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Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X07: The Totally Excellent Adventures of Mack and The D

por Ritter Fan
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  • Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aquias críticas dos outros episódios e, aquide todo o Universo Cinematográfico Marvel.

Os leitores que acompanham meu trabalho aqui no site – e não só relacionado a Agents of S.H.I.E.L.D. – sabem que sou uma cria dos anos 80 que permanece em constante estado nostálgico por aquela década, mais conhecida como a melhor de todas para se ter vivido (e não, não é subjetivo e sim fato cientificamente comprovável!). Portanto, foi com imensa alegria quando veio a revelação de que Mack e Deke estavam presos nos anos 80, mais precisamente 1982 e 1983, com um episódio inteiramente dedicado à improvável dupla que, apesar de se manter praticamente no subsolo como o anterior, não comete o mesmo erro e usa a localização temporal inteiramente em sua vantagem, mais uma vez trazendo um caminhão de referências bem construídas e que impulsionam a narrativa como nos melhores episódios de uma já respeitável temporada.

Na verdade, o fato de The Totally Excellent Adventures of Mack and The D (quem é o Bill e quem é o Ted nessa dupla, hein?) passar-se no espaço confinado do Farol cumpre uma função muito clara dentro da homenagem que o roteiro de Brent Fletcher quer fazer aos filmes e séries trash sci-fi de baixo orçamento que marcaram os anos 80 e que vieram para se aproveitar do renascimento do gênero na segunda metade dos anos 70. Essa ambientação é perfeita para que robôs alienígenas malvados emprestados de Chopping Mall e que são a fusão dos Cylons (Battlestar Galactica) com os Número 5 (Um Robô em Curto Circuito) a partir de hilárias sequências de “criação” à la Mulher Nota 1000 ataquem no estilo slasher movies (repare que o casal que morre com litros e litros de sangue sendo despejados na câmera morre porque há a indicação de que eles acabaram de transar, regra número um do que não fazer em filmes de terror) o Esquadrão Classe A formado por variados agentes novatos reunidos por Deke (ou The D) vestidos como os pilotos de Top Gun e que conta com um Coulson virtual em sua versão Max Headroom.

Para além das referências e do humor mais carregado justamente por causa delas, a história tem seu lado sério que, claro, lida com a morte dos pais de Mack e como ele processa essa informação considerando que o personagem já havia perdido sua filha não uma, mas duas vezes. A longa montagem inicial que faz o tempo passar focando especialmente no grandalhão depressivo que deixa sua barba, mas não seu cabelo crescer, com Deke aparecendo vez ou outra – o que permite as surpresas posteriores, com a banda cover e a nova equipe formada – é uma maneira clichê, mas inteligente e leve de lidar com o problema que, assim como as piscadelas para os anos 80, ajudam a desenvolver a história e a tornar a perda não algo que é esquecido logo em seguida, mas sim que permanece com o personagem o tempo todo. A beleza dessa escolha é que, nela, o normalmente escanteado Deke tem seu espaço, espaço esse que não trai a essência do personagem, já que ele mais uma vez usa seu conhecimento do futuro para beneficiar-se no passado, mas desta vez de forma realmente responsável e que gera frutos objetivos como a volta de Coulson e a hilária equipe que ele acaba formando.

A ameaça dos Chronicoms versão trash não é construída de maneira a ser realmente uma ameaça daquelas que nós, espectadores, devemos levar a sério. Novamente, é importante entender e aceitar as homenagens que estão sendo feitas aqui, exatamente como aconteceu com mais relevância em Alien Commies from the Future!Out of the Past, mas sem as menções ao Universo Cinematográfico Marvel, o que vejo com bons olhos, pois variar um pouco é sempre bom. Há um contexto e esse contexto determina como temos que encarar os vilões nesse episódio e, se aceitarmos isso, a apreciação do que Jesse Bochco na direção consegue colocar na telinha vem muito facilmente a reboque. A direção de arte é cuidadosa ao invocar o espírito do que se pretende fazer, praticamente recriando Agents of S.H.I.E.L.D. como uma série sci-fi oitentista e canastrona até a raiz do cabelo, com direito à russa violenta, irmãos gêmeos medrosos, casal de amantes que é trucidado, cover de Simple Minds obviamente evocando O Clube dos Cinco, faixa sendo amarrada na cabeça no inconfundível estilão de John Rambo, jaqueta sem manga de Karatê Kid e, finalmente, mas não menos importante, o retorno da espingarda-machado, só que na versão cromada!

E tudo isso acontece estruturalmente dentro de um flashback a partir do interrogatório de Deke por May que acrescenta uma camada de mistério que serve como parte do cliffhanger para a segunda parte desse passeio nostálgico mais divertido do que tinha o direito de ser. Com Elena e May retornando do futuro (ou sei lá quando estavam) um tanto quanto repentinamente para reforçar o time e com Nathaniel Malick reentrando no jogo ao lado de Sybil Headroom (queremos um embate televisivo entre ela e Coulson Headroom!), a promessa de mais um mini-arco triunfal e possivelmente o melhor (porque se passa nos anos 80, claro) é certa.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X07: The Totally Excellent Adventures of Mack and The D (EUA, 08 de julho de 2020)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Jesse Bochco
Roteiro: Brent Fletcher
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Enver Gjokaj, Joel Stoffer, Tobias Jelinek, Thomas E. Sullivan, Patrick Warburton, Tamara Taylor, Paulina Lule, Sedale Threatt Jr., Jolene Anderson, Austin Basis, Ryan Donowho, Tipper Newton, John Yuan, Matt Yuan
Duração: 42 min.

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