Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | Alien – A Ressurreição

Crítica | Alien – A Ressurreição

por Ritter Fan
602 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2

Obs: Há spoilers. Clique, aqui, para ler todo nosso material da franquia Alien.

A via crucis de Ripley (Sigourney Weaver) acaba em Alien – A Ressureição, pelo menos até segunda ordem. De caminhoneira espacial, ela é transformada em sobrevivente, depois em combatente, depois em mãe de monstro alienígena e, agora, fechando o círculo, ela própria se torna um monstro alienígena. Apesar de Alien 3 e Alien – A Ressureição serem filmes muito aquém dos dois primeiros, a evolução do personagem é inegavelmente muito interessante e, até, inovadora e corajosa.

Outro aspecto que destaca a chamada “quadrilogia” Alien é a capacidade dela revelar novos diretores. Alien foi o segundo filme de Ridley Scott e o que verdadeiramente deu o impulso necessário à sua carreira. Aliens, O Resgate, por sua vez, transformou o diretor de Piranhas 2 e de O Exterminador do Futuro no Rei do Mundo (e de Pandora também). Alien 3, apesar de todos os problemas na produção, revelou David Fincher, um dos melhores cineastas americanos da atualidade. Por último, mas não menos importante, o quarto filme da série mostrou para o mundo, de uma vez por todas, o potencial do francês Jean-Pierre Jeunet, que já havia dirigido Delicatessen e Ladrão de Sonhos, mas ainda não tinha alcançado o status que alcançaria em seguida a Alien – A Ressureição, com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Eterno Amor e Micmacs.

Quando o filme começa, duzentos anos se passaram. A toda-poderosa corporação Weyland-Yutani não mais existe. Vemos Auriga, uma nave militar científica, sendo abordada por mercenários da nave Betty, que traz um carregamento de seres humanos para serem usados em experimentos. Somos apresentados a Johner (Ron Perlman) e à calada Call (Winona Ryder), além do resto do grupo de bandidos espaciais. Quando Call vê a recém-clonada Ripley, ela lembra de alguma coisa e passa a desconfiar da ex-heroína. Ripley, por sua vez, está estranha. Lembra-se pouco de seu passado, tem poderes especiais oriundos da fusão de seu DNA com o da Rainha Alien que crescia em seu corpo no filme anterior e, também, uma estranha conexão com os aliens que resultaram da clonagem da rainha. Está formado, assim, o campo de batalha. O que segue, claro, é um banho de sangue ao longo de uma fuga desesperada.

Joss Whedon, já vindo de uma fama relativa como escritor do filme Buffy – A Caça Vampiros e como um dos vários roteiristas de Toy Story, assinou essa fita. Conhecendo Whedon como hoje o conhecemos, é possível notar que talvez os dois melhores momentos da obra tenham vindo dele.  O primeiro deles é a cena da fuga dos aliens da jaula. Estabelecendo a altíssima inteligência dos monstros e todo seu instinto selvagem de sobrevivência, vemos um deles ser morto pelos demais de forma que o sangue ácido do falecido liberte-os do cativeiro. O segundo momento mostra uma perseguição aquática. É a primeira que vemos os bicharocos nadando e a cena é realmente muito bem executada. No entanto, a criatividade de Whedon, ainda não totalmente solta, para por aí.

O que testemunhamos em seguida, portanto, é o desmoronamento de seu roteiro, com a clara perda do norte. A relação de Ripley com Call se intensifica e uma nova conexão mãe-filha começa a formar-se, mas a trama, ao contrário, começa a mostrar sinais de que o filme precisou receber enxertos para conseguir ultrapassar os 100 minutos de projeção. E tudo culmina em um final que, apesar de ter uma proposta interessante, é mal desenvolvido, apressado e acaba traindo tudo o que veio antes. E não ajuda nada o fato de o design da criatura final ser a antítese de tudo que H.R. Giger legou para o mundo das monstruosidades  cinematográficas.

As atuações, por sua vez, são as mais rasas possíveis. Weaver, obviamente já muito acostumada com seu papel, faz uma Ripley quase robótica, talvez pela natureza híbrida de seu personagem. Acontece que Ripley não é um robô, mas Weaver fica presa nessa espécie de limbo de atuação, sem conseguir se achar. Ron Perlman é Ron Perlman, sempre divertido, mas seu personagem é, apenas, padrão de filmes do gênero. Ryder faz o papel mais intrigante do filme, mas ela acaba sendo sub-aproveitada por Jeunet.

A Ressureição quase consegue acabar a série de forma minimamente digna, mas derrapa tanto em seu final que não consegue ultrapassar a mediocridade de seu antecessor. Outra oportunidade desperdiçada.

*Crítica originalmente publicada em 14 de junho de 2012 (atualizada e corrigida).

Alien – A Ressurreição (Alien: Ressurection – EUA, 1997)
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Joss Whedon
Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Ron Perlman, Dominique Pinon, Gary Dourdan, Michael Wincott, Kim Flowers, Dan  Hedaya
Duração: 109 min.

