Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X02: Know Your Onions

  • Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Se a estrutura da última temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. for a de mini-arcos de dois a três episódios, cada um passado em uma época diferente do Universo Cinematográfico Marvel como uma celebração, o último ano da série terá tudo para ser memorável, muito na linha do que Vingadores: Ultimato fez de seu próprio jeito. Claro que ainda é muito cedo para sequer afirmar que essa será a forma escolhida pelos showrunners, mas a julgar pelo encerramento do arco dos anos 30 com Know Your Onions e o que parece ser um pulo para os anos 50 no próximo episódio – minha suposição vem unicamente do título divulgado, pois não vi e não verei previews – esse passeio de bastidores pelos grandes eventos do UCM pode ser a chave de ouro que os fãs tanto anseiam.

Partindo de onde o episódio anterior parou, Jemma e Elena saem do Zephyr One para usar seus figurinos de época, com a equipe responsável mais uma vez acertando em cheio nos visuais, incluindo maquiagem e penteados. Muito rápida e convenientemente demais, talvez, a cientista que “conhece suas cebolas” – he, he, he – não só salva a vida de Viola, a mulher que entregara o soro para Freddy e foi baleada pelos Chronicoms, como, com base em uma gota do líquido em seu sapato, descobre exatamente o que ele é para a surpresa de absolutamente ninguém: um ingrediente do soro do supersoldado que está a caminho da Alemanha para ser usado, claro, em Johann Schmidt, o futuro Caveira Vermelha, exatamente como aprendemos em Capitão América: O Primeiro Vingador. Muito eficientemente, sem precisar de floreios e malabarismo narrativos, aí está uma conexão direta com o UCM que tantos queriam ver acontecer novamente na série, independentemente se ela está ou não no mesmo universo.

Na outra ponta da ação, Mack e Deke levam Freddy ao seu encontro, mas não sabem ainda quem ele é. Mesmo com a desconfiança inerente do futuro pai de Gideon Malick, a conexão entre os três personagens é muito boa e funciona sem maiores solavancos, inclusive quando elementos fora de seu tempo, como o walkie-talkie, entram na conversa. Ver a dupla de agentes fazer de tudo para ajudar alguém que seria indiretamente responsável por milhares de mortes é, por si só, objeto de tensão, assim como a dúvida sobre o que fazer quando a verdade vem à tona.

E, dito e feito, o dilema sobre o fim de Freddy é mantido até o final, com Daisy agindo de sua explosiva forma costumeira e já partindo para a violência, cabendo a Mack pensar com a cabeça fria e lógica. O que se coloca é aquela velha pergunta: se você pudesse viajar para o passado para impedir que Hitler nascesse, você o faria? A resposta imediata pode ser simples, mas o efeito de um ato desses poderia, em tese, ser ainda mais nefasto do que ele causou e que, obviamente, seria aplicável ao Caveira Vermelha na ficção. Claro que não há um mergulho profundo na discussão, mas o roteiro, mais uma vez de maneira leve, sabe encaminhar o assunto mesmo que chegue a ser curioso o tanto de informação sobre o futuro de Freddy que acaba sendo despejado no colo dele, algo que potencialmente contribuirá para que ele se aproxime da Hidra, se essa já não fosse a intenção dele. É aquele velho paradoxo que tanto gostamos na ficção científica: a viagem ao passado é a causa dos eventos do futuro.

No Zephyr, o problema é May, mas não da maneira que esperávamos, pelo menos não de imediato. Aparentando absoluta calma, a May-Aranha que vimos no final de The New Deal não aparece efetivamente. Em seu lugar, há, pouco caracteristicamente, uma grande quantidade de diálogo entre ela e Enoch, que faz de tudo para levá-la de volta à enfermaria, falhando miseravelmente, lógico. Mas May, mesmo sempre tendo evitado demonstrar sentimentos, está realmente estranha. Sua reação contra Enoch depois que o Chronicom tenta impedi-la de sair para ajudar seus colegas faz absoluto sentido, mas suas atitudes são mais robóticas do que as do próprio alienígena senciente, algo que fica mais do que reiterado pela forma dura como ela recebe o retorno de Coulson: “você ainda está morto”.

O que aconteceu com May, assim como o que vem evitando que Yo-Yo use seus poderes será ainda objeto de abordagem nos episódios seguintes e essas limitações estão bem inseridas na trama. Muito diferente disso é Tremor não usar os poderes dela para nada, em momento algum. Medo do efeito borboleta? Improvável considerando que quem eles são e de quando vieram é informação que eles voluntariam sem reservas para Koenig, Freddy e até mesmo Viola lá no bar. E isso sem contar que todos os embates se dão em lugares substancialmente controlados, sem observadores ou transeuntes. Chega a ser incômodo e, diria, até ridículo o que os showrunners decidiram fazer com a inumana sem oferecer sequer um mínimo de explicação plausível para esse completo “despoderamento” dela.

Por outro lado, a decisão de se usar um artifício que obriga o Zephyr a viajar no tempo (lembrou-me da clássica série Túnel do Tempo) foi muito acertada para dar a variedade que a série precisa e que provavelmente permitirá que ela seja costurada a momentos importantes de toda a história que conhecemos. Além disso, deixar Enoch em 1931 juntamente com Koenig não só permite que os personagens sejam reaproveitados em outro contexto quando forem para outra época (anos 50, como já mencionei que suspeito), como muito provavelmente estabelece as bases tecnológicas da própria S.H.I.E.L.D. que será formada em breve nessa linha temporal, colocando o personagem de Patton Oswalt como peça-chave para o futuro da organização. Será muito interessante ver como isso será desenvolvido.

Know Your Onions fecha o primeiro mini-arco da derradeira temporada da série de maneira muito divertida e costurando referências ao UCM e aos próprios anos anteriores da tão esquecida – e ainda tão desdenhada – primeira série desse universo. Que venham outras décadas, outras referências e mais homenagens!

Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X02: Know Your Onions (EUA, 03 de junho de 2020)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Eric Laneuville
Roteiro: Craig Titley
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Joel Stoffer, Patton Oswalt, Darren Barnet, Tobias Jelinek, Nora Zehetner
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.