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Crítica | Amanhã, O Último Dia

por Luiz Santiago
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Numa parceria feita inicialmente entre Alemanha Ocidental e Itália, que posteriormente acabou adicionando ao grupo de investidores Espanha e Mônaco, Amanhã, O Último Dia (1967) é a adaptação do primeiro e também de alguns elementos do segundo livro da série Perry Rhodan para os cinemas, a saber, Missão Stardust e A Terceira Potência, ambos lançados em setembro de 1961. Nas décadas de 1960 e 70, era muito comum ver grandes parcerias cinematográficas entre Alemanha Ocidental, Itália e Espanha, primeiro nos western spaghetti, depois nos sauerkraut western e então nos gêneros de mistério, assassinato e terror, como giallo e krimi. Nesta ficção científica, temos elenco e equipe técnica dos dois principais países investidores, enquanto as filmagens foram feitas na Espanha continental e nas Ilhas Canárias.

O filme consegue capturar parte da essência dos dois livros, especialmente na primeira metade da projeção, onde vemos a discussão para o lançamento da nave Stardust em direção à Lua. A montagem não tem muito cuidado no sequenciamento das cenas, mas o espectador acompanha com muito interesse a viagem até o satélite da Terra e as coisas estranhas que ocorrem com Rhodan, Bell e sua equipe em solo lunar. Na primeira parte do filme, nota-se uma aproximação bem maior com o original literário, mas o ritmo das ações é irregular, muitas vezes impedindo que uma boa cena se estendesse com maiores detalhes, o que evidentemente é ruim para a construção da obra como um todo, basta considerar o turbilhão de coisas que cercam a descoberta dos arcônidas e o veloz contato e parceria com Crest e Thora.

Já na segunda parte, nos distanciamos dos livros e o ritmo da película melhora, caminhado por uma trilha de ação que conta com um vilão típico dos anos 60, acalentando o sonho de dominar o mundo e tendo os mais variados meios para perseguir isso: capangas, dinheiro e armas. E é aí que o filme desanda. Se num primeiro momento o roteiro dá a impressão de que irá criar um conflito interessante a fim de marcar a presença dos arcônidas na Terra (e vale aqui dizer que eu gostei bem mais de a nave ter pousado no continente africano do que no asiático, como no original), essa impressão logo se dissipa e a trama se conclui de modo incoerentemente simples e fora da essência da saga, fixando uma situação romântica entre Rhodan e Thora. Em outras palavras, a decadência dos arcônidas seria resolvida através da reprodução desses homens terráqueos com mulheres de Árcon. É tão machista e tão estúpido que chega a ser inacreditável.

Há, porém, uma porção de coisas que aproveitamos em Amanhã, O Último Dia. A obra flerta com os conflitos da Guerra Fria e aponta para os perigos de um contato com raças alienígenas enquanto a Terra se mantém desunida e à beira de um conflito nuclear. Infelizmente o elenco não faz jus à força desses personagens, pelo menos não na totalidade do tempo. Perry Rhodan (Lang Jeffries) chega perto disso no começo, mas depois tem atitudes tão tolas que acabam por distanciá-lo do major que conhecemos nos livros. Crest (John Karlsen) tem o porte do cientista arcônida, mas recebe tão pouco tempo de tela que acabamos por vê-lo como uma representação superficial do personagem. Thora (Essy Persson) se comporta como a capitã original, mas diante do encaminhamento patético que os roteiristas dão à personagem, acaba sendo reduzida à “fêmea que, junto com o homem terráqueo, irá consertar a decadência arcônida“.

O restante do elenco não tem uma presença que valha destaque, especialmente os vilões, o que já diz bastante coisa sobre o lado antagonista do longa. Para os fãs de Perry Rhodan, Amanhã, O Último Dia vale como uma curiosidade do cinema europeu que tentou levar para as telas a origem da maior saga literária de todos os tempos. Infelizmente a qualidade, mesmo dentro das mudanças que a adaptação se propõe fazer, não é algo com a qual podemos contar aqui.

Amanhã, O Último Dia (…4 ..3 ..2 ..1 …morte) — Itália, Alemanha Ocidental, Espanha, Mônaco, 1967
Direção: Primo Zeglio
Roteiro: Kurt Vogelmann, Sergio Donati, Primo Zeglio (baseado na obra de K. H. Scheer e Clark Darlton)
Elenco: Lang Jeffries, Essy Persson, Luis Dávila, Pinkas Braun, Stefano Sibaldi, Daniel Martín, Joachim Hansen, John Bartha, John Karlsen, Ann Smyrner, Lisa Halvorsen, Tom Felleghy, Gino Marturano, Mirella Pamphili, Dakar, Gianni Rizzo, Bruno Ariè, Alessandro Tedeschi
Duração: 95 min.

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