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Crítica | Altered Carbon: Nova Capa

por Ritter Fan
385 views (a partir de agosto de 2020)

Nem bem a segunda temporada de Altered Carbon foi lançada, o Netflix seguiu a história de Takeshi Kovacs com um longa animado produzido no Japão, com direção, roteiro e vozes originais japonesas. E, melhor ainda, no lugar de fazer algo completamente independente da série, o que temos é um prelúdio de muitos anos antes dos eventos da primeira temporada (a ação se passa um ano após as “mortes” de Reileen e Quellcrist no Mundo de Harlan) que conversa diretamente com cada uma das duas temporadas.

Usando a técnica de cel-shading (ou emulando-a, não sei), muito comum em games, os diretores Takeru Nakajima e Yoshiyuki Okada criaram uma animação vibrante e extremamente violenta que coloca Takeshi Kovacs (voz original de Tatsuhisa Suzuki) como guarda-costas da jovem tatuadora Holly (Ayaka Asai) que precisa aliar-se a Gena (Rina Satou), uma agente da CTAC, para desvendar um mistério que envolve a cerimônia de sucessão do comando da Yakusa no planeta Latimer. A história é simples, ainda que o roteiro de Dai Satô e Tsukasa Kondo tente, mas não consiga, dar uma roupagem complexa para a trama, com tudo basicamente funcionando como uma grande desculpa de 74 minutos para a pancadaria comer solta.

E ela come solta, podem ter certeza. Aliando um visual cyberpunk nas tomadas exteriores do planeta onde a violência já começa com ninjas mascarados despedaçando agentes do CTAC a torto e a direito, com o mesmo artifício do emprego de um hotel – na verdade, tecnicamente, um ryokan – gerido por uma I.A., desta vez o simpático, mas hesitante Ogai (Jouji Nakata), onde a maioria da ação se passa, a animação consegue cumprir sua missão de manter um passo energético que abafa a completa falta de história com hectolitros de sangue, sensacionais tatuagens de corpo inteiro, desmembramentos variados, muito uso de instrumentos cortantes e armas de fogo poderosas, além de belas armaduras adornando os intermináveis ninjas e, claro, o final boss. Só mesmo a aparência de cafetão dos anos 80 de Kovacs é que não funciona muito bem…

Há até tempo suficiente para que o grande trunfo dos livros de Richard Morgan – os cartuchos que permitem vida eterna e troca de corpos ao bel-prazer – seja bem utilizado como elemento intrínseco à trama, algo que falta na série live-action. Por outro lado, justamente porque o roteiro insiste em criar reviravoltas dentro de reviravoltas para trazer uma pseudo-complexidade à história, por vezes a ação dá espaço a diálogos que têm como única função explicar uma ou duas vezes aquilo que já havia ficado naturalmente claro. Ou subestimaram a inteligência do espectador, ou tiveram que ocupar “espaço” para evitar que a fita fosse classificada com um média metragem. Ou os dois, não sei. Fato é que o blá, blá, blá redundante cansa um pouco, ainda que o visual normalmente estonteante ajude a desviar a atenção dele.

Como disse logo no começo, a ideia de fazer com que Altered Carbon: Nova Capa seja mais um capítulo da série live-action é boa, pois cria unicidade narrativa e permite que o Netflix expanda esse universo sem precisar de orçamentos polpudos. A primeira temporada ganha conexão com Nova Capa na revelação – que acontece bem cedo, aliás – sobre quem realmente é Gena e a segunda temporada encaixa-se à animação pela contratação de Kovacs por Tanaseda Hideki (Kenji Yamauchi), o mesmo matusa que ajuda o Último Emissário no segundo ano da série. Ou seja, aqueles que se importam com continuidade e conexões não terão do que reclamar.

Com um final em aberto que parece prometer outras aventuras nesse período da vida de Kovacs, Altered Carbon: Nova Capa abre uma porta interessante que poderia ser utilizada também em outras séries do serviço de streaming. Só espero que, na próxima missão do protagonista, ele ganhe capa e figurino mais inspirados.

