Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X02: The Heat

The Cellar, o primeiro episódio do revival de Amazing Stories, jogou seguro ao trabalhar uma história de amor em meio ao mais do que abusado artifício sci-fi da viagem no tempo com um resultado simpático e que captura bem o espírito da série oitentista original. The Heat continua essa tendência com uma narrativa que em muitos aspectos espelha The Cellar, já que parte da separação de duas amigas não pelo tempo, mas sim pela morte de uma delas que, no melhor estilo de dezenas e dezenas de filmes que já vimos por aí, retorna como fantasma e precisa descobrir o que ela precisa fazer para “ascender”.

E, mais uma vez, o resultado é simpático. Mas não só simpático. A boa notícia é que essa simpatia, em The Heat, vem acompanhada de uma direção de alta qualidade de Sylvain White, o que é uma surpresa considerando que, em seu currículo ele não tem muito mais do que o mediano Os Perdedores e o tenebroso Slender Man. O cineasta, ao que parece, estava inspirado para contar a história de Tuka Hall (Hailey Kilgore) e Sterling Johnson (Emyri Crutchfield), duas inseparáveis amigas atletas que estão treinando corrida na esperança de serem escolhidas para uma bolsa de estudos, já que ele estabelece tomadas muito boas que, acompanhando as duas competindo, logo estabelece praticamente tudo o que precisamos saber sobre elas, mas ainda reservando uma surpresinha ao final no estilo moral da história para aquecer corações.

Ajuda muito que Kilgore e Crutchfield, apesar de não serem as melhores atrizes do mundo (mas são ainda muito jovens e razoavelmente iniciantes, vale lembrar!), deixam evidente sua química imediata, não sendo necessário mais do que alguns segundos para que elas convençam o espectador da sinceridade de sua amizade, o que empresta à tragédia que abate Tuka um suficiente grau de relevância que nos faz realmente acreditar na tristeza que se segue. Além disso, o roteiro traz diálogos que capturam muito bem a vivacidade das duas, aprofundando a sensação de que aquela é mesmo uma amizade profunda, íntima e inseparável.

Os clichês à la Ghost, com pitadas bem de leve de O Sexto Sentido, Os Espíritos e outros, são inevitáveis. Mas não é nem de longe intenção de Chinaka Hodge evitá-los, de toda forma. Ao contrário, a roteirista manobra-os eficientemente, criando um conjunto harmônico que torna os desdobramentos suaves e lógicos dentro da proposta. Não gosto da maneira exageradamente melosa como a história acaba, pois, de certa forma, há uma traição das “regras do jogo”, mas não se pode dizer que não é algo que combina com o espírito mais positivo, alegre e, porque não, Sessão da Tarde, que marcou a primeira Amazing Stories e, pelo visto, também será a linha mestra desse revival.

Já em seu segundo episódio, Amazing Stories faz aquilo que eu queria que a série fizesse e que eu mencionei ao final da crítica anterior, ou seja, ela eleva um pouquinho o nível narrativo e cinematográfico para retirá-la meramente do lugar comum. É ainda uma obra feita descaradamente para fazer o espectador sentir-se bem quando os créditos começam a rolar, mas, nos dias de hoje especialmente, não há absolutamente nada de errado nisso, não é mesmo?

Amazing Stories – 1X02: The Heat (EUA, 13 de março de 2020)
Direção: Sylvain White
Roteiro: Chinaka Hodge
Elenco: Hailey Kilgore, Emyri Crutchfield (como E’myri Crutchfield), Shane Paul McGhie, Yvette Freeman, Cherise Boothe, Ezana Alem, Dred Carpenter, Deja Dee
Duração: 52 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.