala de forma críptica e fica com aquela cara de “todos são inferiores a mim”, mas o tratamento dado a Sarge pelo novo diretor da S.H.I.E.L.D. chegou às raias do irracional. E não ajudou muito que o plano de fuga de Sarge envolvesse Jaco transformando-se em um baforador de fogo, uma decisão de roteiro que parece ter sido resultado de um toró de palpites especialmente pobre e desinspirado, como se os showrunners estivessem dizendo algo como “ah, bota qualquer coisa ali que custar barato, pois a galera vai aceitar e até aplaudir”.

A mala sem alça do Deke torrando a paciência de Daisy, por incrível que pareça, até que funcionou para mim. Sim, dá vontade de socar o sujeito, mas é justamente por isso que esses momentos engraçadinhos deram certo em minha cabeça, já que me fizeram pelo menos sentir alguma coisa mais excitante do que ver o planeta de Kitson novamente ou Mack bater cabeça com aquela cara de cachorro sem dono. Claro que não é suficiente para iluminar o episódio, mas gostei de ele ter sido um “substituto de Fitz-Simmons” bem mais natural do que o Dr. Benson que, aliás, misericordiosamente, não deu as caras aqui.

Em termos de ação, o que tivemos foi mais uma demonstração da completa burrice de Mack em não procurar entender melhor sobre os shrikes antes de mandar duas equipes para capturar humanos infectados por eles. Como um plano de Sarge para “tomar controle” da situação, essa parte da trama foi boa e interessante, ainda que a solução – resfriar os bichos – tenha sido extremamente conveniente e executada de maneira simplista demais, com Yo-Yo e uma agente genérica amarrando-se em um caixote sem nenhuma proteção em relação aos cristais saindo da câmara de supressão como lanças mortais.

E, no final das contas, se pararmos para pensar, mesmo com um episódio que não era para ser um filler, acabou que as tramas não avançaram tanto assim. Fomos apresentados a Izel, que trouxe com ela as perguntas quem ela é e o que quer e descobrimos como matar os E.T.s voadores. Pronto, é o resumo da ópera. Acho que, a essa altura do campeonato, já era para estarmos um pouco mais adiantados na trama principal. Talvez se Sarge tomar de vez o controle da mão de Mack, a coisa realmente passe a andar. Caso contrário, a temporada arrisca tornar-se mediana, algo que AoS, depois de sua 1ª temporada, nunca foi.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X07: Toldja (EUA, 28 de junho de 2019)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Keith Potter
Roteiro: Mark Leitner
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Karolina Wydra, Christopher James Baker, Barry Shabaka Henley, Maximilian Osinski, Briana Venskus, Joel Stoffer, Ava Mierelle, Karolina Wydra
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.