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Crítica | Alien (2021) – Vol. 1: Bloodlines

por Ritter Fan
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Com a aquisição de grande parte do grupo Fox pela Disney, a história se repete e a Dark Horse Comics, que já havia perdido a franquia Star Wars para a Marvel Comics, perdeu, a partir do começo de 2021, a do universo Alien que, com apenas uma exceção (a graphic novel de adaptação do primeiro filme, publicada pela Heavy Metal em 1979), vinha publicando desde 1988. Na verdade, foi até uma surpresa esse movimento, pois Alien não é uma franquia com a “cara” da Marvel, mas eis que a mudança ocorreu e, com grande fanfarra, a editora lançou a primeira edição em março deste ano.

Considerando o quanto foi decepcionante o one-shot comemorativo dos 35 anos do lançamento de Aliens, o Resgate, Aliens: Aftermath, confesso que havia baixado muito minhas expectativas para o primeiro arco da publicação principal mensal, mesmo sabendo que o roteirista era Phillip Kennedy Johnson, do maravilhoso recém-encerrado Livro I das Crônicas de Fellspyre, do selo Black Label da DC Comics. No entanto, felizmente, eu estava enganado. Bloodlines, apesar de ser claramente um jogo seguro pela editora, o que sem dúvida faz parte da estratégia para testar novas águas, se segura muito bem como arco introdutório de um novo cânone que se passa no ano 2200, 21 anos depois dos eventos do segundo filme.

Quando digo que essas primeiras seis edições jogam seguro, pensem em Star Wars: O Despertar da Força. Trata-se de um bom filme, que segue os passos do original de 1977, traz alguns rostos conhecidos de volta, introduz vários outros e insere  algumas ideias diferentes em sua estrutura para preparar o futuro. Bloodlines é bem isso. O arco de Johnson muito claramente bebe tanto do primeiro longa da franquia Alien, com pessoas confinadas em uma estrutura no espaço tendo que sobreviver a uma presença assassina, como do segundo, com uma missão de resgate cheia de reviravoltas e motivações escusas pela Weyland-Yutani, a onipresente empresa deste universo. O protagonista é Gabriel Cruz, experiente oficial de segurança recém-aposentado da WY que precisa retornar à Estação Epsilon, onde estava lotado, para salvar seu filho, um terrorista anti-WY, e recuperar uma amostra de xenomorfo em uma corrida contra o relógio.

Ou seja, no frigir dos ovos é uma versão condensada e com menos personagens dos dois longas originais que recicla a malvadeza da Weiland-Yutani, pega emprestado de diversas fontes o descontentamento dos humanos em geral com a empresa e coloca no mix os bons e velhos monstros que saem das caixas torácicas das pessoas em uma estrutura bem reconhecível pelos leitores e que reintroduzi ninguém menos do que o androide Bishop – outra versão dele, claro – como o fiel amigo e terapeuta de Gabriel que, e aí começam a vir as “novidades”, tem um passado traumático envolvendo os alienígenas e uma conexão especial com os xenomorfos, inclusive uma espécie de sonho em que ele vê uma misteriosa fêmea humanoide dos bicharocos. Há ainda uma outra surpresa que não mencionarei aqui, mas que não é lá algo tão extraordinário assim para quem conhece a adaptabilidade dos aliens.

Johnson, portanto, faz o leitor se sentir em casa, sem se arriscar muito no processo, algo natural para um ponto de entrada de novos “olhos” e “mentes” prontos a serem fisgados pelo que o autor espertamente vai construindo, com direito a um baita cliffhanger que promete expandir esse universo para caminhos bem diferentes dos que foram tentados antes. Como será o mesmo roteirista que continuará a trabalhar no próximo arco, fica aquela tranquilidade de que existe um planejamento razoavelmente firme por ele para trabalhar as pontas soltas que deixa na edição final.

Enquanto as artes das capas principais de InHyuk Lee são excepcionais, a interna de Salvador Larroca me deixou desapontado. Nada a reclamar da progressão dos quadros, da ambientação inorgânica e dos aliens – velhos e novos – pois tudo funciona bem. O problema fica restrito aos humanos (e androides, claro) que têm rostos quase deformados de tão estranhos, além de traços e movimentação estranhas, com as cores digitais de Guru-eFX só criando mais uma camada que dificulta a conexão do leitor com o protagonista (Bishop, por terem mantido as feições de Lance Henriksen, ganha um desconto, claro).

O que importa, mesmo que o primeiro arco tenha trilhado um caminho bem menos ousado do que poderia, é que Bloodlines funciona muito bem para mostrar que a Marvel Comics é sim capaz de colocar boas HQs desse universo, sem diluir demais os conceitos já estabelecidos e sem economizar na violência e no sangue. O que eu espero, porém, é que, ultrapassada essa fase introdutória, a editora solte Johnson completamente nesse universo, pois o roteirista tem todo o potencial de renovar o interesse pela franquia antes da vindoura série televisiva de Noah Hawley.

Alien (2021) – Vol. 1: Bloodlines (EUA, 2021)
Contendo:
Alien (2021) #1 a  6
Roteiro: Phillip Kennedy Johnson
Arte: Salvador Larroca
Cores: Guru-eFX
Letras: Clayton Cowles
Capas: InHyuk Lee
Editoria: Shannon Andrews Ballesteros, Kat Gregorowicz, Jake Thomas, Darren Shan, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 24 de março a 25 de agosto de 2021
Páginas: 146

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