Crítica | Amazing Stories (2020) – 1X04: Signs of Life

Signs of Life, o quarto e penúltimo episódio da curtíssima primeira temporada do revival de Amazing Stories (Histórias Maravilhosas) mantém seu mistério central por tanto tempo que não posso sequer arriscar mencionar sobre o que ele é sem soltar spoilers, algo que não pretendo fazer. Portanto, já peço desculpas adiantado pelo malabarismo na crítica para me desviar dessa questão, mas já deixo uma coisa clara: assim como nos demais episódios, o tema é um clichê clássico que simplesmente não podia faltar em uma série como essa.

Na história, Sara (Michelle Wilson) acorda misteriosamente de um coma de seis anos e passa a ter que reconectar-se com sua filha Alia (Sasha Lane). No entanto, apesar de mostrar-se bem fisicamente e lembrar-se de tudo, Sara não consegue estabelecer contato com Alia, mantendo-se distante e alheia à filha, ao mesmo tempo que demonstra ter, digamos, habilidades especiais, como do nada falar espanhol fluentemente ou ter uma capacidade auditiva fora do comum. Além disso, não demora e Wayne (Josh Holloway), que parece ser um amigo de longa data, reentra em sua vida de forma a acrescentar mais uma série de pontos de interrogação na cada vez mais desconfiada Alia.

O trunfo do episódio é fazer o espectador quase que literalmente ser Alia por um boa parte da minutagem, ou seja, deixando-nos à margem de qualquer tipo de explicação e levando-nos naturalmente a todo tipo de especulação e teorias enquanto o mistério só fica vai ficando mais profundo, como um episódio de Arquivo X. Essa ignorância sobre o que exatamente está acontecendo e que corajosamente permanece por algo como 40 a 45 minutos dos 53 do episódio acaba muito facilmente prendendo a atenção nem que seja por pura curiosidade, com o roteiro propositalmente jogando pistas falsas o tempo todo para alimentar as dúvidas.

No entanto, o texto de Leah Fong acaba perdendo o fôlego tanto ao focar no drama pessoal de Alia, dividida entre dois mundos, quanto na resolução do mistério. Sim, tudo é resolvido, mas, apesar da duração levemente avantajada do episódio, há uma correria muito grande nos minutos finais que provavelmente não satisfarão aqueles que, como eu, esperava um pouquinho mais de conexão narrativa. É como uma ideia muito boa que tem todo um capítulo escrito ao seu redor, mas que quem teve a ideia não sabe exatamente o que ela é em seus detalhes.

Mas o lado simpático que vem marcando todos os episódios da temporada está presente aqui também, com um enfoque especial na importância da família e no próprio conceito de família, com alguns momentos bonitos entre mãe e filha que colorem com eficiência o manto de mistério que encobre a história. Michelle Wilson e Sasha Lane mostram-se eficientes em seus papeis de mãe e filha separadas pelo tempo, com a primeira sequer lembrando direito desse seu passado com a segunda, o que a leva a atitudes frias inicialmente. Josh Holloway, por seu turno, é o canastrão carismático de sempre que tem boa presença em tela e, mesmo sendo subaproveitado, consegue fazer seu personagem funcionar.

Mesmo não encerrando com elegância a história, Signs of Life cumpre a missão de intrigar o espectador, deixando-o suficientemente engajado com o que está acontecendo para envolver-se na história. Assim como todos os episódios que vieram antes dele, o objetivo – alcançado plenamente – é oferecer um pouco de diversão descompromissada envolta em uma produção infanto-juvenil com a chancela spielberguiana de qualidade.

Amazing Stories – 1X04: Signs of Life (EUA, 27 de março de 2020)
Direção: Michael Dinner
Roteiro: Leah Fong
Elenco: Michelle Wilson, Sasha Lane, Josh Holloway, Linda Park, Jacob Latimore, Barret Swatek, Lesa Wilson, Tyler Graham, Rose Bianco, Fallyn Brown, Moses Das
Duração: 53 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.