Home TVEpisódio Crítica | American Gods – 3X04: The Unseen

Crítica | American Gods – 3X04: The Unseen

por Ritter Fan
3112 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, a crítica dos episódios anteriores.

Fiz o que qualquer pessoa sensata deveria fazer quando se depara com uma série cheia de problemas de bastidores e joguei minhas expectativas lá no chão na esperança de me surpreender de alguma forma nesta 3ª temporada de American Gods. Mesmo tendo começado bem, o que veio em seguida foi só decepção mesmo considerando minha “técnica”, com o novo showrunner, Charles H. Eglee, basicamente repetindo tudo o que veio antes, só que do jeito dele, o que, a essa altura do campeonato, fica difícil de justificar.

Em seu quarto episódio, aquela metáfora batida que usei em minha crítica anterior, do carro atolado na lama girando a roda incessantemente e, no processo, sujando tudo ao redor, é perfeitamente aplicável mais uma vez, com o agravante que, de tanto girar a roda, formou-se um buraco capaz de tragar tudo lá para dentro. Entre Odin ainda tentando “libertar” Deméter para abocanhar o dinheiro dela, com direito a uma sequência com Marilyn Manson em um bar que parece completamente perdida, como se o montador não soubesse onde encaixá-la e Laura no Purgatório sem qualquer função narrativa que não seja adicionar intermináveis minutos à duração do episódio, algo que continua mesmo quando ela ressuscita, a impressão que deu é não há mais uma história sendo contada e tudo o que restou são fragmentos filmados reunidos de qualquer maneira para dar impressão de uma narrativa.

É bem verdade que a continuidade do resgate de Bilquis por Shadow Moon, com a resolução simplória do cliffhanger de Ashes and Demons, dá esperança de que algo interessante acontecerá, basicamente a única coisa que manteve meu dedo longe, mas não tanto, do fast foward. O problema é que mesmo nesse lado da narrativa, o roteiro de Nick Gillie é desconjuntado, atirando para todos os lados com o capanga do Bill Gates… ops, Bill Sanders sendo interrogado por Shadow e o insuportável do Garoto Técnico em uma ponta, Mrs. World desnecessária e incompreensivelmente revertendo à forma de Mr. World (tinha alguma cláusula no contrato de Crispin Glover obrigando sua aparição?) para mais uma vez tentar atrair Bilquis para seu lado (não é só Odin que age igual em todos os episódios…) em outra ponta e, como se isso não bastasse, o prelúdio dos Orixás sendo inserido efetivamente na história com a aparição de Oxun (Herizen F. Guardiola) para a deusa aprisionada em uma terceira ponta. Parece uma tentativa desesperada de cobrir todas as bases, novamente dando a impressão de progressão narrativa, mas que fica só na impressão mesmo, sem que consigamos sentir algo mais relevante do que sono pelo que está acontecendo.

The Unseen tem ainda o azar de não se beneficiar da beleza estética que marca a série. No episódio, os cenários são áridos como a prisão cinza de Bilquis ou escuros como o bar onde Odin é adorado e, quando o CGI é usado com mais peso, o resultado é aquela coisa horrenda que foi o Garoto Técnico virar massinha de modelar colorida ou sei-lá-o-que-foi-aquilo… Nem mesmo o preâmbulo que começa muito interessante conectando a fundação dos EUA com a escravidão tem um destino melhor, pois o didatismo imperou e, quando a crítica socioeconômica começou a realmente ficar interessante, os escravos foram convertidos em personagens de contos de fada, como se toda a pegada mais violenta e mais assertiva da temporada anterior tivesse sido censurada, o que mais uma vez empresta ares de verdade às alegações de Orlando Jones quando ele foi demitido da produção.

Meu fiapo de esperança é que Eglee siga religiosamente o Manual Internacional de Produção de Séries e faça do quinto episódio, que marca a metade da temporada, algo que estabeleça uma reviravolta que consiga justificar a existência da série, finalmente retirando-a do atoleiro em que se encontra. Mas, claro, nada de esperar algo grandioso ou realmente memorável. Afinal, a regra é baixar as expectativas – agora ainda mais – para que se possa até mesmo afirmar que ver Ian McShane “com os balangandãs de fora”, como dizia minha avó, foi divertido…

American Gods – 3X04: The Unseen (EUA, 31 de janeiro de 2021)
Showrunner: Charles H. Eglee
Direção: Eva Sørhaug
Roteiro: Nick Gillie
Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Emily Browning, Yetide Badaki, Bruce Langley, Omid Abtahi, Ashley Reyes,  Dominique Jackson, Eric Johnson, Julia Sweeney, Lela Loren, Peter Stormare, Andi Hubick, Cloris Leachman, Erika Kaar, Denis O’Hare, Blythe Danner, Crispin Glover, Marilyn Manson, Herizen F. Guardiola
Duração: 50 min.

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22 comentários

roberto t junior 11 de fevereiro de 2021 - 13:40

Cadê o 5 episódio?

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planocritico 11 de fevereiro de 2021 - 13:40

Não foi ao ar essa semana. Só semana que vem.

Abs,
Ritter.

