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Crítica | Alex Strangelove (2018)

por Luiz Santiago
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Alex Strangelove (2018) é quase uma versão Sessão da Tarde de Com Amor, Simon (2018), infelizmente, sem o apuro do filme de Greg Berlanti. Mas isso não quer dizer que se trata de um filme ruim. A película traz coisas boas dentro daquilo que promete — e considerando a proposta de investimento em romances adolescentes/jovens da Netflix para 2018, tendo sido antecedido por A Barraca do Beijo, este sim, um exemplo pouco elogiável do típico romance escolar.

Mas apesar de todas as imperfeições, Alex Strangelove se sai melhor porque encara a concepção simples (e em muitos momentos, inteligente) e não cai na armadilha de se levar a sério demais na esfera sentimental, tornando ainda mais estranha a linha melodramática que sabemos ter nesse tipo de obra. Escrito e dirigido por Craig Johnson, o filme nos conta a história de Alex Truelove (Daniel Doheny, um sósia distanciado de Andrew Garfield), um aluno exemplar do último ano do Ensino Médio que, por mais que a namorada (Madeline Weinstein) tente, nunca consegue fazer com que ele tome uma atitude para o sexo, o que começa a ser um motivo de zombaria, depois de preocupação e depois de relacionamento entre os dois.

O efeito cômico conseguido através dos clipes de vida animal é algo maravilhoso para o filme. Desde o início, enquanto faz comparações de pessoas de sua escola, de seus amigos e de si mesmo com animais e seus comportamentos sexuais peculiares, o espectador é despertado para um tipo de narrativa indireta que não é comum no gênero. E o melhor disso é que não se trata de um artifício simplista e momentâneo. A edição dos vídeos e as diversas brincadeiras com gêneros cinematográficos, filmes (Carrie, a Estranha, é o primeiro deles) e personalidades diversas do mundo das artes ou da ficção fazem com que a gente conheça um pouco mais do casal e simpatize com Alex, que é mesmo um garoto doce, claramente escondendo algo. Ou nem tanto assim. Notem que o texto não torna a sexualidade dele um real “grande mistério”, do tipo “nunca vou falar, ninguém pode saber“. A resistência existe, claro, mas ela não é absoluta.

Para aquilo que o filme exige, Daniel Doheny entrega uma performance interessante. O mesmo não podemos dizer de seus colegas de cena (à exceção de Madeline Weinstein), alguns majoritariamente estranhos e outros tendo apenas alguns bons momentos em tela, como Elliott (Antonio Marziale) que vem abalar as estruturas do já confuso e nervoso Alex. Mais do que qualquer outra coisa, o filme passa a sofrer com tropeços de interpretações, com cenas desnecessárias no meio do caminho e com situações que não se completam ou não são bem costuradas pelo roteiro. No primeiro aspecto, é muito estranho ouvir frases do tipo “ninguém é mais hetero?“, sem ser em um sentido irônico ou cínico, como algo válido no meio da trama, assim como uma porção muito grande de frases machistas por parte dos amigos de Alex, o que não passa por um olhar crítico ou de tratamento de personagem, fazendo-nos questionar a natureza da obra que tem uma proposta inclusiva. Embora seja um problema pontual, faltou tato.

Já no segundo aspecto, o espaço entre o primeiro encontro de Alex e Elliot e o final da obra é bastante reticente. Por mais que seja simpático o trabalho com as descobertas do protagonista (exceto por aquela desnecessária sequência da infância, feita para mostrar algo que já tinha ficado muito claro), falta espaço para que o contato entre os meninos e as descobertas se estruturem melhor. Nos momentos em que se encontram, a química entre os dois é muito boa e o desejo contido torna a cena ainda mais interessante. Sem explorar bem essas possibilidades, no entanto, não é segredo que tudo na reta final seja o aquilo que os romances do gênero tenham de menos interessante e mais irritante, com suas resoluções fáceis e frases de efeito.

A boa colocação dos vídeos do Youtube, ao término do filme, foi uma grande jogada, porque os temas ali em pauta ligam-se ao que Alex certamente estava para contar naquela edição de sua websérie, então, foi uma boa mistura de mídias… para passar uma boa mensagem. Mesmo que não se sustente por completo, são arranjos interessantes como estes que tornam Alex Strangelove um filme pelo menos mediano, fazendo valer ao menos a maior parte da sessão.

Alex Strangelove (EUA, 2018)
Direção: Craig Johnson
Roteiro: Craig Johnson
Elenco: Ayden Mayeri, William Ragsdale, Madeline Weinstein, Antonio Marziale, Isabella Amara, Joanna Adler, Daniel Doheny, Daniel Zolghadri, Annie Q., Nik Dodani, Bj Gruber, Aidan Pierce Brennan, Jesse James Keitel, Sophie Faulkenberry, Edward Sass III
Duração: 99 min.

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4 comentários

Marcos 15 de junho de 2018 - 06:02

A crítica fez parecer que é um filme de mediano pra ruim, sendo que é de mediano pra bom. É leve, interessante e uma boa aquisição ao catálogo de filmes LGBTs que parecem se expandir. A atuação do trio protagonista é boa e eles acertaram em todos os sentidos na hora de fazer personagens carismáticos e interessantes, o roteiro do filme é bom, sempre na proposta de algo leve e com a intenção de divertir. Creio que isso eles conseguiram e na crítica americana está indo muito bem, com 84% de aprovação no Rotten Tomatoes. Uma mistura de ”Superbad” com ”Love Simon”, vale a pena

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Luiz Santiago 15 de junho de 2018 - 06:42

É “diferença de opinião” que chama.

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Laércio Barbosa 12 de junho de 2018 - 20:07

Realmente faltou tato em relação as partes machistas, mas felizmente o filme se redime um pouco depois

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Luiz Santiago 12 de junho de 2018 - 21:23

Pois é. Esses momentos me incomodaram pontualmente, mas ainda bem não é algo que persiste no filme e de fato acaba tendo uma remissão depois.

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