Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X01: The Cellar

No mesmo ano que Além da Imaginação (The Twilight Zone) ganhava seu primeiro revival, Steven Spielberg e sua produtora Amblin lançavam Histórias Maravilhosas (Amazing Stories), antologia de histórias fantásticas que, diferente da sensacional criação de Rod Serling, carregava uma gostosa pegada infanto-juvenil leve e descompromissada. De sua própria maneira, os 45 episódios das duas temporadas da série marcaram sua época e, agora, em 2020, ela ganha seu primeiro revival, coincidentemente no ano seguinte do terceiro revival de sua musa inspiradora.

Produzida novamente por Spielberg juntamente com Edward Kitsis, Adam Horowitz, Darryl Frank e Justin Falvey, a nova série, a julgar por seu episódio inaugural The Cellar, parece querer manter aquele olhar mais simpático e inocente que marcou a original, com histórias leves e divertidas que não parecem querer alçar voos muito altos. O capítulo inicial joga seguro em sua temática, a viagem no tempo, artifício narrativo que costuma gerar bons dividendos sem a necessidade de um enorme esforço criativo.

Mais ou menos na linha do romântico Em Algum Lugar do Passado, The Cellar  aborda uma história de amor em que os enamorados estão separados no tempo, no caso exatamente 100 anos. Sam Taylor (Dylan O’Brien) é um carpinteiro que ajuda seu irmão mais velho Jake (Micah Stock) na reforma de casas. Durante uma tempestade em um de seus trabalhos, Sam é misteriosamente transportado para 1919 quando conhece Evelyn (Victoria Pedretti) jovem prestes a casar-se contra sua vontade para salvar a mãe da falência. Desnecessário continuar descrevendo o que acontece, não é mesmo?

O jogo seguro de se usar viagem no tempo como atrativo continua fortemente na forma como tudo é executado. Pela janela vai qualquer ângulo narrativo mais nuançado, o que torna a história uma sucessão de clichês clássicos que são generosamente utilizados o tempo todo em meio a conveniências como a adaptação imediata de Sam e de Evelyn à situação, com todos os comentários sociais – o papel da mulher na sociedade mais proeminentemente, claro – flutuando ao redor, mas nunca, em momento algum, ganhando mais do que algumas pinceladas bem óbvias, sem que o roteiro se esforce em ultrapassar a barreira do básico.

Mas, sem dúvida alguma, apesar da simplicidade, a história é simpática, com a conexão entre os jovens apaixonados funcionando bem no pouco tempo de tela que tem. No entanto, o destaque fica mesmo com Dylan O’Brien que, mesmo seguindo uma linha reta pouco inspirada, consegue tornar seu Sam um personagem quase que imediatamente relacionável. Pedretti é apenas burocrática, com Stock mostrando potencial no pouco que aparece.

A reconstrução de época é econômica, mas a equipe de design de produção sabe tocar nas teclas exatas para conjurar 1919 de maneira correta, valendo especial destaque para a boate clandestina embaixo da farmácia em plena Proibição. Mas convenhamos que esse é o mínimo que podemos esperar de uma produção que leva o nome da Amblin e a distribuição da Apple.

Em um mundo frenético como o que vivemos, talvez a Amazing Stories dos anos 80 não tenha mais lugar. Mesmo assim, é um refresco notar que a produção tentou manter a sensação old school da série clássica com um episódio inaugural que cumpre a função básica de divertir, mas sem exigir nada do espectador. Talvez fosse o caso de elevar o nível apenas um pouquinho para que esse revival não se perca entre tantas outas ofertas por aí.

Amazing Stories – 1X01: The Cellar (EUA, 06 de março de 2020)
Direção: Chris Long
Roteiro: Jessica Sharzer
Elenco: Dylan O’Brien, Victoria Pedretti, Micah Stock, Daryn Kahn, Sasha Alexander, Cullen Douglas, Michaela Russell, Kimberly W Sandefur, Dean J. West
Duração: 52 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.