Altered Carbon: Nova Capa (Altered Carbon: Resleeved, Japão/EUA – 19 de março de 2020)
Direção: Takeru Nakajima, Yoshiyuki Okada
Roteiro: Dai Satô, Tsukasa Kondo (baseado em personagens criados por Laeta Kalogridis e nos romances de Richard Morgan)
Elenco: Tatsuhisa Suzuki, Ayaka Asai, Rina Satou, Jouji Nakata, Kenji Yamauchi, Kanehira Yamamoto, Koji Ishii
Duração: 74 min.

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13 comentários

João Paulo 8 de abril de 2020 - 17:09

Achei o filme melhor que a segunda temporada, e com certeza vai abrir possibilidades pra um novo arco na história. Estou curioso para ver como irão conectar um possível novo filme numa possível nova temporada.

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planocritico 9 de abril de 2020 - 12:33

Só se a próxima temporada voltar para o passado, já que a animação se passa antes ainda da 1ª temporada.

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 23 de março de 2020 - 10:15

O visual é incrível, mas me incomoda muito a movimentação engessada e artificial quando não acontecem as cenas de luta, parece aquele programa Massive (deve ser esse o nome) que fez a glória do “Senhor dos Anéis”, mas em escala muito mais aproximada e pessoal, acerca do comportamento dos personagens.
Muitos cortes também quando a ação é desenfreada, que saudades do Studio Ghibli – rsrsrsrsrsr
Gostei, preciso me adaptar a essas novas animações, mas eu vi muito pouco do Takeshi Kovacs dentro daquele personagem, impressão minha.

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planocritico 23 de março de 2020 - 14:42

Acho que é uma questão de costume a movimentação. Mas não é mesmo uma animação “cuidadosa”, digamos assim. O visual espalhafatoso está lá acho que justamente para desviar nossa atenção dos detalhes.

E aquele ali era o Kovacs cafetão dos anos 80! Só faltaram as correntes e pulseiras douradas!

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 23 de março de 2020 - 16:43

Sim – rsrsrs – o visual dele evoca isso mesmo, Kovacs em todas as suas capas é um cara chique, até como cantora asiática é um personagem com certa sofisticação.

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planocritico 23 de março de 2020 - 18:26

Não chamaria o Kovacs de chique não. Ele é meio Rambo, meio John McClane, meio Soldado Universal (sim, tem três “meios”…), mas chique eu não diria…

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 24 de março de 2020 - 08:46

Rambo? rsrsrsr, céus! Eu acho ele meio Mclane (certo) e John Wick – a formação oriental emprestou um pouco de sofisticação ao cabra. De todo modo, ele não aparece na animação. Poderiam mostrar a encarnação original – mesmo que por tempo curto – para a ligação com o personagem ser mais imediata.

planocritico 24 de março de 2020 - 13:49

Poderiam, mas acho que eles contam que todo mundo que se interessar pela animação terá visto as temporadas antes e se valem apenas do nome do personagem que, aliás, eu acho sensacional!

Abs,
Ritter.

Fórmula Finesse 24 de março de 2020 - 14:07

Em termos de escolha de nomes, o autor dos livros caprichou!

vince 22 de março de 2020 - 18:24

Uma animação do Takeshi trabalhando pro Tanaseda seria muito legal, pois, deu pra ver que eles devem ter uma história pregressa interessante pela relação deles na segunda temporada e nesse estilo anime poderia ser feita uma série só dessa época.

Responder
planocritico 22 de março de 2020 - 18:24

É isso que o final da animação deixa entrever. Sou 100% a favor!

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 22 de março de 2020 - 11:55

A historia é simples mas convence e é boa, as cenas de luta ( me deixou bem empolgado) e o visual sao muito foda e pra mim é melhor que as duas temporadas da serie juntas. Se os responsáveis decidissem so lançar filme desse jeito ou fizessem o resto da serie assim eu ia achar bom.

Responder
planocritico 22 de março de 2020 - 12:40

Achei as temporadas melhores, mas se o Netflix quiser fazer mais dessas animações, estou dentro!

Abs,
Ritter.

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