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Crítica | Alcatraz – Fuga Impossível

por Luis Eduardo Bertotto
879 views (a partir de agosto de 2020)

Frank Morris (Clint Eastwood) foi um criminoso que alcançou a fama através de suas fugas de presídios; ele passou por diversos, até que foi mandado para a prisão de Alcatraz, localizada em uma ilha de mesmo nome que se encontra na bacia de São Francisco. E é neste contexto relativamente simples que este Alcatraz – Fuga Impossível se passa: na estadia de Morris na aparentemente infalível prisão.

Alcatraz – Fuga Impossível é um filme mais preocupado em colocar seus personagens em situações que deixem o espectador na beira da poltrona do que em explicar porque exatamente estes personagens estão vivenciando tais situações. Dito isto, o roteiro de Richard Tuggle baseado no livro de J. Campbell Bruce fornece pouca coisa (ou quase nada) a respeito da personalidade de seus personagens para o público, o que é algo muito evidente – por exemplo, basta apenas ver ao filme e tentar responder as seguintes perguntas sobre o protagonista: porque Morris foi preso? Porque ele quer fugir, para voltar à sua rotina de bandido ou voltar para alguém que lhe espera? E quem é Frank Morris, exatamente?

Assim, a única característica que o roteirista faz questão que nós saibamos a respeito de Morris é a de seu Q.I. elevado – mas, evidentemente, apenas porque isto está intimamente relacionado com o desenrolar de toda a trama do filme. Da mesma forma, a narrativa pouco investe em relacionamentos entre personagens que fujam do grande foco do filme (a tentativa de escapar da prisão), e, quando o faz, é meramente para desviar um pouco a atenção da plateia de toda a esquematização por trás desta tentativa de fuga.

Mas este vácuo na personalidade dos personagens pouco afeta no grande objetivo desta obra: promover uma experiência tensa e envolvente para o espectador – e, neste aspecto, o trabalho do diretor Don Siegel é fabuloso. Se na primeira metade do longa o cineasta (junto de seu roteirista) é hábil ao estabelecer a rotina da prisão e demonstrar para nós o funcionamento da mesma, é na metade final que Alcatraz atinge seu auge. Seja pelas improvisações e estratégias de Morris que fascinam, seja pelas inúmeras situações que promovem desconforto e inquietação, Siegel garante que seu público não pisque da metade da projeção em diante, graças à atmosfera tensa e sufocante que constrói.

Mas o cineasta não estabelece o suspense apenas com o ritmo ágil e envolvente que fornece ao seu trabalho, mas também ao fazer uso de recursos sonoros e visuais para a construção da atmosfera. Veja como ele é hábil ao usar os próprios sons do ambiente (a cena na serralheria ilustra muito bem isto) e uma trilha sonora sutil e por vezes acanhada; da mesma forma, a ausência de qualquer som também é muito bem utilizada pelo diretor, tornando o silêncio um aliado (ou inimigo) poderosíssimo dos personagens. Também, como recurso visual, o design de produção de Allen E. Smith é bem utilizado por Siegel e se mostra fundamental não apenas na composição de ambientes angustiantes, claustrofóbicos e pequenos – vide as minúsculas celas dos prisioneiros e o estreito corredor entre as paredes que separam internamente umas celas das outras –, mas também ao estabelecer uma lógica visual coerente para o histórico presídio.

Assim, se o roteiro pouco oferece para a personalidade do personagem principal, a escalação de Clint Eastwood não podia ser mais certeira, já que o ator tem uma presença forte e marcante, bem como um ar de confiança em si mesmo, o que garante que Frank Morris funcione enquanto protagonista da história, de tal forma que nunca desconfiemos de que ele é capaz de arquitetar soluções para todas as circunstâncias improváveis que surgem ao longo da projeção. Também, é interessante observar a maneira quase mítica com que o ator, ao lado de seu diretor, constrói o personagem, o que foi e continua sendo fundamental para que Morris seja visto praticamente como uma lenda.

Portanto, além de ser uma experiência tensa e angustiante, o trabalho de Siegel e Eastwood (que também foram parceiros no excelente Perseguidor Implacável) se revela como sendo um filme pipoca que funciona de forma mais que eficiente, em um passatempo despretensioso que merece figurar nas listas dos filmes de prisão que merecem ser conferidos.

Alcatraz – Fuga Impossível (Escape from Alcatraz, EUA, 1979)
Direção: Don Siegel
Roteiro: Richard Tuggle (baseado no livro de J. Campbell Bruce)
Elenco: Clint Eastwood, Patrick McGoohan, Roberts Blossom, Jack Thibeau, Fred Ward, Paul Benjamin, Larry Hankin, Bruce M. Fisher, Frank Ronzio, Fred Stuthman
Duração: 112 min.

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10 comentários

messias73 27 de maio de 2018 - 03:37

Um fato curioso… Recentemente foi descoberto que o Frank Morris e os irmãos John e Clarence Anglin, supostamente sobreviveram a fuga…. Fato que o final do filme deixa em aberto.

A polícia recebeu uma carta alegadamente de um dos irmãos que conseguiu escapar da “Rocha”.

Segundo a rede BBC, a carta conta que os irmãos John e Clarence Anglin, assim como o recluso Frank Morris, não só sobreviveram à fuga, como ainda viveram longos anos: Clarence Anglin terá morrido em 2008 e Morris em 2005.

O objetivo do autor da carta (pós 50 anos da fuga) era chegar a acordo com o FBI, uma vez que estava a morrer de cancro.

A carta foi enviada ao FBI que testou a sua autenticidade, comparando a letra dos três reclusos, mas o resultado foi “inconclusivo”.

Talvez não quisessem reconhecer o feito, porque os 3 são os únicos que não foram recapturados. 36 pessoas tentaram fugir: 23 foram capturadas, seis mortas pelas autoridades e quatro morreram afogadas.

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Anônimo 29 de maio de 2018 - 20:00
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Cesar Cesar 12 de maio de 2018 - 14:45

Não se fazem mais filmes como esse… infelizmente!

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Francini Ahmed 18 de abril de 2018 - 14:15

Excelente filme, engraçado que o assisti sem saber que se tratava de um filme baseado em fatos reais.

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Luis Eduardo Bertotto 19 de abril de 2018 - 22:30

O fato de o filme ser baseado em casos reais apenas aumenta a lenda por trás da história, e, consequentemente, o charme por trás do filme… 😉

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kevinmckenziesampson 24 de dezembro de 2018 - 03:32

luis_eduardo_bertotto no but

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disqus_1ZT1iGKedb 27 de dezembro de 2018 - 23:39

luis_eduardo_bertotto gg

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pabloREM 28 de março de 2018 - 15:53

Ótimo filme, assim como o outro citado, Perseguição Implacável, já perdi a conta de quantas vezes eu assisti.

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Luis Eduardo Bertotto 31 de março de 2018 - 11:57

Filmes realmente imperdíveis Pablo!
Abraço.

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pabloREM 28 de março de 2018 - 15:53

Ótimo filme, assim como o outro citado, Perseguição Implacável, já perdi a conta de quantas vezes eu assisti.

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