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Crítica | Aliens: Aftermath

por Ritter Fan
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Depois da compra da Fox pela Disney, era infelizmente natural que as HQs do universo Alien passassem a ser publicadas pela Marvel Comics, o que começou a acontecer em março de 2021, com uma série mensal simplesmente intitulada Alien. Se Star Wars já havia sido devolvida para a Marvel quando da compra da Lucasfilm pelo conglomerado, esse caminho concentrador aconteceria também com os xenomorfos mais ou cedo ou mais tarde.

Quando, porém, soube que a Marvel objetivava comemorar os 35 anos do lançamento de Aliens, o Resgate, uma das melhores continuações cinematográficas e um dos melhores filmes de ação sci-fi já feitos, fiquei feliz o suficiente para esquecer-me momentaneamente da franquia em quadrinhos pela Dark Horse Comics. Afinal, as possibilidades eram muitas, como, por exemplo, uma nova adaptação do filme, quem sabe? Quando mais detalhes saíram, que seria um one-shot que mostraria o que restou da colônia Hadley’s Hope em LV-426 após o fim do filme, logo imaginei que seria uma espécie de artifício narrativo em que uma expedição à lua serviria de desculpa para uma nova visão – talvez a partir de gravações encontradas lá – dos acontecimentos. Ou que simplesmente seria uma história de remontagem do passado, sem a necessidade de que os xenomorfos aparecessem no presente da história.

Mas foi aí que vi a capa da HQ por Phil Noto, essa que recortei para inserir no destaque maior da publicação, em que um xenomorfo “fosforescente” aparece. Soltei um suspiro de resignação e reuni forças para manter minha esperança de que essa capa seria uma daquelas sem relação com o conteúdo, só com o objetivo de servir de chamariz. E foi assim que comecei a leitura, logo ficando esperançoso pelo começo 35 anos depois dos eventos explosivos do longa de James Cameron, com um grupo de jornalistas-ativistas-terroristas explodindo uma estação de abastecimento da Weyland-Yutani para protestar contra o gigantesco conglomerado espacial e, no processo, descobrindo informações sobre Hadley’s Hope. Fiquei mais feliz ainda quando um dos personagens, o “âncora” Cutter, revela-se como sobrinho de ninguém menos do que a recruta Vásquez, personagem querida do público e vivida por Jenette Goldstein, o que insere um lado pessoal na narrativa.

Esse começo interessante, o que inclui a chegada na dizimada Hadley’s Hope, realmente me deixou tranquilo de que leria algo que respeitaria o material original e traria, potencialmente, uma nova visão sobre os eventos. Mas não. Nada disso. Sabem a capa? Aquela do bicharoco fosforescente? Pois é. Ela é ilustrativa do conteúdo sim e não apenas uma isca para atrair leitores. Essa versão do xenomorfo, mais transparente que o comum e com um brilho intenso, vive tranquilamente no inverno atômico de LV-426 e continua tão assassino quanto seus ascendentes de décadas anteriores. E, mais! Como ele nasceu a partir de um corpo em criogenia, no lugar de ácido, ele sangra nitrogênio líquido. Isso mesmo que você leu horrorizado e boquiaberto: NITROGÊNIO LÍQUIDO.

Poderia ser uma alien radioativo, um alien com o bafo atômico do Godzilla, um alien que se adaptou ao escuro completo da lua, até mesmo um alien sofrendo os efeitos lentos da radiação em sua fisiologia. Mas não, não. Claro que era muito melhor que fosse um alien fosforescente que sangra nitrogênio líquido, pois o momento “arrá” que Benjamin Percy quis providenciar exigia algo idiota assim. Pois bem, esse tal momento surpresa, que revela a inteligentíssima mudança no xenomorfo promovida pelo roteiro, me deixou triste o suficiente para ler o restante da curta edição de 33 páginas no mais completo automático, querendo acabar logo essa tragédia ou, como ela é a última que morre, que a esperança me trouxesse algo realmente genial para fechar a edição.

Mas não trouxe. E eu fechei a edição querendo meus 20 minutos de volta e sofrendo por saber que teria que escrever sobre ela logo em seguida. Na verdade, mais do que isso. O que eu quero mesmo, depois dessa, é que a Marvel Comics devolva a franquia à Dark Horse, tadinha, que mesmo tendo feito o diabo com os xenomorfos, nunca, até onde me consta, chegou nesse nível de ruindade. Aliens, o Resgate não merecia isso, gente. EU não merecia isso…

P.s.: Vai ficar no “p.s.” mesmo, pois estou sem forças. Só não dei lixo atômico na avaliação final, pois Dave Watcher, na arte, não tem culpa pelo estrupício do roteiro de Percy e ele faz um bom trabalho, ainda que longe, bem longe de chegar próximo de salvar esse negócio horroroso que acabei de ler…

Aliens: Aftermath (EUA, 2021)
Roteiro: Benjamin Percy
Arte: Dave Watcher
Cores: Christopher Sotomayor
Letras: Ariana Maher
Capa: Phil Noto
Editoria: Shannon Andrews Ballesteros, Jake Thomas, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 14 de julho de 2021
Páginas: 33

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