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Crítica | Amazônia (2013)

por Guilherme Coral
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estrelas 3

Assistindo Amazônia eu não podia deixar de pensar em Caminhando com Dinossauros 3D e todo seu potencial desperdiçado. Ambos os filmes nos colocam em premissas similares – acompanhar um determinado animal através de uma jornada por esse mundo natural. Porém, enquanto em um temos a presença de um narrador desnecessário, o passado na grande floresta tropical dispensa tal elemento, apoiando-se unicamente nas imagens mostradas e no carisma inerente ao pequeno macaco-prego colocado como protagonista.

É interessante notar que a obra poderia tomar um caminho semelhante a Baraka, nos levando através de uma série de planos expositivos da Amazônia, sua flora e fauna. Ao invés disso, contudo, o filme opta por introduzir uma espécie de narrativa, ligando o nosso deslumbramento com aquela paisagem com o do próprio macaco, que acabara de cair de um avião vindo do Rio de Janeiro. Das árvores aos animais silvestres ali presentes, todos são novidades para o pequeno mamífero e sua surpresa a cada novo achado é visível através dos planos focados em sua face, que funcionam, também, para nos aproximar deste extremamente expressivo personagem.

Amazônia nos carrega nessa exploração do macaco-prego dessa sua terra de origem, oscilando entre a ficção e a realidade, através de sequências expositivas e narrativas. Ora vemos o animal passando por uma dificuldade, ora simplesmente contemplamos, através de seu ponto de vista, a paisagem daquele lugar. Tal estrutura se mantém forte até a metade do filme, quando, subitamente, seu ritmo é quebrado, sofrendo de uma lentidão que, por pouco, não afasta seus espectadores. Felizmente, através de uma tensão bem e naturalmente construída, nossa atenção é resgatada no terço final do longa, embora este conte com uma sequência um tanto perdida dentro da obra geral, podendo ter sido inserida anteriormente na “trama”.

Para sustentar essa história do pequeno macaco, a edição de Thierry Ragobert e Nadine Verdier, opta por uma montagem mais clássica, seguindo a linha de visão de seu personagem sem a menor ousadia. Este elemento não seria visto como negativo se, ao menos, a fotografia de Gustavo Hadba e Manuel Teran aproveitassem a exuberância ao seu redor para compor verdadeiras pinturas com seus quadros, em detrimento dos pouco inovadores planos presentes na obra. Aqui a linguagem documental se faz mais do que presente, quando poderia ter sido colocada de lado a fim de prender o olhar da audiência, deixando-a sem fôlego como se faz no exemplo anteriormente citado, Baraka.

Felizmente, porém, a trilha sonora de Bruno Coulais resgata a linha narrativa do longa através de músicas que vão de sutis melodias ambiente até dramáticos arranjos a fim de prender o espectador na tensão exposta na imagem. Muitas vezes, o que ouvimos atua como elemento coesivo dentro da obra, trazendo uma forte ligação entre cada empreitada do macaco-prego. Somente em algumas sequências, Bruno peca pelo exagero, criando uma expectativa que é logo quebrada por uma rápida resolução da história.

Amazônia é um típico exemplo de filme que precisa ser assistido na sala do cinema. É uma experiência que praticamente obriga a imersão, embora marcantes deslizes acabam nos tirando dela. Novamente volto a pensar em Caminhando com Dinossauros 3D e seu potencial mal explorado, fator que se repete nesta obra, que prende seu espectador, mas não o marca, funcionando como uma rápida lembrança deste grande elemento natural, tão perto e tão longe.

Amazônia (idem, França/ Brasil – 2013)
Direção: Thierry Ragobert
Roteiro: Johanne Bernard, Luiz Bolognesi Louis-Paul Desanges, John Kaylin, Luc Marescot, Thierry Ragobert
Duração: 83 min.

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4 comentários

Luiz Santiago 30 de junho de 2014 - 02:31

Cara, lá pela 1h de filme eu já estava arrancando os cabelos de desespero e raiva. E veja: macacos estão no TOP 3 dos meus animais favoritos, então não tem nada a ver com macaquinho-guia da história. Tem a ver com o ritmo que é empregado nesse documentário. Como você mesmo disse, começa bem, mas vai se perdendo na parte final. E tem umas coisas que… sinceramente, não deveriam estar lá. Particularmente tive um treco com aquela sequência em que o bichinho come os cogumelos e fica alucinando. Qual era a necessidade daquilo? Simplesmente BIZARRO!!!
Quanto a fotografia, concordo com você no ponto em que ressaltou: a forma e dinâmicas de captura. Mas a constituição fotográfica eu achei maravilhosa, com o bom uso da luz, além, é claro, da alta qualidade das câmeras usadas que geraram imagens lindíssimas, mas, como você disse, nada dinâmicas.

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Guilherme Coral 2 de julho de 2014 - 21:37

Cara, vou te falar que eu já apaguei da memória a sequência dele alucinado, porque não faz o MENOR sentido! Pior que uma cena dessas tira espaço daquela do desmatamento que parece jogada no meio do filme, como se quisessem dar uma politizada nele.
Concordo no que você disse da fotografia, Luiz, a qualidade fotográfica em si é bizarra, não gostei dos enquadramentos ou falta de movimento mesmo (em um filme que é 80% foto poderiam ter sido mais criativos).

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Nane Menezes 6 de julho de 2014 - 23:39

“Cara, lá pela 1h de filme eu já estava arrancando os cabelos de desespero e raiva.” E eu lá pelos 45 minutos já estava assim. Nem vi o filme depois de uns 55 minutos. Saí da sala para aliviar a dor de cabeça. Não gostei, não me prendeu, não me marcou. O único aspecto bom era a fotografia e só!

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Guilherme Coral 8 de julho de 2014 - 01:42

Da pra entender sua posição perfeitamente, Nane. Tive de me forçar a assistir em diversos pontos e consegui resistir. Como disse, achei uma experiência, por pouco, positiva.

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