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Crítica | American Crime Story – 3X07: The Assassination of Monica Lewinsky

A explosão midiática do caso.

por Iann Jeliel
492 views (a partir de agosto de 2020)

The Assassination of Monica Lewinsky

  • Contém SPOILERS. Acompanhe por aqui as críticas dos demais episódios de Impeachment, e aqui, as críticas de nosso material da série.

Se Man Handled focava no trauma de Monica Lewinsky (Beanie Feldstein) por humilhação privada, The Assassination of Monica Lewinsky faz o mesmo, agora com a humilhação pública do seu caso com Bill Clinton (Clive Owen) explodindo midiaticamente. No entanto, diferente do episódio passado, não dava para o enfoque ser somente em Monica. Havia uma necessidade de uma cobertura mais detalhada dos pormenores da repercussão do caso vindo à tona e, obviamente, a reação dos demais personagens envolvidos perante essas circunstâncias.

Nesse sentido, sinto falta novamente de uma participação mais enfática de Paula Jones (Annaleigh Ashford) e os papéis dos jornalistas Matt Drudge (Billy Eichner) e Michael Isikoff (Danny Jacobs) na história, que acabam sendo confirmados agora como meros coadjuvantes de contexto. Imaginava a cena do depoimento jurídico de Clinton em sua frente, um gatilho para pavimentar todo um episódio destacando mais da perspectiva de Paula, afinal é um momento marcante no caso. Infelizmente, assim como suas outras participações, seu ponto de vista fica delimitado à coordenação com liberdade poética da cena em que participa. Imagino que Paula não tenha saído chorando desesperada da sala na desculpa de ir para o banheiro no evento real, pois é um artifício tipicamente hollywoodiano e utilizado em Do You Hear What I Hear? para criar tensão naquela conversa no restaurante entre Linda Tripp (Sarah Paulson) e Monica, por exemplo. Ainda que simples, é um artifício que funciona, lá e aqui, para dar tempero à sequência, mas fato é que as nuances emocionais da emulação acabam bem mais direcionadas a Bill do que a Paula.

Aliás, gosto bastante da maneira como o episódio quebra os cacos da máscara do presidente sem maniqueísmos baratos. Há uma sequência em especial com ele refletindo um pouco sobre a situação, que foca em seu rosto sutilmente ficando cabisbaixo, após observar o quadro de George Washington emoldurado na parede. Dá para perceber, na performance cuidadosa em expressões de Clive Owen, um fundo de arrependimento no personagem ou mesmo de vergonha de ser o representante da nação americana tendo feito o que fez. Dura poucos segundos, mas são suficientes para ampliar toda a leitura acerca da figura histórica. Até um manipulador nato como ele tinha seus anseios, que ficam muito evidentes quando contrapostos à sua postura em duas conversas diferentes. Com sua secretária, Betty Currey (Rae Dawn Chong), há um charme imponente e ameaçador na forma como ele vai dizendo sutilmente o que ela tem que falar sobre as visitas de Mônica caso seja perguntada. Com Hillary Clinton (Edie Falco), sua esposa, há um certo acuamento disfarçado na intimidade que se reflete no medo de perdê-la, caso descubra, mesmo quando ela oferece apoio caso seja verdade. Essas cenas mencionadas são fundamentais para discernirmos o seu real sentimento exposto na infame entrevista coletiva ajeitada pela primeira-dama que fecha The Assassination of Monica Lewinsky e explica seu título.

O tom da fala “Eu não tive relações sexuais com aquela mulher” é completamente diferente do desconforto meio seco da linha parecida que ele solta no depoimento gravado. A força enfática dada a esta, do final, traz o peso do arrependimento, revelando nas entrelinhas que Monica não significava nada verdadeiramente para ele. Esse é o momento em que ele “assassina” Lewinsky. Quer dizer, fica sugerido no seu “desabamento” após assistir essa fala, no tom que Clinton colocou, que ela percebeu ter sido usada por ele. Contudo, fica em aberto se esse desamparo não foi somente uma consequente “gota d’água” após ter passado o dia inteiro acompanhando programas que a escracham, paparazzis “enchendo o saco”, cercando o local onde estava, noticiários espalhando sua história vinte e quatro horas, relacionamentos passados (aqueles tóxicos que mencionou no quarto episódio) que vinham à tona, dando relatos negativos, além de toda a dificuldade vinda da negociação com o FBI que passa a dificultar mais sua imunização pelas atitudes de seu advogado Ken Star (Dan Bakkedahl) expondo muito sobre o caso a mídia.

Imagino que tenha sido um pouco de cada. Eles ainda vão se encontrar novamente até o final da temporada e certamente o assunto será pauta. Ademais, vale destacar também o sentimento de Linda Tripp explorado no episódio, que também acompanha a ridicularização de Mônica pela imprensa, mas só parece deixar a ambiguidade de lado quando ela se torna vítima também da ridicularização. Revela-se um pouco do seu passado em uma sensível conversa com a filha (Emma Malouff), em que ela conta quando sofria bullying por sua aparência no colégio e o quanto isso criou um complexo de busca por reconhecimento que a impulsionou a fazer o que fez com uma amiga. Ao não ser reconhecida junto à mídia e levantar novamente esses fantasmas, Tripp fica num estado parecido com o luto. Embora Linda mencione que aguenta o “trampo”, por dentro, isso a corrói. Novamente Sarah Paulson se destaca ao entregar um misto de emoções mantendo uma pose branda, sem exageros.

The Assassination of Monica Lewinsky é um título excelente (não só pelos motivos apontados, mas também pela autorreferência ao título da segunda temporada) e um episódio que segue entregando a ótima qualidade narrativa emplacada por American Crime Story desde a metade da temporada.

American Crime Story (Impeachment) – 3X07: The Assassination of Monica Lewinsky | EUA, 19 de Outubro de 2021
Showrunners: Ryan Murphy, Sarah Burgess
Direção: Michael Uppendahl
Roteiro: Sarah Burgess, Daniel Pearle, Flora Birnbaum (baseado no livro A Vast Conspiracy: The Real Story of the Sex Scandal That Nearly Brought Down a President de Jeffrey Toobin)
Elenco: Sarah Paulson, Beanie Feldstein, Annaleigh Ashford, Edie Falco, Clive Owen, Colin Hanks, Mira Sorvino, Fred Melamed, Dan Bakkedahl, Billy Eichner, Taran Killam, Darren Goldstein, Rae Dawn Chong, Danny Jacobs, Christopher McDonald, Scott Michael Morgan, Patrick Fischler, Tim Martin Gleason, Teddy Sears, Stewart Skelton, Victoria Blade, Brent Sexton, Judith Light, Craig Welzbacher, Brian Maillard, Emma Malouff, Julie Pearl, Ryan Nassif, Kandiss Crone, Jared Gertner, Brandon Bales, Maury Morgan
Duração: 57 minutos

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