Exibido em Festivais de cinema e indicado ao Oscar de Melhor Documentário, parte do que impressiona em Alabama: Presos do Sistema, é a forma que foi feito. Produzido pela HBO, ao longo de dez anos, os diretores Andrew Jarecki, Charlotte Kaufman misturaram a linguagem cinematográfica com o estilo de filmagem amadora registrada pelos encarcerados a fim de denunciar as falhas e abusos do sistema prisional americano — mas especificamente, em uma das prisões do Sul dos Estados Unidos. De início, a equipe por trás do longa tentou abordar a realidade dos presos de forma contida, visto que a Suprema Corte determinou que os diretores podem impedir a entrada de jornalistas como forma de proteger os presídios. Filmar um churrasco sem poder se aproximar faria de The Alabama Solution um registro tradicional, porém, é através do aumento de contrabando de celulares que nasce a ideia de denuncia do longa, uma vez que os detentos contatam a equipe de filmagem expor a realidade que lidam diretamente: a violência deliberada com a qual os guardas penitenciários punem e oprime os encarcerados.
Há relatos assustadores com a intenção de gerar impacto em quem assiste, e depois de acompanharmos alguns registros — cuidadosos – dos detentos chegamos ao norte narrativo do longa: a morte de Steven Davis, um homem que foi espancado, depois, teve o crânio esmagado por um guarda. A edição faz um trabalho eficiente ao utilizar vídeos no formato vertical sem deixar perder de vista a urgência dos depoimentos de quem topou participar de alguma forma do documentário, porém, a escolha dos roteiristas em acompanhar os desdobramentos da investigação do caso de Davis concentra para que a narrativa são se resumisse a compilado de vídeos. Assim como a história que está sendo contada, as filmagens realizadas pelos detentos ao longo da produção têm uma importância urgente tendo em mente que Presos do Sistema não teria o mesmo impacto — visual e narrativo — sem o é relato e apresentado com imagens. Um momento em questão — do hospital —, quando o caso de Davis começa a ser explorado potencializa o descontentamento da família ao saber que o rapaz foi encontrado em um estado deplorável sem explicações.
Para além do formato jornalístico investigativo de um documentário, o que faz The Alabama Solution funcionar é a dinâmica das chamadas que a equipe de produção consegue realizar com os detentos. Ficamos entre um longa que experimenta os elementos do true crime e linguagem cinematográfica com registros de câmera amadoras, em primeira mão, o que torna o material único e impactante, e ao mesmo tempo por trazer luz a linha investigativa. Certo que o longa poderia cair em um lugar comum — toda vez que traz outros casos — mas sempre que se mantém centrado com a participação dos detentos e relatos, o longa de Jarecki e Kaufman cresce. Em especial, há um bloco se concentra numa conversa Robert Earl e Melvin Ray (figuras chaves que funcionam como protagonistas) que contam sobre Halifax County, programa ao qual antigos detentos ensinam a outros detentos sobre como defender seus direitos e sobre o sistema legislativo americano.
Momentos como esses, mostram como Alabama: Presos do Sistemas tem várias facetas que se destacam ao falar do sistema prisional, mas principalmente quando foca no registro amador dos detentos: mesmo quando conseguiam aparelhos, todo relato é acompanhado de tensão e temor por serem pegos — tendo em vista que realizaram diferentes chamadas para o longa — assim, entendemos que toparem participar do documentário foi a forma encontrada de falar sobre a realidade que experimentam uma vez que a liberdade parece distante, então, ter esses registros exibidos em um filme é como tudo ou nada. Receber a indicação ao Oscar é uma forma de reconhecimento para o resultado de um trabalho de dez anos, que embora se perca entre as escolhas de seu formato e narrativa, reúne um relato urgente e impactante.
Alabama: Presos do Sistema (The Alabama Solution – EUA, 2025)
Direção: Andrew Jarecki, Charlotte Kaufman
Roteiro: Andrew Jarecki, Charlotte Kaufman, Page Marsella
Duração: 117 min
