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Crítica | Alligator – O Jacaré Assassino

por Leonardo Campos
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Troque as águas quentes e o clima turístico de Tubarão pelos esgotos de Chicago e você encontrará uma versão urbana e descompromissada com qualquer elemento conectado aos meandros da verossimilhança em Alligator – O Jacaré Assassino, filme que explora a estrutura dramática do clássico de Spielberg em todos os aspectos possíveis. Na época de seu lançamento, cinco anos após o tubarão-branco inspirado no romance de Peter Benchley, os realizadores entregaram ao público o réptil gigantesco, ponto de partida para um filme baseado numa famosa lenda urbana estadunidense: o animal pequeno jogado pela privada que ao ser levado aos esgotos da cidade, torna-se uma imensa criatura assassina.

Com adaptações para cada local em que é contada, a tal lenda é a base para o desenvolvimento desta aventura irregular, mas historicamente importante para que possamos compreender o subgênero “animais assassinos”, bem como os mecanismos que engendram a indústria cinematográfica do período. Dirigido por Lewis Teague, cineasta guiado pelo roteiro de John Sayles, que por sua vez, baseou-se numa história criada em parceria com Frank Ray Perilli, Alligator – O Jacaré Assassino é um desses clássicos exibidos largamente na televisão aberta, com uma história divertida, mas repleta de absurdos, o que já designa ser algo sem a mínima sutileza.

A trama se estabelece da seguinte maneira: quando criança, uma garota é levada ao parque ecológico numa viagem com a sua família. Por conta de um acidente com o treinador de jacarés, o pai preocupa-se com a garota e lhe presenteia com um réptil para criação doméstica. Algum tempo depois, num momento de irritabilidade, o mesmo pai que agradou a filha momentaneamente joga o animal no vaso sanitário e aciona a descarga. Assim, o animal vive nos esgotos por um longo período, mas só será percebido alguns anos depois, quando funcionários das estações de limpeza da cidade e começam a desaparecer.

É uma situação que deixa a todos em dúvida sobre o que poderia estar por detrás desses desaparecimentos, seguidos de partes de cadáveres e uniformes que aparecem logo depois. Há um maníaco na cidade? Por que será que isso está acontecendo? As respostas não demorar e dialogam com a base comum dos filmes de animais expostos aos descuidos da humanidade com a natureza. Descobriremos que o jacaré foi jogado nos esgotos e ao longo de um período extenso, alimentou-se da carcaça de cães que fizeram parte dos experimentos de uma indústria obscura, responsável por despejar de maneira ilícita os restos na região. Alimentando por restos modificados geneticamente, o réptil ganhou as proporções gigantescas e parte para cima da humanidade.

O detetive David Madison (Robert Foster) é chamado para a investigação, pois as reclamações sobre os corpos dos empregados da manutenção pululam constantemente. A pesquisadora Maria Kendall (Robin Riker) também se torna parte da ação para conter o animal ensandecido e humanizado, tratado constantemente como assassino, etc. Especialista em herpetologia, entenderemos logo mais que Kendall é a menina do começo do filme, quando criança. Adulta e instigada pelos repteis, ela tornou-se uma profissional do assunto. Para ajudar na resolução da situação, Brock (Henry Silva) surge como um caçador de répteis cheio de motivações pessoais para aniquilar o inimigo, que na ótica dos personagens, é o animal, mas que numa lógica mais reflexiva, são os próprios seres humanos inconsequentes.

Visualmente, Alligator – O Jacaré Assassino é um filme típico dos anos 1980. Os efeitos visuais e especiais coordenados por Michael Douglas Middleton e Bill Kaufman são irregulares, mas dialogam com os aspectos estéticos gerais do filme, uma produção ciente de suas limitações. Os ambientes são erguidos com a assinatura de Michael Erler no design de produção, responsável pela elaboração dos espaços que serão registrados pela direção de fotografia de Craig Huxley, o fabricador de imagens adornadas pela condução musical de Joseph Mangine. A forma como contempla as réplicas do réptil antagonista é eficiente para o que lhe foi dado como possibilidade técnica na época. O mesmo para todos os demais setores.

Ademais, a produção de 90 minutos é oriunda de um cineasta que conhece bem o terreno, haja vista as suas experiências como assistente de direção de Roger Corman, um dos mestres do horror B. Tendo na equipe o roteirista de Piranha, outro filme que emula o legado dramático estrutural de Tubarão, Alligator – O Jacaré Assassino é uma referência na seara dos filmes de animais assassinos, realização visivelmente B, algo que não impede que haja subtexto político e crítico, bem como algumas cenas pertinentes para a discussão sobre a relação seres humanos e natureza. O mesmo, por sua vez, não pode ser dito da continuação, Alligator 2 – A Mutação, tema para o nosso próximo texto sobre répteis assassinos no cinema.

Alligator – O Jacaré Assassino (Alligator/Estados Unidos, 1980)
Direção: Lewis Teague
Roteiro: John Sayles
Elenco: Robert Foster, Robin Riker, Michael V. Gazzo, Dean Jagger, Sydney Lassick, Jack Carter
Duração: 91 min

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