Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X11: From the Ashes

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From the Ashes tinha a ingrata tarefa de ser aquele episódio espremido entre, de um lado, um inesperadamente excelente jogo de gato e rato que seguiu o episódio duplo Collision Course e, de outro, o prometido final épico da temporada na forma de dois episódios que irão ao ar no mesmo dia. Sua função, portanto, era de rearrumação do tabuleiro para prepará-lo para o jogo final, para que a hora e meia final possa encerrar esse arco e, ao mesmo tempo, deixar tudo pronto para o próximo e também último.

Apesar de sofrer um pouco com isso, o capítulo consegue navegar muito bem essas águas turbulentas, com o roteiro da dupla James C. Oliver, Sharla Oliver, já veteranos na série, trabalhando muito bem alguns momentos emocionantes, ainda que muito rápidos. Um deles recorre e, aparentemente, oferece um fechamento para um dos grandes erros da temporada, que foi a introdução do Dr. Marcus Benson, personagem que veio para suprir a falta de Fitz-Simmons na Terra, mas que, na verdade, acabou muito – ênfase no muito – mal aproveitado na história, o que chega a ser um crime considerando a qualidade de Barry Shabaka Henley.

Seja como for, Benson é quase que magicamente “conjurado” para dentro do Z1 com Yo-Yo e Mack sendo utilizados por Izel como hospedeiros a seu bel-prazer, de forma que ele revele a localização do tal templo onde ela pretende abrir o portal para seu reino. Dá para fechar os olhos para a conveniência narrativa justamente porque o roteiro não simplesmente descarta Benson de cara, trabalhando com um pouco mais de vagar o lado psicológico da coisa quando Izel libera o poder do monólito da criação para que o doutor veja seu marido pela última vez. É uma sequência boa, com um jogo de culpa interessante que empresta profundidade ao personagem alcoólatra e que apenas ressalta o quanto ele foi efetivamente jogado para escanteio ao longo da temporada que teve tantos episódios voltados para bobagens enquanto poderia ter investido em construções assim.

Outros bons momentos foram resultado da cada vez mais azeitada dupla Yo-Yo e Mack, misturando à perfeição ternura e pancadaria. Toda a manipulação de Izel e toda a troca verbal entre os dois – às vezes os três – ganhou corpo e espaço no episódio, mesmo que o clímax tenha que ter sido na versão filme B de Caçadores da Arca Perdida lá naquele templo maia bem mequetrefezinho, coitado, mas que são ossos do ofício em séries como essa. Espero só que a abertura do portal de Izel não fique só na promessa e que os episódios finais nos deem algo mais do que pedras e pilares de isopor, já que nem mesmo a volta surpresa de Flint (Coy Stewart) parece apontar para algo que saia do confinamento do templo.

Até no Farol o roteiro trabalhou o grosso da equipe de maneira exemplar. Apesar de Deke ter realmente ficado perdido ao longo da temporada, confesso que ele vem tomando seu lugar na série e foi aqui que ele me ganhou de vez pela forma que o personagem foi inserido no contexto da dupla Fitz-Simmons, considerando que ele é único verdadeiramente Fitz-Simmons no sangue. Os roteiristas foram inteligentes ao primeiro usar Deke como o chato de plantão, que mais atrapalha do que ajuda, mas, na medida em que o capítulo foi evoluindo, com a pressão em se conseguir algum aparelho milagroso para impedir a possessão de corpos por Izel, o neto foi ganhando protagonismo em cima de seus avós, resultando em uma trinca divertida, com humor no tom certo, ainda que o momento “eureka” não tenha sido lá dos mais inventivos ou originais.

Deixei o melhor para o final, claro. A dinâmica entre May, Daisy e Sarge foi o que realmente diferenciou o episódio. May, a eterna durona, deixou – como já vinha deixando – seu coração falar mais alto, na esperança de que ainda houvesse algo de Coulson em Sarge. Daisy, por sua vez, se recusava a aceitar o conceito e partiu para a grosseria, somente para, em uma bela reviravolta, ela perceber que sua racionalidade fria não tinha lugar e que May, afinal, estava certa. O “ato falho” de Sarge chamando-a de Skye foi, sem medir palavras, emocionante, assim como o abraço que se seguiu. Tremor estava mesmo precisando de um pouco mais de destaque na temporada e, ao assumir o papel de filha, ela teve o que merecia aqui, em um caminho que parece apontar mesmo para a permanência de Sarge na equipe em alguma capacidade.

Portanto, From the Ashes não era para ser o ótimo episódio que foi. Dentre todos os demais da série, esse poderia ser ruim ou mediano sem afetar o conjunto. Mas não. Os showrunners realmente acordaram, extirparam as bobagens da primeira metade e parecem estar preparando um final digno para a temporada.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 6X11: From the Ashes (EUA, 26 de julho de 2019)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Jennifer Phang
Roteiro: James C. Oliver, Sharla Oliver
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Karolina Wydra, Christopher James Baker, Barry Shabaka Henley, Maximilian Osinski, Briana Venskus, Joel Stoffer, Ava Mierelle, Karolina Wydra, Brooke Williams, Coy Stewart
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.