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Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X03: Alien Commies from the Future!

por Ritter Fan
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  • Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Como o título já havia deixado claro, os agentes da S.H.I.E.L.D., depois de passarem dois episódios nos ano 30 ironicamente tentando salvar a vida do pai de Gideon Malick, fundador do braço americano da Hidra, pularam para os anos 50, mais precisamente 1955 e, claro, nos arredores da Área 51, que é uma das bases da agência. E o episódio não poderia ser mais saboroso não só pela forma como a história é conduzida, como também pelas simpáticas e bem costuradas referências não só ao Universo Cinematográfico Marvel, como também à cultura pop, especialmente ao Cinema.

Afinal, quem poderia resistir à técnica de interrogatório de Coulson e Jemma para descobrir o Chronicom infiltrado que consiste no uso de trivia cinematográfica de época para provocar reações sentimentais? E como não vibrar com Coulson referenciando Blade Runner ao emular o teste Voight-Kampff para descobrir quem é o ser sintético no ônibus? Claro que a cereja nesse bolo – e que certamente trouxe aquela lágrima furtiva aos olhos dos fãs – foi ver Jemma incorporando ninguém menos do que Peggy Carter para entrar na base que, aliás, é mais mais facilmente infiltrável que o S.T.A.R. Labs de The Flash, além do retorno de Daniel Sousa (Enver Gjokaj), da injustamente finada série Agent Carter tendo uma participação de peso que, de quebra, ainda faz referências aqui e ali a Capitão América: O Soldado Invernal, cujos eventos bombásticos, como bem sabemos, são os que realmente fizeram de Agents of S.H.I.E.L.D. o que a série acabou se tornando.

Se uma série ou filme não deve se valer de referências para ser bom, é importante que, quando elas são usadas, elas o sejam por razões muito claras e de maneira orgânica à trama e, felizmente, isso é exatamente o que o roteiro de Nora Zuckerman e Lilla Zuckerman entrega: uma incrivelmente fluida sucessão de referências que estão presentes para impulsionar a narrativa e não para apenas servir de momentos para atiçar a nostalgia ou o conhecimento enciclopédico do espectador. E a maior prova disso é a homenagem que o episódio faz ao gênero sci-fi dos anos 50 que, em seus melhores momentos, servia de alegoria para a Guerra Fria e o medo dos soviéticos, algo que é perfeitamente encapsulado no personagem do sempre ótimo Michael Gaston, o membro do Departamento de Defesa dos EUA Gerald Sharpe, e toda sua interação com Mack e Deke, valendo especial destaque para o final inspirado em De Volta para o Futuro.

Melhor ainda do que isso é a continuação dos comentários sociais que a primeira dupla de episódios não deixou barato, mas que, aqui, conseguem ir um degrau acima, servindo de uma bela lição sobre privilégio branco, expressão que muita gente encara como se fosse literalmente ficção científica. Os interrogatórios de Sharpe feitos por uma latina, uma descendente de asiáticos e um afro-americano nada resultam não por que o personagem tem uma carapaça intransponível, mas sim em razão de seu preconceito inato que nem ele tem consciência da extensão. Basta Deke tentar que ele imediatamente consegue uma informação útil. Abordagem realmente muito inteligente do roteiro das Zuckerman para um assunto particularmente importante no momento.

Nina Lopez-Corrado, por seu turno, faz um trabalho esplêndido na direção, mantendo narrativas paralelas com uma montagem dinâmica, rápida, mas nunca confusa que faz o melhor uso das variadas ambientações, a começar pelo diner típico dos ano 50, passando pelo interior do Z1 e, claro, a base da S.H.I.EL.D. E, finalmente, temos a primeira luta realmente boa da temporada, surpreendente entre Coulson e um Chronicom, que lembrou de longe um dos embates entre robôs em O Exterminador do Futuro 2. Por outro lado, mais uma vez Daisy foi deixada de lado em termos de demonstração de poder, mesmo que sua participação como uma agente da C.I.A. tentando ludibriar Sousa tenha sido muito boa.

Entre figurinos e penteados mais uma vez esplêndidos que transformam completamente o elenco, May mostrando uma torrente de sentimentos logo no momento errado, Elena mais uma vez tentando usar seu poder e falhando e Mack e Deke formando uma ótima dupla, além de referências inteligentemente inseridas no episódio de forma a continuar o que parece ser a proposta da temporada, ou seja, um passeio “de bastidor” pelo UCM em geral e Agents of S.H.I.E.L.D. em particular, Alien Commies from the Future! consegue ser um dos mais deliciosos episódios da série em muito tempo. Sabem aquela sensação de “mal posso esperar o episódio da semana que vem”? Pois é exatamente o que estou sentindo agora, ao final dessa crítica, e não tem nada melhor do que esse sentimento para atestar a qualidade de uma temporada, não é mesmo?

Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X03: Alien Commies from the Future! (EUA, 10 de junho de 2020)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Nina Lopez-Corrado
Roteiro: Nora Zuckerman, Lilla Zuckerman
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Enver Gjokaj, Michael Gaston, Tobias Jelinek, Julian Acosta, Tamara Taylor
Duração: 42 min.

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