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Isac Marcos 6 de fevereiro de 2021 - 20:53

Concordo com o “senhor” rsrs, mas dar 2 p/ o episódio anterior que foi quase 100% Laura e 1.5 nesse, que ó teve 15% dela já é demais rsrsrs.
Em tempo: que desperdício os Orixás na cena inicial, a fotografia ficou linda ao meu ver, mas colocar os escravos na velha (e costumeira) posição passiva diante da violência sofrida é dose.

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planocritico 6 de fevereiro de 2021 - 21:00

Ah, eu achei esse ainda pior… E uma das razões é o que você coloca sobre o desperdício dos Orixás. Que introdução ruim…

Abs,
Ritter.

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Sussurrador 6 de fevereiro de 2021 - 20:53

Desisti na segunda temporada to vendo que ja devia ter cancelado na primeira mesmo

Responder
planocritico 6 de fevereiro de 2021 - 20:53

É uma pena ter que chegar a essa conclusão… Mas, de fato, é verdade…

Abs,
Ritter.

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JC 6 de fevereiro de 2021 - 02:02

Ih rapaz….cada vez que entro pra ver as estrelinhas do episódio atual, fico com preguiça de terminar o primeiro….tanta coisa melhor pra ver…..

Urgh…..

Responder
planocritico 6 de fevereiro de 2021 - 02:02

Tá difícil, viu?

Abs,
Ritter.

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Daniel Duarte 4 de fevereiro de 2021 - 12:52

Pense em um desperdicio de tempo e dinheiro, conseguiram estragar até a aparição dos orixás.

Responder
planocritico 4 de fevereiro de 2021 - 12:56

Exato…

Abs,
Ritter.

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Vanessa Sales 4 de fevereiro de 2021 - 12:52

Perto do desânimo que foi a segunda temporada,consigo ver um pouco de melhora nessa temporada. Amo quando a série da espaço para as religiões de matriz africana. Amei as deusas!
Shadow está com uma força,Technical Boy sofreu kkk
Shadow pensou bem, ninguém vai acreditar em um lunático que viu et.
Não acredito que Laura conseguiu voltar a vida. É triste demais
Bilquis rainha
O resto nadinha

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planocritico 4 de fevereiro de 2021 - 12:52

Ah, olha, até agora estou achando a 2ª temporada melhor, viu? Mas veremos…

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista Dos Santos 4 de fevereiro de 2021 - 12:52

Nao ta dando mais nao mano… Tentei ver esse episodio em 2 oprtunidades, e nao consegui.
Cara, é a 3a. vez q repetem aquela cena da Bilquis engolindo o cara… meu Deus, nem choca mais.
Vou insistir pra poder terminar mas cansei.

Responder
planocritico 4 de fevereiro de 2021 - 12:52

Tá cansativo mesmo, caro @flaviobatistadossantos:disqus ! Estão conseguindo destruir uma série de enorme potencial…

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Lucas Pereira Silva 3 de fevereiro de 2021 - 19:46

A minha técnica a essa altura é outra… Eu venho ver o q você coloca na crítica antes e ai penso se vejo kkkkkkkk

Responder
planocritico 3 de fevereiro de 2021 - 22:26

Não pode! Tem que ver!!!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Lucas Pereira Silva 4 de fevereiro de 2021 - 12:52

Ta bom, por consideração com vcs kkkkkkk mas se for ficar assim até o final nem precisa fazer crítica da próxima temporada q eu não vou voltar não u.u hahaha

Responder
planocritico 4 de fevereiro de 2021 - 12:56

Olha a ameaça!!!

HAHAAHAHAHAHAHAAHAHAHAH

Abs,
Ritter.

Responder
Giovanni Filoni 3 de fevereiro de 2021 - 19:46

Quando a crítica da série parece ter mais qualidades do que a série em si, sabemos que alguma coisa deve estar muito, muito errada…
Acho curioso como com Deuses Americanos eles claramente tentaram algo como The Boys, ao utilizar a obra original como fonte para expandir em uma narrativa bastante diferente. O caos que Deuses Americanos enfrentou acabou sendo de fato essa completa falta de controle criativo nos bastidores. Cê acha que a série dessa forma acaba sobrevivendo a mais uma temporada?

Alias, saber que o que o Orlando Jones alegou é aparentemente verdade me deixa ainda mais decepcionado com o caminho que a série escolheu.

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planocritico 3 de fevereiro de 2021 - 19:46

Cara, para uma série sobreviver apesar de seus problemas internos, basta que tenha audiência e eu não faço ideia como tem sido a audiência de American Gods… Mas, a não ser que essa temporada melhore MUITO a partir do próximo episódio, por mim pode acabar que já deu…

Abs,
Ritter.

Responder
Abrahão Juvencio 3 de fevereiro de 2021 - 19:46

Caramba senhor Ritter… Precisava massacrar o ep não… Merecia um 2,5 pelo McShane e pela cena dos orixás, se bem que eu até concordo que se a laura simplesmente MORRESSE, ninguém ia chorar não…

Responder
planocritico 3 de fevereiro de 2021 - 19:46

McShane estava muito caricatural e a introdução dos Orixás em si foi bacana, mas não aquela sequência inicial como um todo…

Abs,
Ritter.

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