Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X09: Collision Course (Part II)

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Faltando 10 minutos para acabar o episódio, a história principal de Collision Course foi encerrada e, juntamente com ela, minha esperança de que o roteiro de Iden Baghdadchi (do excelente Rise and Shine)fosse capaz de sustentar um longo dénouement que fosse próximo em qualidade a tudo o que veio antes. Respirei fundo e, sem escolha, tive que encarar os diversos epílogos, todos eles razoavelmente felizes, mesmo o que mostra May executando Sarge a sangue-frio, mas que mantiveram acesos diversos mistérios, sem realmente amarrar todas as pontas de maneira definitiva.

Para minha surpresa, porém, o episódio começou como acabou: muito bem. E quando digo episódio, quero dizer ele completo, as duas partes, pois, apesar da mudança de diretora – entra Sarah Boyd no lugar de Kristin Windell da primeira parte – não houve qualquer tipo de solução de continuidade. Muito ao contrário, as ações intercaladas em diversos ambientes diferentes continuaram e, mais do que isso, foram amplificadas, levando-nos a um dos melhores episódios de ação desenfreada que a série já teve até agora mesmo que a temática em si seja, pelo menos para este crítico, relativamente desinteressante.

Com Sarge a bordo do Zephyr 1, ele logo vira o jogo e toma controle do quartel-general alado da S.H.I.E.L.D., mantendo-se como senhor da situação e com seu plano altamente destrutivo em movimento. Paralelamente, vemos Fitz e Simmons começarem a entender que há algo muito errado na nave onde estão e que Izel não é o que parece ser. As linhas narrativas que ganharam uma quase total unicidade lá na Parte I, terminam de convergir de vez aqui, algo que é enfatizado ainda mais pelo embate verbal entre Sarge e Izel, como dois lados de uma mesma moeda e como momentos particularmente interessantes sobre a memória de Sarge, ou falta de memória, melhor dizendo, e a insinuação de que ele seria capaz de “habitar” corpos diferentes (talvez até transformar-se como um metamorfo).

Em terra, apesar de ser evidente que a bomba nuclear não explodiria, especialmente não com May, Daisy e Deke por perto, o roteiro e a direção conseguiram o milagre de manter um bom grau de tensão, primeiro brincando com nossas expectativas de que Deke seria capaz de “magicamente” desmontar o aparato entre beijos e abraços com Snowflake (continuo achando hilária a relação desses dois maluquinhos) e, depois, entregando a Tremor seu primeiro momento badass desde que a vimos no espaço no começo da temporada, com seu poder encapsulando e neutralizando a ameaça. E, como se isso não bastasse, de bônus ganhamos a inumana fazendo como Thanos e transformando os morcegos-zumbis em pó sem nem precisar estalar os dedos, depois que o caminhão acerta e destrói o castelo de cristal de Izel. Nunca é demais ver a heroína usando de maneira cada vez mais controlada e precisa seus poderes sísmicos, mas tenho para mim que a personagem em si ainda mereça mais desenvolvimento efetivo e menos “momentos cool” com função descarada de daisy ex machina.

Outros momentos de ação que valem nota são todos os que envolvem Yo-Yo salvando o dia e permitindo que Mack saia no braço com Sarge, terminando de acabar com o plano do sujeito. Se eu reclamei (levemente) da falta de desenvolvimento de Daisy em prol da personagem fazer demonstrações pirotécnicas de seus poderes, com Yo-Yo o equilíbrio perfeito entre uma coisa e outra acontece. Nota-se não só o carinho da produção com a inumana de braços biônicos, como o palco é entregue para Natalia Cordova-Buckley brilhar mais uma vez, com direito a um dos epílogos felizes ao final do capítulo quando Mack finalmente aceita que ela está longe de ser uma dama em perigo e que, portanto, o relacionamento dos dois não atrapalhará seus respectivos trabalhos (particularmente, acho que atrapalha sim, mas, dramaticamente, foi o desfecho que esperávamos).