Você Também pode curtir

38 comentários

senaemcena 10 de abril de 2020 - 15:26

Mestre Ritter

Conclui hoje uma maratona que fiz na quadrilogia. E ao finalizar minha resenha (tenho um insta @senaemcena) corri pro PC ver a opinião de vocês.

Poxa, de fato, Alien³ tem alguns pontos errados, mas esse quarto é um show de erros. A começar pela cena do inseto que ao menos não nos engana e de cada mostra o tom do filme: humor raso em um filme de terror.

Mas pra não me estender deixo aqui o que mais agride meus olhos e ouvidos. Quando Ripley diz “Com quem tenho que transar para sair deste barco?”. Fiquei deslocado.

Acredito que a história de Ripley feche bem com seu sacrifício ao final de Alien³.

Abraço.

Responder
planocritico 12 de abril de 2020 - 12:31

Como disse para outros leitores, eu gosto do ciclo que acaba com Ripley sendo um híbrido. É uma ideia bacana. Mas Ressurreição pegou essa ideia, jogou no liquidificador e fez uma papa muito da insossa…

Abs,
Ritter.

Responder
Zé Higídio 24 de julho de 2019 - 23:44

Eu chorei ao terminar de ver esse filme.
Não foi de emoção.
Eu não estou brincando.
Lixo tóxico.

Responder
planocritico 25 de julho de 2019 - 05:56

BEEEEM ruim mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
JC 26 de julho de 2019 - 12:32

Eu nunca nem botei o Bluray pra assistir esse.
Paro sempre no terceiro.

Argh.

Responder
planocritico 26 de julho de 2019 - 13:36

Tenho menos dificuldade de ver esse do que aqueles prelúdios porcarias que o Ridley Scott soltou…

Abs,
Ritter.

Responder
JC 26 de julho de 2019 - 16:16

Acho que todos são filmes para ver um vez só hahaahahhahah

Responder
planocritico 26 de julho de 2019 - 16:26

Confesso que Prometheus 2 (juro que nem o nome sei) eu vi uns 15 minutos e mudei para algo mais inteligente como Faustão ou algo semelhante…

Abs,
Ritter.

JC 26 de julho de 2019 - 17:07

Eu nem lembro se assisti ahahahaahahahahahaahahahahahahahahahaaa

planocritico 26 de julho de 2019 - 17:07

Tamo junto!!!

Abs,
Ritter.

Rodrigo Sousa 4 de abril de 2018 - 05:05

Alguém me explica como nasce aquela coisa no final? Estou me perguntando até agora. A rainha fica com o útero da Ripley foi isso? Uma mistura total de DNAs. Bem criativo, mas deixou a desejar, difícil entender.

Responder
planocritico 4 de abril de 2018 - 15:55

A nova rainha é uma “mutante” que tem útero em razão do DNA de Ripley e ela tem um filho híbrido de humano e xenomorfo que acaba reconhecendo Ripley como sua mãe.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 4 de abril de 2018 - 15:55

A nova rainha é uma “mutante” que tem útero em razão do DNA de Ripley e ela tem um filho híbrido de humano e xenomorfo que acaba reconhecendo Ripley como sua mãe.

Abs,
Ritter.

Responder
Bruninho 29 de agosto de 2019 - 14:32

WTF?

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 14:41

Mesma reação que tive…

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Sousa 4 de abril de 2018 - 05:05

Alguém me explica como nasce aquela coisa no final? Estou me perguntando até agora. A rainha fica com o útero da Ripley foi isso? Uma mistura total de DNAs. Bem criativo, mas deixou a desejar, difícil entender.

Responder
SUPRAMATY 11 de dezembro de 2017 - 18:27

A sensação que tive ao assistir esse filme foi de estar vendo pequenas propagandas. – a cena do basquete só faltou encerrar com o slogan ‘Baskettball Never Stops – NIKE’.

..
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida

Responder
planocritico 11 de dezembro de 2017 - 18:44

He, he. Não tinha pensado nisso, mas agora não conseguirei “despensar”…

Abs,
Ritter.

Responder
SUPRAMATY 11 de dezembro de 2017 - 18:27

A sensação que tive ao assistir esse filme foi de estar vendo pequenas propagandas. – a cena do basquete só faltou encerrar com o slogan ‘Baskettball Never Stops – NIKE’.

..
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida
Eu sou a ressurreição e a vida

Responder
Fernando Gallon 19 de maio de 2017 - 11:35

Esse nem assistindo a versão do diretor melhorou a qualidade do filme, acho que perderam totalmente a mão na franquia. O hibrido do final ficou ridículo.
A esperança ainda é que o Neill Blomkamp consiga levar a versão dele para a franquia um dia.

Responder
planocritico 21 de maio de 2017 - 09:00

Duvido que Blomkamp um dia tenha chance de colocar a visão dele nas telonas… Scott pegou a franquia de novo e, pelo visto, não vai soltar mais…

Abs,
Ritter.

