Crítica | Alien e Predador vs. Lampião: A Batalha Mais Horripilante do Universo

Meu contato com este cordel de Izaias Gomes de Assis veio através do meu amigo Rodrigo Pereira, que sabendo do meu apreço por narrativas relacionadas ao cangaço, do fato de eu ser nordestino e da minha paixão por todo tipo de história fora da caixinha — especialmente se envolve algum aspecto histórico ou ficção científica –, conseguiu me conquistar mostrando apenas a capa original desta publicação. Na mesma hora eu fui atrás da obra e a encontrei à venda na Amazon, num pequeno volume que traz as duas partes desta saga e mais um pequeno bônus que conta as desventuras de Lampião no Inferno.

Através do contato da Isvá Editora, consegui conversar brevemente com o autor e ter algumas informações interessantes a respeito da obra, inclusive sobre o ano original da publicação original de cada uma delas. Segundo me informou o artista, ele escreveu as histórias exatamente na época do lançamento dos dois Alien vs. Predador, o que coloca A Batalha Mais Horripilante do Universo no ano de 2004 e A Carnificina Continua no ano de 2007, quando chegou aos cinemas Alien vs. Predador 2.

Como o chamativo título do cordel anuncia, temos aqui uma surreal (mas verdadeira, não duvide não!) história do cangaço brasileiro, com a chegada dos dois inimigos espaciais às caatingas do sertão nordestino, tendo a infelicidade de se depararem com Lampião. Como disse mais acima, trata-se de uma saga em duas partes, mas a primeira é a bem mais polida, engraçada e engajante. Desde os primeiros versos o leitor não consegue tirar o sorriso do rosto, ao mesmo tempo que teme pelo destino de Lampião, que é “abandonado” pelos cabras frouxos que o acompanhavam, todos espantados demais com os bichões do espaço… a ponto de embrenharam-se em fuga pela caatinga, uma solução inteligente do autor, pois isso destaca o protagonista e seus inimigos, que neste ponto da história, no recorte aqui proposto, acaba ganhando o seu famoso apelido, num desfecho ao mesmo tempo cômico e poético.

A segunda parte traz um pouco da confusão do segundo filme da franquia, algo que podemos ver mais fortemente no miolo da obra, apesar de o começo e o final terem uma elogiável fluidez narrativa e serem bem engraçados. Começamos com revelações importantes sobre o resultado da batalha anterior e os versos nos levam para uma dupla ação, que é a parte que eu menos gostei da história, com um caminho indo para uma das “aproximações” de Lampião e seus cabras de uma certa cidade da caatinga; e outro caminho (o mais interessante, por ser o verdadeiro tema do cordel), preparando o segundo encontro do cangaceiro com os monstros.

Assim como na primeira parte da saga, a descrição da batalha em versos é riquíssima, muito engraçada e tem um final tremendamente criativo, que na verdade explica perfeitamente bem uma das duas lendas urbanas bastante populares no Brasil envolvendo ETs… ou uma certa e temível criatura cuja origem é amplamente latina, sendo encontradas versões delas em diversos países das Américas (embora provavelmente o primeiro relato histórico de sua “presença” tenha sido registrado em Porto Rico). Uma ótima mistura de elementos do regionalismo brasileiro com criações gringas, resultando em algo verdadeiramente divertido e interessante.

Alien e Predador vs. Lampião: A Batalha Mais Horripilante do Universo (Brasil, 2004/2007)
Autor: Izaias Gomes de Assis
Editoras: Chico Editora, Isvá Editora
30 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.