Quando digo que as sequências de Yo-Yo souberam estabelecer um bom equilíbrio entre drama e ação, a maior prova disso é quando ela recruta Jaco, o grandalhão de bom coração para o lado da S.H.I.E.L.D. no lugar de simplesmente nocauteá-lo ou novamente prendê-lo em algum lugar. O resultado disso é o belo sacrifício do personagem achando que acabou de vez com a ameaça representada por Izel sem saber que ela, claro, não morreu coisa nenhuma e está de alguma forma lá dentro do agente Davis. Como eu posso dizer isso com tanta certeza? Bem, além do misterioso sumiço dela (algo que Sarge diz que aconteceu também em Chronica-2), temos a volta de Piper para a temporada, garantia absoluta de que ela será a “agente coadjuvante” da vez quando Davis for revelado como a vilã de cabelo rosa (ou algo do gênero).

Aliás, o cliffhanger sangrento, com May chacinando Sarge, é outro que não me engana nem um pouco. Para começar, faltam ainda quatro episódios para a temporada acabar e Clark Gregg dificilmente deixará de ir até o fim. Depois, convenhamos que, mesmo para a Cavalaria, o que ela fez me pareceu um pouco excessivo e os showrunners não deixarão isso ficar assim. Finalmente, há ainda todo o mistério envolvendo Sarge que ganhou outros contornos aqui com o já mencionado diálogo dele com Izel.

Que mistério é esse? Bem, desconfio fortemente que tanto Izel quanto Sarge tenham algum tipo de conexão com a Dimensão do Medo, resultado da explosão dos monólitos lá na temporada anterior. Especularei um pouco, se me permitirem.

Posso estar completamente enganado, mas a pessoa que mais contato teve com a tal dimensão foi justamente Coulson, quando tentou fechá-la e, no processo, enfrentou a manifestação incorpórea de Deathlok antes do Deathlok verdadeiro aparecer. Será que Sarge não é justamente o reflexo sombrio de Coulson gerado a partir do contato dele com a Dimensão do Medo, o que explicaria ele ter vagas lembranças dessa “outra vida” e todo o diálogo críptico de Izel sobre “mudar de pele” e de “não ter memórias”? E a própria Izel, conforme a explicação de Mack ao ler o material providencialmente enviado pelo Dr. Benson no episódio anterior, parece ter relação com algo relacionado ao medo e, com isso, ela pode ser a manifestação da própria dimensão, como uma consequência de sua abertura depois da destruição dos monólitos. Finalmente, temos que lembrar que a tal dimensão foi muito pouco utilizada na série, o que seria território desconhecido a ser ainda amplamente explorado.

E, no final das contas, fica a esperança de que o restante da temporada não seja dedicada aos Chronicoms caçadores, pois, até agora, não consegui ver muita graça naquela linha narrativa, ainda que sua volta seja inevitável, evidentemente. Mas, como um leitor mencionou nos comentários do episódio anterior, essa história provavelmente será o objeto do arco da próxima temporada.

A segunda e última parte de Collision Course não deixou a peteca cair durante os 30 frenéticos minutos iniciais, sabendo trabalhar muito bem todos os núcleos de ação e levando a um encerramento parcial plenamente satisfatório que foi muito bem complementado por um longo epílogo de 10 minutos que conseguiu o feito de ter sido muito bem inserido na história, permitindo-nos ao mesmo tempo alguns minutos para respirar e a sedimentação das pontas ainda não completamente resolvidas. Ainda há um bom pedaço pela frente, mas agora, finalmente, a sexta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. parece ter realmente engrenado.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X09: Collision Course (Part II) (EUA, 12 de julho de 2019)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Sarah Boyd
Roteiro: Iden Baghdadchi
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Karolina Wydra, Christopher James Baker, Barry Shabaka Henley, Maximilian Osinski, Briana Venskus, Joel Stoffer, Ava Mierelle, Karolina Wydra, Brooke Williams
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.