Responder
Merlim 8 de maio de 2017 - 19:15

Apesar dos muitos problemas de Alien 3, eu consigo assistir o filme como uma obra muito aquém das anteriores, mas que ainda consegue servir como entretenimento de alguma forma. Com Alien – A Ressurreição não dá. Eu não consigo reassistir o filme tamanha a decepção e o ódio que ele me dá.
A Ripley Clone – ainda que parta de uma premissa interessante – é sofrível. Ela destrói toda a construção de personagem estabelecida nos filmes anteriores. E vira um amontoada de clichês daquilo que muitos roteiristas e diretores preguiçosamente acham que é uma “personagem feminina forte”.
O fim da Ripley em Alien 3 é bastante discutível, mas poderia ser um fim relativamente digno pra personagem, ou pelo menos “menos pior” que a desgraça que é Alien – A Ressurreição.
Isso sem nem mencionar aquele híbrido do inferno do final…

Responder
planocritico 9 de maio de 2017 - 17:26

@merlimiriane:disqus , entendo perfeitamente. Eu gosto do ciclo de sobrevivente —> guerreira —> mãe do monstro —-> o monstro dos quatro filmes, mas o 3 e 4 têm tantos problemas que acho os dois equivalentes em sua mediocridade…

Abs,
Ritter.

Responder
paulo joão 10 de maio de 2017 - 01:31

O Quarto filme é melhor que qualquer filminho de herói feito hoje em dia.

Responder
planocritico 10 de maio de 2017 - 01:42

O que seria do azul se todos gostassem do amarelo, não é mesmo? 🙂

Abs,
Ritter.

Responder
paulo joão 10 de maio de 2017 - 02:06

Atualmente só temos amarelo nos cinema. Alien 4 é um filmão injustiçado.

Ian Luz 11 de maio de 2017 - 05:05

vish mano , segura sua onda aí. Esse é um site de críticas e análises. Se voce não concorda , apresente argumentos pra isso , ou nem precisa comentar. O clima aqui é sempre pacífico , não estraga nao , por favor.

$249698954 10 de maio de 2017 - 02:58

A sua opinião não vale nada.

Responder
Dan 6 de maio de 2017 - 14:51

A crítica condiz bastante meu sentimento em relação ao filme. Acho bem legal a proposta da Ripley clone e seu DNA misturado ao da rainha alien, entretanto o filme descamba totalmente no seu terceiro ato.
A partir do momento em que o “alien branco” aparece em diante minha vontade é parar de assistir ao filme. Uma pena, pq gosto bastante das cenas de ação, do clima e dos novos personagens (em especial da Call).
De qualquer forma, acho bem melhor do que o terceiro e encerra razoavelmente bem a história da Ripley

Responder
planocritico 6 de maio de 2017 - 23:45

Exato. A proposta é muito boa, mas a execução foi fraca e aquele híbrido no final foi de chorar de ruim…

Abs,
Ritter.

Responder
Geraldo Veras 7 de maio de 2017 - 09:33

Tenho o box ‘definitivo’ em Blue Ray da 20th Century Fox. Nos extras a gente vê todo o enorme trabalho do pessoal da ADI (que trabalha desde o segundo filme) tem para dar vida aos queridos Aliens, incluindo o monstrengo do final desse quarto filme. Nesse ponto eu bato palmas pra eles. Mas como o mestre Ritter adiantou, é nítido o problema de execução, desenvolvimento pouco depois do atos iniciais. Sei lá, tem horas que, ao contrário inclusive de Alien 3, é como se esse ultimo tivesse sido feito por gente amadora (lógico que tenho ciência da veia meio trash de Jean Pierre Jeunet). Pra mim, nada mais vai superar o primeiro e a atmosfera que ele criou. Já revi o extras umas 500 vezes, quem dirá o próprio filme. Até os sons datados dos anos 70 e começo dos 80 me agradam. kkkkk

Responder
planocritico 7 de maio de 2017 - 15:10

Ressurreição tem boas ideias. Alguns bons momentos – que até diria que são melhores do que os bons momentos de Alien 3 – mas quando o filme fica ruim, ele fica ruim MESMO. Chega quase a ser bipolar…

Abs,
Ritter.

Responder
paulo joão 10 de maio de 2017 - 01:33

Eu não acho. O final é mil vezes melhor que o do terceiro. É muito mais filme que Prometheus. A cena final(um aborto metaforicamente falando) é chocante.

planocritico 10 de maio de 2017 - 01:43

Sobre Prometheus, tenho que concordar!

– Ritter.

$249698954 10 de maio de 2017 - 03:00

Acha, acha, quem e você para achar alguma coisa alem de ser um comentarista arrogante de internet se ponha em sua insignificância hater maldito.

paulo joão 10 de maio de 2017 - 01:32

Eu acho justamente o oposto. É a inversão do que o Alien sempre fez com as outras espécies ao se misturar com elas. Nesse caso é a humanidade com sua inteligência que se mistura ao Alien, mas com isso também prova seu lado negro.

Responder
planocritico 10 de maio de 2017 - 01:43

O híbrido em si foi ruim. Não a ideia dele.

– Ritter.

Responder
$249698954 10 de maio de 2017 - 01:58

Ainda bem que você acha j[a que a sua opniao não vale de mierda nenhuma.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais