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Crítica | American Crime Story – 3X10: The Wilderness

O Impeachment consolidado em segundo plano.

por Iann Jeliel
738 views (a partir de agosto de 2020)

The Wilderness

  • Contém SPOILERS. Acompanhe por aqui as críticas dos demais episódios de Impeachment, e aqui, as críticas de nosso material da série.

Como eu imaginava, The Wilderness é quase um fechamento em epílogo para Impeachment, mesmo se tratando do episódio em que o evento do título finalmente é narrado. E digo narrado, porque não há uma encenação por de trás da votação ocorrida na Câmara dos Representantes e no Senado sobre as acusações de perjúrio e obstrução da justiça, apenas uma menção desse acontecimento no fundo, com os noticiários. Novamente, o que importa são as perspectivas dos envolvidos relevantes diante das consequências, vindas dos desdobramentos que levaram à abertura e, depois, à  absolvição no processo de impeachment.

Nesse sentido, a season finale soa um tanto repetitiva, pelo menos na sua primeira metade dedicada a observar os pormenores do burburinho causado pela publicação online do relatório de Ken Star (Dan Bakkedahl) que detalha de maneira explícita e organizada, todas as aventuras sexuais de Monica Lewinsky (Beanie Feldstein) e Bill Clinton (Clive Owen) para todo mundo ler. Por maior que seja o constrangimento dessa situação, dramaticamente, a forma na qual o episódio cobre diferentes pessoas repercutido e lendo algumas partes do artigo soa bastante semelhante ao impacto gerado somente pelo descobrimento do caso pela mídia colocado por The Assassination of Monica Lewinsky. Nada de novo é exatamente colocado nessas repercussões, o que de certo modo é uma oportunidade perdida do episódio em expandir o recorte abordado na sua parcela de cobertura histórica.

O papel era gigantesco, descrevendo inúmeras outras situações não mostradas e comentadas na série. Podia-se escolher algumas delas para serem brevemente mencionadas, mas em vez  disso, The Wilderness gasta esse tempo reforçando as que já nos foram contadas para mostrar outros personagens descobrindo-as, sendo que suas reações também não acrescentariam nada que já não tínhamos visto também. Talvez, a exceção seja ver como Clinton reagiu ao saber por Hillary (Edie Falco) que sua filha Chelsea (Anastasia Barkow) leu o texto. Ao menos a segunda metade consegue ser bem mais interessante, ao explorar a ressignificação particular de Monica aos seus traumas. Ficava me perguntando se iriam mostrar os encontros finais que ela teve com Clinton, já depois que tudo isso aconteceu. Contudo, a série opta por não mostrar, numa liberdade criativa para preservar essa construção de aprendizado consolidada no episódio final.

É quase metalinguístico terminar a temporada no momento de publicação de seu livro. A literatura, assim como a tv e qualquer outro meio artístico, tem essa abertura ficcional para revelar uma verdade. Nesse caso, a verdade buscada era mostrar quem era a verdadeira Mônica, apesar de seus erros. Isso vale também, de modo equivalente, para Linda Tripp (Sarah Paulson), por mais que o seu epílogo seja ela em entrevista dada a revista George, afirmando o seu erro exatamente como a interpretação que a própria série sugere sobre a figura. A diferença é que com ela falando fica mais didático entender sua mea-culpa, principalmente quando ela explica novamente sua motivação respaldada na história de seu pai que traía a esposa  e saía impune de julgamentos. É até irônico que a finalização de Clinton pouco antes seja com uma piada dele se martirizando dizendo que “Deus o odeia” para o ter feito passado por essas polêmicas.

Há tempo de sobra para mencionar também a vida precária de Paula Jones (Annaleigh Ashford) posando nua para a revista Penthouse visando ter algum dinheiro para sobreviver após perder o processo contra os Clinton e o desabafo em entrevista da última das vítimas mais conhecidas de Bill, Juanita Broaddrick (Ashlie Atkinson) – que havia aparecido em outros episódios, entrevistada pelos advogados de Paula Jones –, falando do caso que teve com o presidente e da sua tentativa de estupro. Uma pena que sua perspectiva, assim como a de Paula Jones e Kathleen Willey (Elizabeth Reaser), tenham sido somente contextualizações da época, especialmente considerando o teórico discurso de valorização da memória e da palavra das vítimas.

Esse, sem dúvidas, foi o maior problema dessa temporada, que se reverberou num sentimento de incompletude, na conclusão, mesmo que isoladamente a escolha do que contar no episódio e no restante da temporada tenha soado autossuficiente pela boa encenação. The Wilderness sofre por ser um fim que acaba depois do Impeachment que tinha muito o que contar do antes dele acontecer para outros participantes da história. Pelo menos esse sentimento tem o seu lado positivo, pois reflete que o que foi contado, foi feito suficientemente bem para termos a curiosidade de descobrir mais.

American Crime Story (Impeachment) – 3X10: The Wilderness | EUA, 9 de Novembro de 2021
Showrunners: Ryan Murphy, Sarah Burgess
Direção: Michael Uppendahl
Roteiro: Sarah Burgess, Daniel Pearle, Flora Birnbaum (baseado no livro A Vast Conspiracy: The Real Story of the Sex Scandal That Nearly Brought Down a President de Jeffrey Toobin)
Elenco: Sarah Paulson, Beanie Feldstein, Annaleigh Ashford, Margo Martindale, Edie Falco, Clive Owen, Colin Hanks, Mira Sorvino, Dan Bakkedahl, Billy Eichner, Cobie Smulders, Darren Goldstein, ,Rae Dawn Chong, Ashlie Atkinson, Sarah Catherine Hook, George Salazar, Rob Brownstein, Scott Michael Morgan, Patrick Fischler, Jeannetta Arnette, Morgan Peter Brown, Joseph Mazzello, Lindsey Broad, Peter Oldring, Christopher Redman, Amy Pietz, Dan Pfau, Judith Light, Emma Malouff, Anastasia Barkow, Jenny C. Paul, Jamie Baer, Jared Gertner
Duração: 57 minutos

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